Afinal, por que temos tantos remakes e continuações no cinema?

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A década de 1970 foi de grande valia para a história do cinema. Tivemos o lançamento de grandes clássicos como Taxi Driver e O Poderoso Chefão que até hoje fazem a cabeça dos cinéfilos. Na mesma época surgiram produções que transformariam o cinema norte americano na grande indústria que é. Filmes como Tubarão e, mais importante Star Wars foram responsáveis por estarmos assistindo à tantas continuações de Vingadores e “reencarnações” do Batman no cinema.

Na época, o filme de George Lucas foi uma grande aposta, tanto que os próprios estúdios não confiavam muito e o diretor teve que investir dinheiro do próprio bolso para que o filme fosse lançado. No final deu certo, muito certo. O filme foi sucesso e fez a classe nerd aparecer um pouco mais. Tanto que a data do lançamento do primeiro Star Wars hoje é comemorada o dia do orgulho nerd.

Os estúdios percebendo o valor comercial que o filme gerava começaram a investir neste tipo de produção. Primeiro eles são facilmente vendáveis devido aos suas fantasias e efeitos especiais que agrega altos valores de bilheteria. Junto com eles vêm valores de venda de bonequinhos, bonés, camisetas e outros produtos relacionados ao filme. Recentemente também livros adaptados dos filmes que antes era uma via contrária, filmes é que eram adaptações de livros.

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Em 1989 o filme Batman de Tim Burton, foi um sucesso comercial. Arrecadou rios de dinheiro em bilheteria e vendeu de tudo que você possa imaginar. Burton, que era até então um diretor iniciante, ganhou mais “poderes” e liberdade para trabalhar na continuação. Porém, quando entregou o projeto final, Batman: O Retorno, não era um filme tão “para criança” quanto o anterior. Trazia um tom mais sombrio que o primeiro, uma Mulher Gato super sexy e um Pinguim um tanto asqueroso. Além disso, o filme sugeria que o homem morcego tinha certo nível de “perturbação” bem próximo dos próprios vilões.

Resultado, o filme arrecadou quase a metade do primeiro. Enquanto o primeiro arrecadou perto dos 500 milhões o segundo cerca de 250 milhões de dólares. Ainda existe uma “lenda” de que o McDonald’s cancelou o contrato com os estúdios por que os personagens eram perturbadores demais para serem produzidos brindes do McLanche Feliz. Essa seria uma das razões de Joel Schumacher ter assumido a direção dos próximos filmes do Batman e ter feito o que fez. Heróis coloridos, neon e Arnold Schwarzenegger dançando com pantufas de urso.

Em 2009 tivemos um agravante. Com o lançamento de Avatar, veio uma onda de 3D e tudo quanto é filme que era lançado tinha o tal do recurso. O problema é que, primeiro a terceira dimensão não agrega nada narrativamente para um filme. No caso de Avatar ele funcionou bem por que, o filme já foi pensado para ser em 3D. Os demais eram apenas convertidos para a terceira dimensão e acabávamos assistindo a um trabalho meio “porco”. A diferença rapidamente sumia e não percebíamos mais a outra dimensão. A impressão que ficava era só de que tínhamos pagado um ingresso mais caro. Até hoje isso é um problema, pois, para forçar esses ingressos mais caros, os horários dos cinemas ficam lotados de filmes em 3D e poucos em 2D, complicando a vida dos que não tem atenção pelo recurso (ou só estão com pouca verba mesmo).

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Atualmente a onda está nos Super Heróis. Adaptações de quadrinhos estão surgindo no cinema, na TV e até na Netflix. O que antes era algumas pontuações se tornou uma constante por que, agrega a todos os pré requisitos para a indústria funcionar. Chama muito público, é possível trabalhar com o 3D, é fácil a venda de camisetas e McLanche Feliz e possibilita diversas continuações.

Além das continuações que já existem a um tempo, agora surgiu também uma leva de remakes. Filmes que foram sucesso a alguns anos chegam repaginados nos cinemas. Um dos que está em processo é a nova adaptação de Os Caça-Fantasmas, que já foi alvo da indústria americana, dessa vez volta com uma equipe de mulheres. Outros rumores dizem que haverão remakes de grandes clássicos como O Exorcista (!) e até de O Poderoso Chefão (!!!). Já tentaram isso com Psicose e não foi nada legal.

Essas são as razões de hoje termos tantas continuações, remakes e mais do mesmo no cinema e a maioria facilmente esquecível. Hollywood como indústria que é, precisa investir em filmes que terão um investimento facilmente retornável. Quem já trabalhou em qualquer indústria que seja sabe que esse é o pensamento delas. Até nós mesmos, quando temos uma grana para investir em algo queremos a porcentagem maior de certeza de retorno. Apostar em coisas realmente novas (o que eu e a maioria de nós cinéfilos queremos) é arriscado de mais. Podemos descobrir uma nova mina de ouro, mas, também, um fracasso do século (financeiramente falando).

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Cinéfilo, apaixonado por vinis e acredita que as pessoas deviam prestar mais atenção nas letras de Radiohead (que não é uma banda depressiva).