Cobertura: Cine PE – Os Últimos dias do evento

O fim de semana do Cine PE não teve mais seus seminários, mas nem por isso deixou de ser um evento cheio de surpresas, começando com a manhã de sábado que teve as presenças dos responsáveis pelos curtas-metragens “O Menino do Canto do Mar”, “Peleja do Sertão” e “Mulheres Negras”, além da equipe por trás do longa “O Crime da Gávea”, todos fornecendo boas informações e trazendo um bom debate sobre os méritos de suas produções.

No período da noite tivemos mais uma sessão da Mostra com os curtas: “Autofagia”, “Quando os dias eram eternos”, “O Tronco” e “Sal”, cada qual surpreendendo o público com um grande destaque para “Sal” e “Autofagia”, filmes controversos sobre temas do nosso mundo, fora essas produções ainda teve a exibição do longa “Toro”, suspense policial muito aplaudido e consagrado no evento.

Na manhã do dia seguinte, domingo, às coletivas continuaram com mais um debate entre aqueles que projetaram e desenvolveram os curtas e longas exibidos. O grande destaque ficou por conta das conversas com o ator de “Sal” e os envolvidos em “Autofagia”, fora é claro, Edu Felistoque, roteirista e diretor de “Toro” que falou muito não só do filme, mas de suas opiniões a respeito do evento e do cinema.

Durante a noite, foram exibidos curtas como: “Entre Andares”, “José” e “Aqueles Anos em Dezembro”, que emocionaram o público e tiveram grande destaque, para só então ser exibido o longa “O Caso Dionísio Diaz”, que não agradou boa parte das pessoas presentes, tanto pelo valor técnico como pela abordagem do tema.

E assim chegamos ao grande final do evento, começando com mais boas entrevistas com os realizadores pela manhã, entretanto, surgiu-se uma grande polêmica quando o realizador Chico Amorim, tentou a muito custo defender sua obra, “O Caso Dionísio Diaz” que para muitos foi considerada uma obra fraca e ruim que não deveria estar ali entre as produções exibidas, o debate repercutiu de tal forma que convidados e curadores do festival fizeram um pequeno debate após a conversa com Amorim e ali falaram sobre as expectativas para o evento, os problemas enfrentando com as polêmicas políticas e sobre como essa safra de longas não estava agradando aos críticos e público presentes em todos os dias do festival.

Com esses momentos passados, o festival que acabou marcado por altos e baixos, fez sua finalização durante a noite, sem a presença de Rodrigo Santoro e Cássia Kiss que seriam homenageados na ocasião, sendo assim o evento seguiu para as suas últimas exibições Hors Concours, com os premiados “Duas Mulheres” e “Atum, Farofa e Spaghetti”, ambos muito aclamados e aplaudidos, o que preparou todos para a premiação final, onde o complicado “O Jardim das Aflições” ganhou o prêmio principal, feito que dividiu a opinião de todos no local. No entanto, se analisarmos a fundo, “Toro” e “O Crime da Gávea”, foram os grandes vencedores da maioria dos prêmios e, entre os curtas, quem impressionou foram “O Ex-Mágico”, “Mulheres Negras”, “Diamante – O Bailarina” e “Sal”, mas mesmo com esses filmes ganhando maior destaque, trabalhos menores como “Borrasca”, “Entre Andares” e “Los Tomates de Carmelo”, além é claro de uma menção honrosa ao “Luiza”, puderam brilhar no festival. O Cine PE 2017 terminou mostrando que foi um evento político, mas equilibrado, dando o espaço merecido para cada obra impactante ter o seu momento de prestigio.

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Otávio Renault
Nascido em São Joaquim da Barra interior de São Paulo, sou um escritor, cineasta, fotógrafo, desenhista e autor na Cine Mundo, além de um cinéfilo fã de Quentin Tarantino, J.J. Abrams, Neil Gaiman, viciado em séries e leitor de quadrinhos/mangás.