Enfim foi lançado Raio Negro (Black Lightning), a nova série da DC feita dessa vez em uma parceria do canal CW com a Netflix e sem nenhum envolvimento com o universo de heróis da TV, que incluem “The Flash”, “Supergirl”, entre outros.

Raio Negro foi criado por Tony Isabella e surgiu em 1977 nos quadrinhos da DC. Ele foi o primeiro título solo de um herói negro na editora, rivalizando com a Marvel que já tinha apresentado “Pantera Negra”, “Falcão” e “Luke Cage”.

Jeff Pierce cresceu no Beco do Suicídio, onde seu pai foi morto acidentalmente durante uma ação da máfia local. Anos mais tarde enquanto agia como diretor de uma escola, a gangue “Os 100” começa a aterrorizar a cidade e ele decide se tornar um defensor. Agora com a ajuda de Paul Gambi, Pierce constrói para si um uniforme com poderes elétricos, tornando-se o amado herói de seu bairro.

O personagem já havia aparecido em séries animadas da Warner como “Super-Choque”, “Justiça Jovem” e “Batman: Bravos e Destemidos”, além de participar do filme animado “Superman & Batman: Inimigos Públicos”.

Falado sobre tudo isso podemos comentar agora do lançamento de sua série, dinâmica, dramática, adulta e cheia de ação, “Raio Negro”, colocou o personagem de volta com a sua popularidade e apresentou uma produção bem-feita, que assim como “Luke Cage”, trabalha com questões delicadas e complexas que até então não haviam ganhado espaço nessas adaptações; a representatividade negra.

A série é exibida semanalmente e com base nos dois primeiros episódios podemos observar muitas coisas interessantes que a CW e a Netflix preparam para os fãs da DC Comics, dessa forma resolvemos listar algumas delas para vocês.

 

1Equilíbrio dos gêneros

Nos dois primeiros capítulos exibidos já percebemos bem o tom da série, trazendo momentos de drama e ação na medida certa. Existe tempo para atos heroicos, mas também há um bom foco em problemas sociais, raciais, conflitos dramáticos e eventuais alívios cômicos. A mistura é consistente e faz a produção ganhar muitas camadas e desenvolver episódios que não perdem o ritmo e mantém um estilo característico para o personagem e seu universo.

 

2Cultura afro-americana

Outro elemento extremamente bem trabalhado e que ao longo de sua temporada deve ganhar cada vez mais destaque é a representatividade. Seja pelos perfis dos personagens que vivem em uma comunidade pobre, sofrendo com o excesso de gangues e discriminação de policiais, como também pelos obstáculos sociais e pelos jovens perdidos no crime, além de muito mais que promete ser desenvolvido no decorrer da temporada, fazendo da série um prato cheio para promover reflexões.

 

3Raio Negro é fiel aos quadrinhos

Comparando com o material de origem, é possível perceber uma fidelidade enorme da série com os quadrinhos da DC Comics, mas isso não se restringe apenas ao visual como vemos em uma das cenas, pois a série ainda conta com diversas referências que fazem ligações à origem de Jeff Pierce e seus dramas internos, como o fato de ser um diretor de escola divorciado ou até mesmo seu fiel parceiro Paul Gambi e o vilão Tobias Whale.

 

4Temática adulta

Ao contrário de outras séries de super-heróis da CW, como “Arrow” ou “Legends of Tomorrow”, aqui não vemos o senso de humor adolescente ou jovens heróis envolvidos em triângulos amorosos, pois essa é a história de um homem maduro, que já viveu bastante como herói e carrega diversas amarguras pelo peso de sua máscara, além de seus conflitos pessoais, lidando com a responsabilidade de educar seu filho e gerir uma escola. Portanto, o roteiro força menos a barra com discursos motivacionais exagerados e lida melhor com questões mais profundas, o foco são adultos e os problemas mais pertinentes dessa fase da vida.

 

5Trilha Sonora

A trilha sonora é bem variada e traz características próprias para o personagem, usando composições como “Simply Beautiful” de Al Green, “Ain’t no Love in The Heart” de Bobby Bland e claro, não temos como esquecer daquelas músicas-tema do Raio Negro, como “Black Lightning” e “Power” do Godholly, cada uma delas se encaixa perfeitamente na proposta de cada sequência da série, proporcionando uma experiência musical única.

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Otávio Renault
Nascido em São Joaquim da Barra interior de São Paulo, sou um escritor, cineasta, fotógrafo, desenhista e autor na Cine Mundo, além de um cinéfilo fã de Quentin Tarantino, J.J. Abrams, Neil Gaiman, viciado em séries e leitor de quadrinhos/mangás.