Uma das coisas que consagrou a franquia “Invocação do Mal” foi a inteligência da direção de James Wan e o seu roteiro sagaz. Trata-se de um blockbuster de terror que conquistou desde as massas até os cinéfilos fervorosos e críticos mais exigentes. No entanto, o que vemos em “A Freira” é um filme que se compromete mais em assustar do que em contar uma boa história, ficando bem distante do universo que o criou.

Crítica: A Freira

No longa conhecemos a jovem irmã Irene (Taissa Farmiga), que ainda não fez seus votos religiosos, mas acaba se destacando por suas visões que muitas vezes indicam acontecimentos futuros. Por conta desse dom, ela é convocado para ajudar o Padre Burke (Demián Bichir) numa missão em um convento no Vaticano, onde uma freira cometeu suicídio recentemente e eles precisam investigar e certificarem-se de que o ambiente ainda pode ser considerado sagrado.

O roteiro é, sem dúvidas, o maior ponto fraco do filme, pois não há nenhum comprometimento em desenvolver seus personagens, trabalhar a sua história ou sequer explicar a relação de Valak com a família de “Invocação do Mal 2”. O que temos no final das contas é uma introdução rápida e clichê sobre a origem desse demônio e as suas intenções no convento.

Para suprir as lacunas do seu roteiro, “A Freira” nos entrega uma gama de jump scares que muitas vezes são acompanhados de sequências que não acrescentam em nada à trama principal. O lado bom é que Corin Hardy sabe trabalhar muito bem esses momentos e consegue assustar o público com facilidade.

Crítica: A Freira

Podemos dizer que estamos diante de um dos melhores trabalhos de Taissa Farmiga, pois a atriz se esforça e consegue cativar com a sua personagem, nos fazendo torcer por ela do início ao fim. Outro destaque positivo é Jonas Bloquet como Frenchie, que funciona como um alivio cômico dentro da atmosfera assustadora do filme. Ele é carismático e rende boas risadas com seus comentários sarcásticos diante dos acontecimentos sobrenaturais.

Inclusive, é importante salientar que o longa é dotado de humor, seja por seus diálogos ou devido à acontecimentos surreais como um espírito sendo expulso com um tiro no estilo “Indiana Jones”, um demônio saindo da água como em um clipe de música pop, ou ainda por conta da trilha sonora que por diversos momentos emprega um tom de aventura na história.

A fotografia e a ambientação juntas constroem uma atmosfera assustadora em torno do convento, algo que funciona até mesmo em cenas externas e em plena luz do dia. Além disso, os planos e movimentos de câmera bem arquitetados são alguns dos fatores que ajudam a criar as sequências mais arrepiantes da produção.

Indo do terror ao trash, “A Freira” é uma obra genuína do entretenimento. O filme faz uma excelente combinação entre terror e humor, divertindo e empolgando a sua audiência. É o longa com a trama mais fraca do universo de “Invocação do Mal”, e a inconsistência de seu roteiro pode comprometer a experiência de algumas pessoas mais exigentes, mas o seu ritmo frenético e sem rodeios deverá cativar aqueles que buscam por alguns sustos rápidos e diversão.


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