Apesar de conter um material muito rico e que renderia grandes filmes de aventura e ação, o período pré-histórico da humanidade nunca foi muito bem explorado pelo cinema. No entanto, com “Alfa” nós enfim temos uma obra que mesmo com uma trama um tanto clichê, soube nos maravilhar com um incrível espetáculo visual e que nos faz mergulhar nos diverso elementos do passado do planeta Terra.

Crítica: Alfa

Na trama, após cair de um penhasco e se perder do seu grupo, o jovem Keda (Kodi Smit-McPhee) precisa sobreviver em meio as paisagens selvagens e encontrar o caminho de volta para casa. Atacado por uma matilha, ele consegue ferir um dos lobos, mas decide não matar o animal, o que dá inicio à uma emocionante amizade entre os dois.

A primeira parte da história foca bastante em temas como maturidade, sobrevivência e nas responsabilidades do protagonista como “homem” guiado por seu pai, entretanto as questões são tratadas de maneira bastante superficiais e acabam cansando mais do que instigando o público.

O mesmo não pode ser dito sobre a segunda metade do filme, pois é aqui que o longa ganha muita energia e adrenalina ao lidar com as diferenças e a rivalidade entre o jovem e o lobo, ao mesmo tempo em que ambos desenvolvem uma relação profunda e lutam contra o tempo para se manterem vivos diante de todas as adversidades do ambiente.

Os únicos personagens que possuem destaque no filme são o pai Tau, interpretado por Jóhannes Haukur Jóhannesson e o jovem Keda que é vivido por Kodi Smit-McPhee. Kodi consegue expor bem os anseios e medos de um garoto que aparenta ser frágil e ainda não está totalmente preparado para a sobrevivência na vida adulta, entretanto aos poucos é revelado camadas do personagem que mostram a sua evolução, do fraco garoto até o resistente homem em que ele se transforma.

A fotografia é, com toda certeza, o ponto mais alto do filme, sempre valorizando muito bem o 3D do longa e com um visual excepcional cheio de tons que variam entre o branco e o laranja, além de muito uso de iluminação e forte contraste. Além disso, a produção brinca com diversos truques de câmera e ângulos diferenciados que não só exploram o cenário, como também criam um ritmo frenético para ação da história.

Crítica: Alfa

A direção de arte é outro fator que auxila na narrativa do filme, usando cenários deslumbrantes e grandiosos que nos ambientam no mundo que existiu há 20.000, além do bom uso de figurinos fiéis historicamente e que ajudam na composição da trama de aventura e ação sobre a antiga humanidade.

A direção de Albert Hughes comete certos deslizes na primeira metade da trama, apesar de saber conduzir brilhantemente as sequências de ação. Na segunda metade ele consegue fisgar a atenção do público ao focar na amizade incomum do lobo com o humano Keda de forma extremamente emocional.

“Alfa” possui um dos visuais mais lindos que o cinema já fez e mostra o potencial desse período histórico para as narrativas cinematográficas, contudo ele sofre devido aos clichês do roteiro e muito disso devido à primeira parte da trama, mas sua segunda metade que contém um história mais minimalista e contada através da ação e aventura consegue nos conquistar, empolgar e emocionar na medida certa com o belíssimo trabalho da produção.


Trailer:

REVIEW OVERVIEW
Roteiro
6
Direção
7
Atuações
7
Direção de Arte
10
Direção de Fotografia
10
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Otávio Renault
Nascido em São Joaquim da Barra interior de São Paulo, sou um escritor, cineasta, fotógrafo, desenhista e autor na Cine Mundo, além de um cinéfilo fã de Quentin Tarantino, J.J. Abrams, Neil Gaiman, viciado em séries e leitor de quadrinhos/mangás.