Depois do sucesso de “Animais Fantásticos e Onde Habitam”, chega aos cinemas a sequência da franquia tão aguardada pelos fãs, trazendo uma trama totalmente focada em Grindelwald e o seu discurso político que dividiu o mundo da magia.

A história já começa de forma explosiva com Grindelwald escapando de seus algozes e dando início a propagação de suas ideologias que pregam a soberania dos bruxos contra os humanos. Com um discurso inspirado e não muito diferente do que observamos nos dias atuais, o personagem consegue reunir uma legião de seguidores.

Crítica: Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald

Em meio ao caos que se propagava, o discurso de Grindelwald torna-se uma referência, cria-se um antagonista (os humanos) e promove a ideia de um futuro melhor para a comunidade bruxa. Essa construção do vilão o torna intrigante e consistente com as suas motivações. É uma realidade que vivemos em nosso dia a dia, com políticos que acreditam que oprimindo certos grupos, fará com que o futuro seja mais agradável para os que lhe interessam. Em maior abrangência, esses ideais irão até dividir a opinião do público.

Mais do que um personagem bem construído, o sucesso dele também se deve à Johnny Depp que entrega uma das melhores performances de sua carreira. O ator sabe ser persuasivo, carismático e envolvente. Diferente do “mocinho”, Newlt, interpretado pelo exagerado Eddie Redmayne, que segue com as suas expressões repetitivas e que parecem uma tentativa pífia de criar um laço com o público.

O elo mais forte dentre os protagonistas está em Leta (Zoë Kravitz), que rouba a cena sempre que aparece. A atuação de Kravitz é empoderada e se impõe sempre que precisa, além disso nós temos a oportunidade de conhecer melhor o seu passado e a sua relação com Newt e o irmão.

Entre destaques positivos e negativos no elenco, o grande problema fica no excesso de personagens que não permitem que o filme desenvolva todos com o devido cuidado. Sendo assim, por diversos momentos o longa parece perder o ritmo, sem saber por qual caminho quer seguir. O próprio Dumbledore (Jude Law) fica esquecido na história.

Crítica: Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald

Em termo de efeitos especiais, não é muito diferente de tudo que vimos até hoje na franquia Harry Potter. É simplesmente espetacular, um verdadeiro show visual que acompanhado de uma tela Imax e efeitos 3D, tornam a experiência ainda mais imersiva.

David Yates conduz bem o filme, traz sequências emocionantes e promove um climax com um belo plot twist que fará os fãs pularem da poltrona. A fotografia e a direção de arte seguem igualmente bem inspiradas e com grandes momentos, o que já era de se esperar vindo dessa franquia.

“Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald” sofre um pouco com o excesso de personagens e o roteiro confuso, mas ainda é um grande filme que merece ser assistido e será um prato cheio para os fãs da franquia.