Ai meninas como eu estava animada para esse reboot de “As Panteras”! Primeiro, pela formação composta por Kristen Stewart, Ella Balinska e principalmente, Naomi Scott. Segundo, por ser dirigido por uma mulher, a Elizabeth Banks e em terceiro, pela trilha-sonora, que já começou com o pé na divulgação do clipe com a Ariana Grande, Miley Cyrus e Lana Del Rey, e que clipe!

Na história, “As Panteras” sempre deram segurança e investigaram para clientes privados e agora a Agência Townsend se expandiu internacionalmente, com as mais espertas, corajosas e bem-treinadas mulheres de todo o mundo – guiadas pelos múltiplos Bosleys com as tarefas mais difíceis possíveis. Agora elas terão que ajudar uma jovem engenheira Elena (Scott) a denunciar uma nova e perigosa tecnologia.

Crítica: As Panteras (2019)

Apesar de tudo, o filme se mantém focado em dizer que se trata de uma continuação direta, não apenas dos filmes da década passada, como também das séries de TV dos anos 70. Por que quando tem a oportunidade de se reinventar, preferem se manter na zona de conforto? seria preguiça ou insegurança? Penso que quando você tem a oportunidade de fazer uma releitura de algo que já existe, é bom acrescentar algo novo a história, e aqui não há nenhuma novidade. É claro que é divertido ver as panteras em ação, mas o filme tem três mulheres no papel principal e não aborda nenhum assunto relevante? É claro que também não podemos transformar todo a indústria de entretenimento em discussões sobre questões sociais, mas quando temos uma oportunidade como essa, por que não fazer?

O roteiro de Elizabeth Banks se mantém no que é seguro, além de roteirista, ela assume outras funções, como produtora, atriz e diretora, o que talvez não tenha dado tempo para ela pensar em como levar a franquia para outro patamar. Não há progressão na história, o filme não tem ritmo e tenta se sustentar nos plot twists que já podemos prever no exato momento em que começam a ser desenvolvidos.

Stewart parece estar bem à vontade no papel, a Baliska está determinada a dar o seu melhor e Scott tenta ser engraçada, elas estão sempre bem arrumadas com looks glamorosos e makes delineadas, sendo um veículo de representatividade feminina falha. A mensagem aqui é conduzida da seguinte forma: a mulher seduz o homem pela sua beleza, ele desdenha, a mulher então usa a sua força de “pantera” para resolver a questão. Não há qualquer comprometimento na forma como conduzir a história, faltou maiores reflexões acerca do “girlpower”, uma leve inspiração em personagens femininas atuais ou até mesmo no trabalho de colegas como Patty Jenkins. Nem mesmo as piadas que Banks constrói em seu roteiro se salvam.

Crítica: As Panteras (2019)

Quanto ao elenco masculino, temos John Bosely (Patrick Stewart) sendo prejudicado pelo roteiro, além de Noah Centineo que é um ator querido do momento mas a presença ou não do seu personagem não faria nenhuma diferença, e o Alexander Brok (Sam Clafin) que faz um papel cômico e até que sai dentro do esperado.

O ponto alto do longa é sua a trilha-sonora, mas ainda assim é mal conectada com o filme, deixando as cenas com ar de clipe musical. A fotografia é insonsa e se não houve inovação no roteiro não esperem muitos dos recursos técnicos também, pois é tudo mais do mesmo.

“As Panteras” poderia ser um filme ousado, brincando com as cores, brilho, explorando os recursos tecnológicos atuais e claro, trazendo ótimas representações femininas, mas como eu disse, nada foi feito. Ainda assim, o filme não é de todo ruim, ok? É um entretimento esquecível e que poderia ter se reinventado pelo elenco, pelo roteiro, pela comunicação de uma Banks na direção, porém a produção se rende ao óbvio. Ainda não foi dessa vez que me senti representada como mulher e nem posso dizer que me diverti ao ponto de querer ver novamente. Valeu o tempo gasto por conta da trilha-sonora, a maravilhosa Kristen Stewart e a esperança de ter uma continuação, na qual eles saiam dessa fórmula batida.

Trailer:

REVIEW OVERVIEW
Roteiro
4
Direção
4
Atuações
6
Direção de Arte
5
Direção de Fotografia
5
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Andreza Nunes
Nascida em Recife, jornalista por formação, adoro ensinar e trocar conhecimento. Acredito que o cinema é uma arte enriquecedora que pode promover reflexões, mudanças e propiciar a fuga da realidade.