Nesta semana chega aos cinemas a nova adaptação de “Assassinato no Expresso Oriente”, baseado na obra de Agatha Christie. Pensando nisso, estamos agora lançando uma crítica especial do clássico de 1974, dirigido por Sidney Lumet.

Na trama, após um assassinato misterioso durante uma viagem de trem, todos se tornam suspeitos do crime que passa a ser desvendado pelo peculiar detetive, Hercule Poirot (Albert Finney), descobrindo aos poucos as histórias de cada um dos passageiros e como eles se conectam com o crime.

O maior charme aqui está primeiro no enredo baseado no livro de Agatha Christie, com pequenas peças do quebra-cabeça sendo colocadas em nossa frente sem podermos juntá-las, tarefa que somente o Poirot consegue executar. A estrutura é boa e envolvente, apenas deixando um pouco a desejar em sua abertura, um tanto lenta e cansativa, mas assim que a trama chega ao “Expresso” ganha-se força e muito gás.

Há espaço para drama, suspense e até certos alívios cômicos pontuais na história, o que garante uma boa diversão e entretenimento até para aqueles não muito habituados com tramas de mistério e assassinato.

O elenco é formado por nomes como: Sean Connery, Abert Finney, Vanessa Redgrave, Ingrid Bergman, Lauren Bacall, Anthony Perkins, entre muitos outros.

No geral todos estão bem consistentes e funcionais para as demandas da história, mas o maior brilho vem das cenas de Lauren Bacall que expressa um enorme sentimento dramático através de sua personagem, além do protagonista Abert Finney, com uma interpretação às vezes caricata e às vezes intensa ao encarnar Poirot, com suas peculiaridades, código moral e seu forte espírito bem humorado.

O visual usa muito sépia para dar esse ar de antiquado no desenvolvimento do filme, fora isso temos enquadramentos que privilegiam atuações em planos fechados e vários closes sendo bem utilizados para fins dramáticos.

A direção de arte trabalha com muitos figurinos mostrando as diferentes pessoas do local, além de saber utilizar muito bem da recriação, não só histórica, como também do ambiente do trem, que é o principal cenário e pode-se dizer que é quase como se fosse um dos personagens da trama.

A direção de Sidney Lumet é consistente e equilibra bem o tom da produção, com humor, carisma, drama e suspense, além de extrair grandes momentos de seus atores.

“Assassinato no Expresso Oriente” é um filme digno do diretor e do nome da obra original, com apenas alguns problemas em seu início, mas mostra que a riqueza dessa história complexa e crítica pode ser muito bem aproveitada se a equipe souber como usá-la a favor do entretenimento do público.