B: The Beginning é uma das grandes apostas da Netflix no ramo dos animes. O serviço de streaming ainda prometeu mais de 30 produções originais que devem ser lançadas em 2018.

A história do anime se desenvolve em mundo dotado de grande tecnologia onde todos os personagens tem que correr contra o tempo para desvendar um intrigante caso de uma organização criminosa e os mistérios ao redor do serial killer “Killer B” na nação de Cremona.

Crítica: B: The Beginning

O curioso desse anime é a boa mistura que ele consegue fazer entre thriller policial, ação sci-fi e humor pontual, em um intrincado quebra-cabeça alucinante que faz com que o público tenha que se segurar na cadeira a todo instante conforme são revelados novos elementos cheios de surpresas e descobrimos aos poucos toda a mitologia envolta dos personagens.

A história segue primeiramente em um ritmo policial, acompanhando o grupo RIS que, para resolverem o caso referente ao “Killer B” pedem auxílio ao aposentado e misterioso investigador Keith Flick e conforme a trama se desenvolve, ele aos poucos cria uma certa relação com a divertida e desastrada Lily. As personalidades contrastantes entre ambos é o que garante boa parte da diversão da trama e cria-se um equilíbrio entre o leve e o pesado da história.

Em paralelo temos a jornada melancólica, sombria e fantasiosa de Koku que se conecta ao sinistro Market Maker, uma organização criminosa que aos poucos descobrimos estarem por trás dos vários crimes investigados pelo grupo RIS.

Infelizmente, por ser esse um anime cujo foco são enigmas e o mistério, não se pode falar mais do que isso sem que atrapalhe as grandes reviravoltas que não param de ocorrer em B: The Beginning, afinal são diversas tramas que acabam por convergir no mesmo lugar, um tipo de narrativa que não via sendo bem usada desde Death Note. O final, aliás, é um dos melhores dos últimos anos, sendo tão bom quanto de Seven Deadly Sins e My Hero Academia.

Os traços são ótimos e conta com visuais diferenciados e carismáticos para cada um dos diversos personagens. No entanto, o destaque fica para seus protagonistas Keith Flick, Lily e Koku, além é claro, dos inúmeros vilões que ficam aparecendo durante a trama.

A dublagem está com um bom elenco de vozes, todas com boa entonação e dando grande carisma aos personagens como Keith com Hiroaki Hirata e Lily com Asami Seto, entre vários outros com ótimas performances.

Um dos elementos mais importantes em um anime é a sua abertura e encerramento, apesar da introdução dos episódios ser fraca e nem um pouco criativa, temos uma música triste e pesada de finalização que combina totalmente com o estilo da história e relembra um pouco aquelas bandas de hard rock melódicas do final dos anos 90.

A edição e a movimentação das cenas também foram um grande ponto positivo, aqui vemos muita ação empolgante, seja pelas incríveis lutas colossais, como também por várias perseguições policiais que existem no decorrer da temporada.

A direção do anime é um de seus maiores acertos, Kazuto Nakazawa e Yoshiki Yamakawa souberam incorporar os elementos diferentes do roteiro e os equilibram com maestria, dando o tom adequado a cada um, fazendo assim com que a produções flutue muito bem entre os gêneros e não soe nem um pouco estranho ou desconexo.

Netflix começou metendo o pé na porta com B: The Beginning, desenvolvendo uma série insana, divertida, empolgante e original, rara de se encontrar, demonstrando que seu investimento em animes pode ser uma das melhores ideias da empresa nos últimos anos.

Que venha a próxima temporada.

REVIEW OVERVIEW
Roteiro
9
Direção
10
Dublagem
9
Direção de Fotografia
8
Direção de Arte
8
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Otávio Renault
Nascido em São Joaquim da Barra interior de São Paulo, sou um escritor, cineasta, fotógrafo, desenhista e autor na Cine Mundo, além de um cinéfilo fã de Quentin Tarantino, J.J. Abrams, Neil Gaiman, viciado em séries e leitor de quadrinhos/mangás.