Depois de vários filmes que dividiram a opinião do público, a franquia “Transformers” decidiu se arriscar em um novo caminho, dessa vez sem Michael Bay. Portanto, eis que surge o filme solo do “Bumblebee”, focando na chegada do personagem título na terra e a sua primeira interação com os humanos.

O longa começa apresentando uma guerra no planeta Cybertron, na ocasião, Optimus Prime convoca Bumblebee para ir até a terra e preparar o espaço para futuramente tornar-se um refúgio dos Autobots. Chegando em nosso planeta, ele passa por algumas situações complicadas e termina ao lado de Charlie (Hailee Steinfeld), uma jovem com quem ele desenvolve uma forte amizade.

Crítica: Bumblebee

Diferente de todas as outras produções da franquia Transformers, em “Bumblebee” as grandiosas cenas de ação ficam um pouco de lado, enquanto os conflitos pessoais da protagonista ocupam boa parte da história. É um filme dotado de um tom completamente diferente e que se assemelha muito aos longas de Steven Spielberg, especialmente “ET – O Extraterrestre”, além de filmes adolescentes como os sucessos de John Hughes.

Ambientado nos anos 80, além de toda a excelente direção de arte que contextualiza esse período, a produção ainda conta com uma deliciosa trilha-sonora repleta de músicas clássicas e, mais do que boas canções, todas elas são justificadas na narrativa e fazem parte da jornada desses personagens. Como exemplo disso, há momentos em que Bumblebee usa trechos de músicas para comunicar-se com Charlie.

Hailee Steinfeld esbanja talento e carisma no papel principal. A jovem perdeu o pai com quem tinha uma relação muito próxima e desde então tem tido dificuldades de seguir em frente, enquanto a sua mãe já está em um outro relacionamento e por diversos momentos acaba se distanciando da filha. Como consequência desse cenário, Charlie torna-se uma pessoa solitária dentro e fora de casa, sendo também um alvo fácil de bullying na escola.

Ao encontrar Bumblebee, a vida de Charlie muda completamente e nasce uma forte amizade entre os dois, de forma que gradativamente um vai ajudando o outro a superar suas dificuldades, adquirir autoconfiança e enfrentar seus medos. Esse é talvez o grande ápice dessa história. Junto dessa dupla, o longa ainda introduz Memo (Jorge Lendeborg Jr), um rapaz que é apaixonado por Charlie e acaba sendo parceiro dela durante as suas aventuras em seu fusquinha amarelo.

Crítica: Bumblebee

O antagonismo do filme fica por conta de dois soldados Decepticons que são enviados para destruir Bumblebee e descobrir o esconderijo de Optimus Prime. Ao lado deles, um grupo de cientistas gananciosos e movidos pelos conflitos da Guerra Fria resolvem se unir aos robôs.

A ameaça dos Decepticons não é um dos pontos mais interessantes da história, mas quando o conflito finalmente chega, nós já estamos tão envolvidos com a relação de Charlie e Bumblebee, que é impossível não torcer por eles e se emocionar durante toda a sequência de ação que envolve os minutos finais.

Travis Knight claramente não chega aos pés de Michael Bay com as suas grandiosas cenas de ação, por outro lado ele sabe como desenvolver um filme completo, bem construído, com personagens envolventes e um climax que funciona bem, não por se apoiar em explosões, mas por ser resultado de uma construção narrativa inteligente e com um propósito bem definido.

“Bumblebee” é um filme essencialmente sobre amizade e amadurecimento, uma história simples mas muito bem contada e prazerosa de assistir, ainda mais com a sua belíssima trilha-sonora. É um legítimo filme para toda a família e irá agradar tanto os fãs de Transformers como aqueles que torciam o nariz para essa franquia.


Trailer:

REVIEW OVERVIEW
Roteiro
8
Direção
10
Atuações
8
Direção de Arte
9
Direção de Fotografia
8
SHARE
Guilherme Soares
Criador e editor da Cine Mundo, diretor, roteirista e crítico de cinema. Viciado em séries, com um carinho especial pela eterna Six Feet Under e Buffy The Vampire Slayer.