“The Possession of Hannah Grace” chegou ao Brasil com o título “Cadáver”, praticamente um novo nome, mas que é até mais coerente que o original, já que o exorcismo em si é a menor preocupação do roteiro.

O filme começa com um exorcismo bastante macabro e que termina terrivelmente mal, a jovem Hannah Grace acaba morta e seu corpo é encontrado somente três meses depois. Nesse momento, quem recebe o cadáver, é Megan Reed (Shay Mitchell), uma ex policial que está trabalhando no turno noturno de um necrotério no intuito de passar um tempo sozinha e se recuperar de seus traumas do passado.

Crítica: Cadáver

Megan perdeu seu parceiro durante uma patrulha policial e desde então tem se afundado em diversos vícios, além de apresentar crises de ansiedade e alucinações decorrentes do sentimento de culpa que ela carrega. Essa crise psicológica culminou no fim de seu relacionamento com Andrew (Grey Damon), além de uma série de outros problemas pessoais.

Muito bem interpretada por Shay Mitchell, a protagonista é forte e determinada, estando disposta a enfrentar seus medos para superar esse trauma e recomeçar sua vida. O que ela não esperava era ter que lidar com um demônio com habilidades sensoriais logo em seu segundo dia no novo emprego.

O filme acerta no tom e na forma como ele desenvolve a personagem principal. É realmente interessante acompanhar a história de Megan e não é muito difícil se sensibilizar pelos conflitos que ela enfrenta. Os coadjuvantes são descartados com facilidade e os únicos que conseguem um pouco mais de destaque são Randy (Nick Thune) como uma pessoa bastante empática e o próprio ex marido de Megan, Andrew Kurtz, que mesmo tendo terminado seu relacionamento, ainda encontra-se apaixonado pela ex.

O início do longa é muito eficiente, utilizando o exorcismo para assustar e chocar o público logo nos primeiros minutos, sendo que em seguida eles já nos apresentam a protagonista e o contexto no qual ela está inserida. No segundo ato, o suspense toma conta e a direção de Diederik Van Rooijen entrega bons jump-scares, além de cenas de perseguição que muito se assemelham com filmes slashers, mesmo tratando-se de uma trama sobrenatural. O maior problema fica na reta final, com um desfecho apressado e que deixa aquele gostinho de “quero mais”.

“Cadáver” é carregado de uma atmosfera sombria e assustadora que não só consegue assustar, como também deverá causar alguns pesadelos nos mais sensíveis. O longa ainda conta com uma boa protagonista e entrega um resultado bastante satisfatório. Poderia ter sido realmente emblemático caso tivessem caprichado mais na reta final, porém ainda assim se consagra como um dos bons filmes de terror de 2018.


Trailer: