“Creed II” chegou aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (24), trazendo um drama melancólico pautado nas relações paternas e com lutas de tirar o fôlego.

Alguns anos após os acontecimentos do primeiro filme, Adonis Creed (Michael B. Jordan) alcançou a posição de campeão na categoria peso-pesado, mas terá que lidar com um novo desafio: Viktor Drago (Florian Munteanu), o filho de Ivan Drago (Dolph Lundgren), o lutador “responsável” pela morte de seu de pais, Apollo Creed (Carl Weathers).

De um lado temos Creed carregando as mágoas do passado, do outro Viktor e Ivan Drago, que após ter sido derrotado por Rocky (Sylvester Stallone) acabou tornando-se uma piada em seu país. O clima de tensão é estabelecido desde o primeiro encontro entre eles e o filme não desperdiça nenhum minuto, focando na preparação dos lutadores e na construção da atmosfera emocional que embala esse combate épico.

Crítica: Creed II

O roteiro do filme é esculpido através da figura paterna e coloca todos os personagens masculinos dentro de dilemas sobre a relação entre pai e filho.

Pouco depois de pedir Bianca (Tessa Thompson) em casamento, Adonis descobre que vai ser pai e passa um bom tempo refletindo sobre essa virada em sua vida, além disso, o protagonista segue conectado com o legado de Apollo Creed nos ringues, sempre tentando honrar a história do seu pai e de alguma forma, até vingar a sua morte. Ao seu lado ainda temos Rocky que se afastou do filho e do neto por um longo período e carrega um grande remorso por essa decisão.

Um pouco mais distante, no alto inverno da Rússia, conhecemos o filho de Ivan Drago, Viktor, um rapaz que desde jovem viu o seu país virar as costas para o seu pai após ter perdido a luta contra Rocky. Desde cedo ele carrega consigo a pesada responsabilidade de limpar a imagem de sua família diante dos russos e talvez assim, ganhar um maior reconhecimento por parte de Ivan. A dinâmica entre os dois beira ao relacionamento abusivo e ao mesmo tempo reflete uma perspectiva de outra cultura.

Com personagens tão bem construídos, fica difícil escolher um lado na luta e é isso que torna o combate entre Creed e Viktor tão emocionante. Os dois possuem motivações diferentes, mas são coesos em suas próprias perspectivas. Tudo isso alinhado ao belíssimo trabalho de direção e fotografia, fazem com que o público vibre e se emocione com cada golpe deferido ao longo da luta.

Steven Caple Jr. assume a direção do filme que antes foi comandado por Ryan Coogler (“Pantera Negra”). O novo diretor abdica do clima leva do primeiro longa e impõe uma atmosfera melancólica, cheia de cores frias, ambies pouco iluminados e personagens complexos que lidam com diversos conflitos pessoais. O resultado é digno de Oscar.

Crítica: Creed II

Michael B. Jordan segue surpreendente e entrega uma das melhores atuações de sua carreira, representando um homem jovem que está prestes a construir uma família e ainda precisa se redescobrir enquanto lutador. Creed é forte e carrega amarguras do passado e B Jordan sabe como dar vida ao personagem de forma que mesmo em seus momentos mais frágeis nada destoa de sua personalidade. É dolorido e ao mesmo tempo empolgante acompanhar a trajetória do personagem até estar pronto para o combate final.

Tessa Thompson segue esbanjando seu talento e brilhando em todas as cenas, tanto ao lado de Creed como junto de Rocky. A relação do trio é muito bonita de acompanhar e nos faz torcer por cada um deles. De um lado mais frio – literalmente – temos um excelente Dolph Lundgren representando um pai autoritário e ranzinza que projeta todas as suas frustrações em seu filho, Viktor, interpretado pelo estreante Florian Munteanu.

“Creed II” é um drama melancólico que perpassa por diferentes aspectos da relação entre pai e filho, tudo acompanhado de um roteiro delicado e sutil que sabe aproveitar cada minuto do filme e nos entrega uma verdadeira obra de arte, tão bem executada como o primeiro Rocky que marcou os anos 70.


Trailer:

REVIEW OVERVIEW
Roteiro
10
Direção
10
Atuações
10
Direção de Arte
10
Direção de Fotografia
10
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Guilherme Soares
Criador e editor da Cine Mundo, diretor, roteirista e crítico de cinema. Viciado em séries, com um carinho especial pela eterna Six Feet Under e Buffy The Vampire Slayer.