Lançado em 2016, o primeiro Deadpool arrecadou diversos elogios por ser uma produção totalmente sem filtros, destinada à um público adulto e pronta para se arriscar com muito gore e piadas sem pudores. Já Deadpool 2 leva toda essa ousadia à outro nível, com uma direção aprimorada e um roteiro muito bem pensado.

Na história, acompanhamos um Wade/Deadpool que passou os seus últimos anos combatendo o crime ao redor do mundo, mas agora, em seu aniversário de namoro com Vanessa, ele decide dar mais um passo no relacionamento. No entanto, um acontecimento inesperado – e chocante – leva o anti-herói para um novo rumo, tendo que salvar um mutante órfão que está sendo perseguido por um misterioso soldado que veio do futuro apenas para matá-lo.

Crítica: Deadpool 2
Josh Brolin como Cable

No roteiro, Rhett Reese e Paul Wernick, dão um verdadeiro show de humor, ação e até mesmo, drama. A graça aqui é que não sabemos o que esperar em termos de história e quando finalmente pensamos que estamos a par do conflito, ele ganha uma cara nova e nos surpreende. É uma sucessão de reviravoltas recheadas de humor e uma trilha sonora que jamais combina com as cenas, mas sempre gera um contraste cômico proposital. E claro, as piadas são o grande forte, e aqui elas estão com um timing ainda mais pontual,  contando com diversas alfinetadas à todo o universo de super-heróis, incluindo até mesmo a DC. Ademais, os novos personagens inseridos aqui são excelentes e trabalham muito bem juntos.

Ryan Reynolds segue incrível como Deadpool e a sua química com Vanessa (Morena Baccarin), assim como com todo o restante do elenco, permanece sendo um dos grandes charmes do filme. Porém, quem acaba roubando a cena é Domino, personagem que reina em todas as sequências nas quais aparece, graças ao carisma de sua intérprete, Zazie Beetz. Outra figura de presença notória é Josh Brolin como Cable, da mesma forma que o ator fez em “Vingadores: Guerra Infinita” como Thanos, aqui ele brilha e conquista o público logo nos minutos iniciais, sendo difícil torcer contra.

David Leitch já provou ser extremamente habilidoso com cenas de ação em “Atômica” (2017) e “John Wick” (2014), e agora em Deadpool 2 ele eleva tudo que foi feito por Tim Miller no primeiro filme. O diretor sabe exatamente como equilibrar vários gêneros sem deixar que a essência do personagem se perca no caminho. É um trajeto árduo, mas que alcançou um resultado satisfatório.

Crítica: Deadpool 2
Zazie Beetz como Dominó

A maquiagem do filme é bastante presente na hora de caracterizar os personagens e o trabalho executado é impecável. No entanto, os efeitos especiais em muitos momentos beiram ao trash, o que é muito engraçado e acaba casando bem com o ritmo insano e hilário da produção, mas ainda assim, é possível que decepcione aqueles fãs mais exigentes e menos engajados no humor.

Deadpool 2 eleva tudo o que foi feito no filme anterior para um patamar muito superior, evoluindo em toda a sua composição. Ainda assim, o filme segue sem ter uma história muito interessante e que o marque na cabeça das pessoas, por outro lado, a experiência engraçadíssima e o balde de referências tornam o longa indispensável para quem clama por um bom passatempo.


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