Hey, leitores! Que gratas surpresas os espanhóis nos concederam e é óbvio que vocês sabem do que eu estou falando da série mais comentada do momento. E qual é? Qual é? Obviamente, que é “Elite”.

A série é ambientada na escola Las Encinas, considerada a melhor e mais exclusiva da Espanha, onde somente os filhos da elite estudam. É também para onde três alunos menos favorecidos são enviados depois de um problema na escola pública que frequentavam antes. Eles acham que estão com sorte, mas talvez não seja bem assim. O choque entre  queles que têm tudo e aqueles que não têm nada a perder cria um turbilhão que culmina em um assassinato. Quem está por trás do crime? Um recém-chegado de um mundo diferente? Ou existe algo escondido sob a superfície?

Crítica: Elite - 1ª Temporada (Netflix)

A atriz María Pedraza que em 2017, trabalhou em “Amar”e “La Casa de Papel”, surge em “Elite” como Marina e digamos que ela liga todos os personagens da trama. A sua personagem é soropositiva, intensa e imediatista. Dificilmente, se fala tão abertamente  sobre alguém que é portador de AIDS principalmente quem tem um alto poder aquisitivo por muitos acharem que essa pessoa é imune, o que é tolice de pensar, pois a doença pode ser adquirida por qualquer um, basta um descuido independente de sua classe social, cor, orientação sexual, e é muito importante trazer esse assunto numa série que deve ter sido assistida por muitos jovens, o que aumenta a sua relevância.

Todos os personagens têm importância na história, e vamos lá falar sobre cada um deles! A chegada de três bolsistas Nadia Shana (Mina El Hammani), Samuel García (Itzan Escamilla) e Christian Varela (Miguel Herrán) abala as estruturas dos estudantes da escola Las Encinas e porque será que três estudantes podem abalar tanto a rotina de uma escola? Pois cada um carrega consigo um traço do qual aquele grupo não compartilha ou melhor, não compartilhava até os novatos chegarem. Nadia traz consigo a sua religião no modo de se vestir, se portar e de viver, uma religião da qual eles não estão acostumados a conviver, respeitar e muito menos entender, algo que a própria Nadia está tentando entender dentro de si mesma ficando dúbia sobre as convicções de sua família e sua vontade de viver. Samuel, o seu melhor amigo, precisa trabalhar para manter sua família, realidade completamente desconhecida pelos seus novos colegas de classe e que o discriminam por sua situação financeira e assim como Nadia, ele também trabalha para ajudar a sua família. Já Christian não se conforma com a sua classe social e acredita que se aproximando daquelas pessoas pode se tornar alguém famoso ou até mesmo relevante para sociedade, ele acredita que não veio nesse mundo a passeio.

Do outro lado da história temos os milionários, começando por Guzmán Nunier (Miguel Bernardeau), o irmão de Marina, mas que sem dúvida é o melhor desenvolvido de toda a história, você vai começar odiando e vai terminar amando o Guzmán, ou não? Ele namora a Lucrecia (Danna Paola) que é a típica vilã de novela mexicana, aquela pessoa que não está satisfeita com o que tem e não tem escrúpulos para chegar onde quer chegar e a sua maior motivação é se tornar a melhor. Carla (Ester Expósito) é alguém que tem a vida planejada por inteiro, filha de marquesa, com um poder aquisitivo alto ela só busca viver experiências diferentes ao lado de seu parceiro Pólo (Álvaro Rico), filho de duas poderosas executivas da moda. Temos ainda, Ander (Arón Piper) um garoto classe média que é filho da diretora do colégio, mas desfruta dos mesmos benefícios dos seus amigos ricaços descritos acima, mas o fato de não querer ceder às pressões da família para ser um jogador de tênis e sua sexualidade estremece a relação com seus amigos e familiares.

Crítica: Elite - 1ª Temporada (Netflix)

Há ainda dois personagens fora do contexto escolar que é Nano (Jaime Lorente), irmão de Samuel, que por razões financeiras sempre acaba optando por escolhas erradas e levando uma rasteira da vida. E o irmão de Nadia, Omar (Omar Ayuso), que vende drogas em busca de juntar dinheiro para ter uma vida melhor devido à relação difícil com os seus pais e a religião que bate de frente com a sua sexualidade reprimida.

A série dirigida por Ramón Salazar e Dani de la Orden e com o roteiro assinado por Carlos Montero e Darío Madrona apresenta um conflito de classes sociais gritante, mostrando também como a opressão religiosa pode influenciar na vida dos adolescentes, e a descoberta da sexualidade.

A classificação indicativa da série é de 18 anos e aqui não é tido nenhum pudor, tem cenas de sexo deliciosas entre os personagens, umas mais relevantes outras nem tanto, a comunicação entre os protagonistas é atualizada junto com as plataformas digitais e isso é um detalhe que faz toda a diferença aqui, pois a sua linguagem dialoga tanto com as massas como com os mais cults, e isso que fez a série cair na graça do público.

A direção de fotografia mescla muito bem dois tons de cores que auxiliam na narrativa, sempre usando um visual de verde claro e um sépia avermelhado para os momentos do passado, enquanto no presente usam um tom de azul que cria todo o aspecto de suspense policial, tudo isso dá uma característica visual própria para a produção.

A direção de arte foi bem pensada, através dos diversos cenários e figurinos inteligentes somos capazes de mergulhar na realidade dos protagonistas, além de demonstrar as diferenças sociais entre cada um deles.

Com oito episódios a série te envolve com esse retrato atualizado da juventude e seus contrastes sociais e, diferente de “13 Porquês”, que não tinha potencial para segunda temporada, “Elite” deixa vários ganchos para a gente esperar pela nova temporada. Aqui nós somos envolvidos pela trilha-sonora, pelo elenco, pela história e quando acaba ficamos com aquele gostinho de “quero mais”.

Trailer:

REVIEW OVERVIEW
Roteiro
8
Direção
8
Atuações
8
Direção de Arte
7
Direção de Fotografia
7
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Andreza Nunes
Nascida em Recife, jornalista por formação, adoro ensinar e trocar conhecimento. Acredito que o cinema é uma arte enriquecedora que pode promover reflexões, mudanças e propiciar a fuga da realidade.