Crítica: Extinção – Netflix

Bom elenco não consegue salvar "Extinção" de ser um completo desastre.

A Netflix continua a lançar seus filmes originais de ficção científica, contudo, até agora o streaming parece não ter acertado bem no comando desses longas que quase sempre acabam sendo fracos ou razoáveis, e o novo filme da empresa, “Extinção”, prometia trazer mais credibilidade para esse gênero no catálogo da Netflix, entretanto o resultado acabou saindo bem abaixo do esperado.

Na trama, após ter sonhos recorrentes com a perda da família, um pai (Michael Peña) vê seu pesadelo virar realidade quando o planeta é invadido por uma força destruidora. Agora, lutando pela sobrevivência, ele descobre que tem uma força até então desconhecida para mantê-los longe do perigo.

O roteiro feito por Spenser Cohen, Eric Heisserer e Brad Kane começa apresentando um mundo ligeiramente futurista e traz um tom muito focado no drama e uma certa tensão psicológica do protagonista e seus sonhos constantes, ao mesmo tempo em que a trama parece desenvolver um arco familiar dele com a esposa.

No entanto, o filme subitamente muda para uma perseguição intensa de invasores que aos poucos revelam a natureza dos sonhos da história, apesar do material interessante da obra que envolve alguns elementos clássicos da ficção científica, o longa se atrapalha nos acontecimentos com cenas absurdas ocorrendo uma após a outra que levam a uma explicação bizarra e que parece ignorar vários furos da trama.

Crítica: Extinção

Contendo nomes como Lizzy Caplan, Michael Peña, Mike Colter, Emma Both, Israel Broussard, entre outros, o elenco acaba sendo um destaque e conseguem segurar bem o enredo estranho

O grande destaque fica – é claro – para Michael Peña como o pai chamado Peter, que precisa lidar com os seus pesadelos frequentes e as consequências deles para a estabilidade de sua família levando a um forte clima de tensão junto de sua esposa, Alice interpretada por Lizzy Caplan, que traz uma mulher que está lutando para criar os filhos e levar um vida normal, mesmo tendo que confrontar diariamente os pesadelos de seu marido.

A direção de fotografia é bem comum dentro do gênero sci-fi, sem nada que traga maior destaque, usando tons de cores como azul e cinza com uma iluminação fraca que já foram vistos em diversas outras produções de temática semelhante. Quanto aos ângulos e enquadramentos eles souberam acertar no uso de closes e alguns planos que realçam detalhes e captam a tensão do longa, entretanto há muitas cenas de ação que não funcionaram devido serem estranhas e não terem uma boa noção de ritmo, atrapalhando um pouco o desenvolvimento da trama.

A direção de arte da produção aposta em um estilo minimalista para criar o visual de “futuro próximo”, porém poderiam ter ousado mais na construção dos cenários para que o público pudesse mergulhar no universo sci-fi da obra. O mesmo pode se dizer dos figurinos dos personagens que em nada complementam a história.

A direção de Ben Young é um pouco confusa e não parece saber focar bem nos vários elementos da trama, desde os arcos familiares até as resolução científicas da produção, além disso o seu controle das cenas de ação soam bastante artificiais e contam com uma falta de ritmo constante que prejudica o longa.

Apesar de ter um grande potencial de ideias sci-fi e contar com um excelente elenco de protagonistas, “Extinção” não consegue entregar um bom resultado, caindo em vários erros e furos conforme a história se desenrola, nos deixando com um gosto amargo na boca após o seu término.

REVIEW OVERVIEW
Roteiro
5
Direção
3
Atuações
9
Direção de Arte
5
Direção de Fotografia
5
SHARE
Otávio Renault
Nascido em São Joaquim da Barra interior de São Paulo, sou um escritor, cineasta, fotógrafo, desenhista e autor na Cine Mundo, além de um cinéfilo fã de Quentin Tarantino, J.J. Abrams, Neil Gaiman, viciado em séries e leitor de quadrinhos/mangás.