Durante a década de 1960, a Ford resolve entrar no ramo das corridas automobilísticas de forma que a empresa ganha o prestígio e o glamour da concorrente Ferrari, campeã no seguimento. Para tanto, contrata o ex-piloto Carroll Shelby (Matt Damon) para chefiar a empreitada. Por mais que tenha carta branca para montar sua equipe, incluindo o piloto e engenheiro Ken Miles (Christian Bale), Shelby enfrenta problemas com a diretoria da Ford, especialmente pela mentalidade mais voltada para os negócios e a imagem da empresa do que propriamente em relação ao aspecto esportivo.

Crítica: Ford Vs Ferrari

O longa pode despertar interesse imediato aos que gostam de uma história real ou apreciadores do automobilismo, mas aos que não são tão familiarizados podem não ter o mesmo impulso. Vocês se lembram do filme “Rush – No Limite da Emoção” (2013)? Ele retratou a rivalidade entre os pilotos Niki Lauda (Daniel Brühl) e James Hunt (Chris Hemsworth) que acabou surpreendendo os críticos e o público, garanto que em “Ford Vs Ferrari” não será diferente, além de conhecer um pouco mais sobre Shelby e Miles, a produção ainda nos apresenta alguns adicionais.

A narrativa se passa precisamente em 1966, o ano em que a Ford estabeleceu como meta encerrar o domínio da Ferrari na 24 Horas de Le Mans, a mais antiga e tradicional competição do automobilismo. Acredito que a maioria das pessoas gostam de uma boa história de bastidores, não é mesmo? Bom, o filme aborda esses bastidores, ou seja, por trás da emoção das corridas e como são orquestrados os acontecimentos. Trata também sobre a luta contra o corporativismo existente dentro do esporte e a competitividade entre marcas e pessoas, é impressionante como funcionam as competições entre as grandes marcas, em prol do primeiro lugar.

Conhecemos também a história de Shelby, interpretação por Matt Damon que constrói muito bem o seu personagem, em seguida também somos apresentados a Miles, vivido por Christian Bale que entrega uma atuação primorosa, desenvolvendo minunciosamente as expressões faciais, a voz, o andar, o jeito e ainda conseguindo dar a sua própria leitura. Temos aqui mais um trabalho de Bale beirando a excelência e que fará valer o seu ingresso.

Crítica: Ford Vs Ferrari

Além do roteiro e atuações, outro recurso de destaque é o som, que é muito bem utilizado. Tive a oportunidade de ter essa experiência em IMAX e o filme tem o cuidado de nos imergir dentro de cada corrida, você compartilha tanto da vontade de torcer, quanto da sensação de estar dentro do carro. A direção de Mangold é eficaz e versátil, proporcionando ação e emoção com takes longos, de ângulos diversos gerindo por uma bela fotografia e uma arte cautelosa.

“Ford Vs Ferrari” é calcado de um bom roteiro, uma edição fluída a ponto de você passar duas horas e meia e não se sentir entediado em nenhum momento, convido a todos para pegar a pipoca e viver essa emoção.

Trailer:

REVIEW OVERVIEW
Roteiro
9
Direção
8
Atuações
9
Direção de Arte
8
Direção de Fotografia
9
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Andreza Nunes
Nascida em Recife, jornalista por formação, adoro ensinar e trocar conhecimento. Acredito que o cinema é uma arte enriquecedora que pode promover reflexões, mudanças e propiciar a fuga da realidade.