Nesse segundo ano de “Frontier” tivemos não só mudanças no tom da série, como também no foco dado aos personagens, ampliando assim seu universo, desenvolvendo diferentes protagonistas e levando a história para caminhos inusitados e recheados de reviravoltas, tornando-a ainda mais empolgante.

A primeira temporada falava sobre Declan Harp (Jason Momoa) em seu caminho de vingança ao fazer alianças para matar Lorde Benton (Alun Armstrong) junto de Michael Smyth (Landon Liboiron), que após um incidente acaba perdido no Novo Mundo ao lado de Declan e com sua namorada Clenna Dolan (Lyla Porter-Follows) presa por Lorde Benton.

Agora, Michael Smyth abraçou a causa de Harp e luta para que sua Companhia sobreviva aos eventos do final da última temporada, paralelo a isso Declan tenta se manter vivo e Capitão Chesterfield, junto de Grace Emberly, arquiteta um motim contra Lorde Benton visando os interesses do Exército Britânico e do povo local. Dessa forma, a vingança deu espaço às politicagens e alianças formadas para eminentes combates e para a caçada contra Declan Harp.

Tivemos menos de Harp, no entanto personagens como Chesterfield e Samuel Grant cresceram exponencialmente, fora a inclusão de mulheres assumindo os papéis de maior destaque na série, como Grace e Elizabeth Carruthers, demonstrando em cada cena um ar de forte imponência e muita inteligência, sendo esse um dos maiores acertos da temporada.

Através dessa temporada tivemos a oportunidade de ver um lado mais detalhado da realidade dos comerciantes de pele, suas várias negociações e ainda exploraram mais da cultura indígena da região, elementos que antes eram um tanto vagos ou inexistentes.

A trama continua a ser bem concisa e dinâmica em seus seis episódios, algo que se sobressai diante de outras séries históricas que tendem a ficarem um tanto arrastadas com o tempo. “Frontier” tem um bom desenvolvimento e com a adição de novos personagens, a temporada conseguiu alçar vôo para grandes reviravoltas que expandem cada vez mais seu pequeno mundo para uma escala bem maior do que havíamos visto.

Algo que também evoluiu foram as sequências da ação, com coreografias melhores e muita brutalidade, ela é bem pontual em momentos específicos, mas não deixa a desejar e ainda consegue quebrar um pouco do ritmo político de forma excepcional. Um claro avanço comparado com a temporada anterior.

O único defeito da série é que em meio aos vários arcos narrativos, alguns personagens acabam não sendo totalmente desenvolvidos e são ofuscados por determinados núcleos, isso tira uma pouco da força da produção, que precisa condensar sua história em seis episódios e por vezes ela se atropela em certos momentos.

Mais uma vez no elenco temos o carismático Jason Momoa tornando-se Declan Harp, um anti-herói icônico, profundo e divertido, além da evolução de Chestersfield, interpretado brilhantemente por Evan Jonigkeit, seus medos e o complexo de inferioridade que possuía até então dão lugar à um antagonista frio, arrogante e extremamente ganancioso. Temos ainda boas performances de Shawn Doyle que vive Samuel Grant e de Douglas Brown, vivido por Michael Patric, mas ambos são ofuscados pela Elizabeth Carruthers de Katie McGrath, que está deslumbrante nessa personagem imponente, fria e manipuladora, que rouba as cenas do núcleo em Montreal, devido suas articulações políticas e a forte presença que traz em cada diálogo.

Continuando no elenco feminino, Zoe Boyle é outra que dá um show de atuação como Grace, ela era uma das personagens mais interessantes do primeiro ano e agora passa a ganhar foco em diversos episódios, como uma mulher forte e à frente de seu tempo que não se deixa ser intimidada, muito disso percebemos pela química repleta de tensão com Chestersfield, ou nos calorosos encontros com Declan Harp. Para completar temos Diana Bentley interpretando muito bem Imogen, antes espiã dos inimigos, ela facilmente troca de lado quando surge uma mudança no poder, sempre visando seus interesses e sua sobrevivência.

Outros personagens como Lorde Benton (Alun Armstrong), Mary (Breanne Hill), Sokanon (Jessica Matten) e Michael Smyth (Landon Liboiron), são bem interpretados, porém são colocados de lado devido aos excessos de núcleos, mas com certeza devem retornar com mais força no próximo ano.

A fotografia da série está melhor, com enquadramentos que aproveitam a bela paisagem e nos fazem mergulhar nesse mundo vasto da produção. Há também um uso melhor de cores e ângulos para ação, com sequências empolgantes, intensas e divertidas, fora o bom equilíbrio de marrom, verde, branco e o vermelho do sangue derramado ao longo dos episódios.

Em relação a direção de arte tivemos poucas mudanças, tudo se mantém historicamente fiel nos mínimos detalhes, tanto à cultura como também à época, mercenários, nativos, ingleses e muitos outros personagens de classes diferentes aparecem em tela e, é possível distinguir cada um deles pelo belo figurino, assim como pelos cenários, cada qual obedecendo à sua realidade.

A direção ganha mais adrenalina, comandando grandes atuações e coordenando muito bem o drama e a ação e até mesmo um certo tom de aventura em diversas situações, fazendo dessa temporada extremamente viciante e um prato cheio para os maratonistas de séries da Netflix.

Com mais núcleos e personagens, o novo ano da série de Jason Momoa alcança todo o seu potencial, com muitas reviravoltas, politicagens, drama e a dose certa de ação para que o público não se canse de tantas informações passadas ao longo dos episódios. “Frontier” pode não ser tão popular nas redes sociais como “Game of Thrones” e “Vikings”, mas merece tanto reconhecimento e sucesso quanto elas, ou talvez até mais.