Crítica: Halloween 4 – O Retorno de Michael Myers (1988)

“Halloween 4 - O Retorno de Michael Myers” resgata a essência da franquia e entrega um “slasher” divertido e empolgante na medida certa.

Após “Halloween III – A Noite das Bruxas”, o estúdio resolveu retomar a trama original da franquia ao redor de Michael Myers em “Halloween 4 – O Retorno de Michael Myers”, trazendo uma obra de suspense e terror que busca honrar as raízes da marca Halloween, reapresentando ao público em uma nova versão que revitaliza a série de filmes, ao mesmo tempo em que traça um novo caminho com novos personagens.

A trama do quarto capítulo se passa 10 anos após o incidente em Haddonfield, em 31 de outubro de 1978, nós encontramos Michael Myers em um aparente estado catatônico, contudo ao ouvir sobre a existência de uma sobrinha ele sai em busca da garota para matá-la. Enquanto isso, em Haddonfield, a sobrinha de Myers, Jamie Lloyd (Danielle Harris), está tendo pesadelos com seu perverso tio, Dr. Loomis (Donald Pleasence) ao saber da fuga do assassino, sai em busca dele para evitar que ele provoque outra matança no Dia das Bruxas.

Crítica: Halloween 4 - O Retorno de Michael Myers

O roteiro de Alan B. McElroy trata de resolver algumas dúvidas e questões de forma expositiva para que o filme possa ir direto ao ponto, trazendo uma grande caçada onde acompanhamos a jornada de Loomis seguir em paralelo à perseguição de Myers em busca da sobrinha, nesse ponto o roteiro é bem funcional e traz o necessário para uma obra de terror e suspense equilibrando mistério, perseguição policial e cenas de horror na medida certa, enquanto ainda expande seu próprio universo ao desenvolver em Jamie Lloyd, uma potencial personagem que levaria a franquia pelos próximos anos, além de dar maior protagonismo para Sam Loomis, o colocando como um sobrevivente dos eventos dos filmes passados e o único capaz de tentar impedir Michael Myers.

O Dr. Loomis de Donald Pleasence foi ganhando cada vez mais destaque em cada filme que apareceu e aqui ele assume o grande protagonismo, com forte presença, demonstrando um homem apavorado com os terrores de Myers, mas que também segue de forma intrépida para impedir os incidentes provocados pelo assassino. Já jovem Danielle Harris faz o papel da potencial vítima do assassino, Jamie Lloyd, que vive sendo atormentada por estranhos pesadelos com a figura assombrosa do tio e vive momentos intensos de suspense e insanidade conforme a paranoia da presença do vilão vai ficando cada vez mais presente.

A direção de fotografia está de acordo com o que se espera do longa, fazendo algumas referências visuais ao primeiro filme com cenas subjetivas e ainda colocando ritmo e movimentação adequada entre o mistério e os sustos recheado de cenas de terror, quanto às cores temos o bom uso de tons de azul e sépia auxiliados por iluminação fria e neutra em certas situações alternando com cenas cobertas de sombras em determinada ocasiões, fornecendo grande complemento para a narrativa da história.

A direção de arte é aceitável e bem padronizada com figurinos que representam os personagens de maneira um tanto sistemática e com o retorno do visual consagrado de Loomis e Myers da mesma maneira em que estavam nos dois primeiros filmes, quanto aos cenários há um uso melhor deles para a jornada dos personagens, pois aqui passam por vários locais diferentes que viabilizam toda a adrenalina da trama, envolvendo perseguições e fugas pela cidade.

A direção de Dwight H. Little é bem competente em direcionar a trama e os personagens em meio ao clima que alterna entre o suspense angustiante e o terror “slasher” tradicional dos anos 80, além de extrair boas atuações tanto de Donald Pleasence como de Danielle Harris.

“Halloween 4 – O Retorno de Michael Myers” não chega a causar um impacto tão forte quanto o primeiro filme, mas consegue fazer o público se esquecer de “Halloween III – A Noite das Bruxas” e retomar o rumo certo dos filmes de Michael Myers, com os personagens conhecidos dos fãs e trazendo uma boa mistura entre perseguição policial, slasher e suspense.