Crítica: Halloween – Ressurreição

Em “Halloween – Ressurreição”, como o próprio nome sugere, traz o retorno de Michael Myers (Brad Loree) que vai até o hospital psiquiátrico em que a sua irmã Laurie Strode (Jamie Lee Curtis) está internada para tentar matá-la. Essa introdução rende uma espécie de curta-metragem que dura em torno de 15 minutos, dando início ao sétimo filme da série, ou oitavo se consideramos o “Halloween III – A Noite das Bruxas”.

O enredo, no entanto, acompanha um grupo de estudantes universitários que são selecionados por uma empresa para passarem uma noite na casa em que Michael Myers passou a sua infância, com transmissão ao vivo pela internet. Porém, ao chegar no local eles começam a perceber que terão que enfrentar uma verdadeira batalha para saírem vivos de lá, já que o assassino está de volta e disposto a acabar com os intrusos.

Crítica: Halloween - Ressurreição

A história tem duas coisas interessante, uma delas se deve ao fato de que o filme se passa no começo do século XX, especificamente em 2002, período no qual a internet estava dando os seus primeiros passos, portanto o roteiro explora isso através de dois personagens, Sara (Bianca Kajlich) e Charley (Brad Sihvon), que se conheceram virtualmente e trocam mensagens através do celular. Outro detalhe está no formato de Realitys Show, no qual os personagens conduzidos por Fred (Busta Rhymes) são levando até a casa de Myers para passarem a noite de Halloween no local, sendo filmados, cada um recebe uma câmera para irem mostrando aos expectadores um pouco da casa em que Michael viveu, porém eles não contavam com a presença real do vilão e nem os expectadores – que passam boa parte do tempo achando que tudo é encenação.

Dentre os maiores problemas dessa sequência, estão algumas piadinhas machistas dos personagens de Jim (Luke Kirby) e Bill (Thomas Ian Nicholas) e a persistente ausência de explicações que a gente gostaria de ter, tornando o filme completamente desnecessário, mesmo sendo divertido.

A direção de arte mantem o visual icônico do vilão e traz cenários assustadores, que nos fazem mergulhar dentro da produção e vivenciar um pouco do horror que os protagonistas presenciam conforme correm e se escondem para sobreviver.

Já a fotografia trabalha com dois visuais distintos, alternado entre uma boa iluminação e um tom avermelhado vibrante para os ambientes da universidade e o uso de sombras, pouca luz e tons de azul em locais nos quais prevalece o terror, como na casa de Michael. Além disso o longa busca experimentar diversas possibilidades com as pequenas câmeras que os personagens carregam e ajudam a criar um aspecto real e subjetivo, trazendo o verdeiro visual de Reality Show.

Ainda sem acrescentar muito a franquia, “Halloween – Ressurreição” faz um bom uso do contexto moderno no qual está inserido, obviamente não tem um John Carpenter na direção, mas a essência do Michael consegue ser mantida, as mortes são garantidas e o filme merece seu crédito.