Com um belíssimo trailer e um elenco invejável, “Hotel Artemis” chega aos cinemas com um hype muito bem estabelecido, mas que não consegue entregar nem metade do que promete.

A trama, basicamente, acompanha um futuro no qual o crime e o caos tomaram conta das ruas. Nesse ambiente hostil existe o “Hotel Artemis”, local no qual criminosos devidamente credenciados podem se refugiar e obterem cuidados médicos em momentos graves.

Crítica: Hotel Artemis

O problema começa por conta da ausência de um plot na trama. Não há nenhum acontecimento, motivação ou antecedente para mover a história. O filme começa e termina nos deixando com a sensação de que estamos assistindo ao episódio final de uma série sem termos assistido aos capítulos anteriores.

O longa também parece esquecer de desenvolver seus personagens, e eles são muitos. Sabemos brevemente o que cada um foi fazer no Hotel, mas pouco é dito sobre suas origens e o que realmente buscam.

Em meio ao caos, o protagonista termina sendo o próprio Hotel como sugere o título. Nesse cenário temos personagens bastante peculiares e que cativam o público por conta de seus excelentes intérpretes. Mesmo sem uma premissa, a nossa atenção é fisgada com facilidade e queremos acompanhar toda a confusão que rodeia o estabelecimento.

Jean (Jodie Foster) é um dos grandes destaques. Ela vive a diretora do Hotel e está sempre lidando com um conflito pessoal e a sua relação com o mundo exterior que ela tanto teme. Essa é, de longe, a personagem mais bem desenvolvida, ou a única que recebe atenção.

Dave Bautista vive Everest, o braço direito de Jean e por incrível que pareça o ator consegue entregar um resultado bastante honesto e diferente do que ele tem feito até então. Já a belíssima Sofia Boutella protagoniza uma cena de ação sensacional que é um dos melhores momentos do filme. A sua personagem consegue ser forte e imponente, sem perder o glamour e a feminilidade.

Grandes nomes como Sterling K. Brown, Jeff Goldblum e Zachary Quinto também fazem check-in no hotel, mas seus personagens são apagados pelo roteiro problemático.

Crítica: Hotel Artemis

No âmbito da direção de fotografia e arte temos um verdadeiro espetáculo visual, desde o cenário do Hotel que é sofisticado e também decadente até a forma como o filme insere os elementos futuristas, que são discretos, mas conseguem manter o público consciente sobre os avanços tecnológicos desse período.

O diretor Drew Pearce conduz bem a história e junto do seu elenco, conseguem contornar todos os problemas do roteiro, entregando cenas de ação empolgantes e viscerais que chegam à nos lembrar dos filmes de David Leitch, especialmente “Atômica” e “John Wick”.

Por fim, podemos dizer que “Hotel Artemis” é um caso raro, no qual mesmo com um roteiro perdido e cheio de lacunas, o filme consegue entreter e entregar momentos bastante inteligentes, muito disso devido ao trabalho do elenco e do diretor.


Trailer: