Após uma primeira temporada excelente que colocou a heroína Jessica Jones (Krysten Ritter) como uma das favoritas entre os Defensores, a série retornou com a difícil missão de entregar um segundo ano de alto nível, mesmo sem o icônico vilão Killgrave (David Tennant).

Na história, Jessica tenta reconstruir sua vida após o terror que sofreu nas mãos de Killgrave. No meio desse recomeço, ela decide buscar por suas origens em uma tentativa de descobrir os responsáveis pelos seus poderes e impedir que continuem realizando experimentos em outras pessoas.

Crítica: Jessica Jones
Marvel’s Jessica Jones

Apostando no visual dramático e melancólico que já havia sido apresentado anteriormente, a segunda temporada de Jessica Jones abandona qualquer padrão adotado em histórias de heróis e assume uma roupagem ainda mais séria e complexa. O drama acerca das relações humanas segue em destaque e agora torna-se o grande vilão, um antagonista tão real e tão forte que consegue manipular sem poderes e faz sofrer sem a necessidade de um contato físico.

Personagens como Malcolm (Eka Darville), Hogarth (Carrie-Anne Moss) e Trish (Rachael Taylor), assim como a nossa protagonista, enfrentam questões pessoais e iniciam uma jornada de alto conhecimento, buscando um novo proposito para seguirem com suas vidas.

Com um roteiro vagaroso e algumas conveniências narrativas, a série não deve agradar a todos. Começando pelo simples fato de que a nova temporada conta com pouquíssimas cenas de ação ou perseguição, algo incomum em séries do gênero, até mesmo se comparada com a temporada anterior. Portanto prepare-se para episódios de ritmo lento e um grande foco nas frustrações da protagonista.

O elenco segue sendo muito bom e entregando performances convincentes, porém Carrie-Anne Moss e a própria Krysten Ritter, são os grandes destaques da nova temporada. No caso de Anne Moss, a sua personagem ganhou um pouco mais de espaço e enfrenta um conflito extremamente comovente. Acompanhar a sua trajetória que vai de uma advogada durona até uma mulher sensível e solitária, é fascinante. Já a nossa querida Krysten tem se destacado desde o início da série, mas aqui ela enfrenta momentos muito mais desafiadores e que apenas comprovam o seu talento.

A fotografia e a direção de arte seguem unidas entregando um resultado lindíssimo e até poético em algumas cenas. A estética noir torna-se ainda mais recorrente e os tons de roxo e azul compõem a grande maioria dos cenários, seja pela disposição dos objetos ou pela iluminação ambiente.

Crítica: Jessica Jones
Marvel’s Jessica Jones

Já a direção, ao longo dos 13 episódios, é muito oscilante. Ao mesmo tempo em que temos ótimas cenas, também presenciamos momentos mais descuidados que rebaixam o nível da série. É difícil não sentir um certo incomodo em algumas sequências de perseguição, que muitas vezes usam cortes rápidos na edição no intuito de suavizar o amadorismo por trás da direção.

Jessica Jones retorna com novos episódios que conseguem levar a história para um novo caminho, aprofundando os personagens e lidando com questões sérias e pertinentes na vida de muitas pessoas, independentemente do universo fantasioso dos heróis da Marvel. Dessa forma, mesmo com alguns erros, a produção ainda permanece como uma das melhores da Netflix.