“Jumanji” (1995) foi um sucesso de público e de crítica quando estreou nos anos 90, sendo que até hoje o filme consegue continuar firme e forte agradando a todos que buscam um entretenimento simples e divertido. Partindo da mesma fórmula, “Jumanji: Bem-vindo à Selva”, atualiza seu humor e alcança um resultado de alto nível.

Na história, quatro jovens de personalidades distintas acabam indo parar na detenção da escola em que estudam. O castigo deles é limpar uma sala repleta de livros e objetos inutilizados, sendo que no meio dessa bagunça eles acabam encontrando um videogame antigo, algo semelhante aos consoles lançados no final dos anos 90. A fim de se divertirem, eles instalam o aparelho, escolhem os seus respectivos personagens e iniciam um jogo chamado Jumanji. A surpresa, no entanto, é que eles são sugados para dentro do game e encarnam personagens totalmente diferentes do que eles são na vida real.

Com a premissa de inversão de características físicas, a diversão já fica garantida logo na primeira parte da aventura. O recurso de “troca” pode não ser algo inovador, mas aqui é tão bem utilizado que é impossível não rir espontaneamente durante a sessão. Afinal, imagina acompanhar a patricinha da escola encarnada no corpo de um personagem vivido por Jack Black? Ou a garota tímida dando vida a uma mulher forte e com roupas nada convencionais para a situação? Pois é.

O filme também se destaca pela construção dos personagens, trabalho que é realizado pelo roteiro, direção, elenco, e até mesmo pela equipe de direção de arte. Aqui conhecemos adolescente com hábitos muito atuais, enquanto os personagens do videogame são um reflexo dos jogos dos anos 90, portanto prepare-se para ver uma heroína de top e shortinhos no meio da floresta junto de um guerreiro musculoso, além de outras figuras estereotipadas que entram em contraste direto com a consciência dessa nova geração, rendendo ótimos comentários criticando o padrão caricato dos jogos da época.

O roteiro acerta no tom do humor, sempre fiel aos tempos atuais e com diálogos bastante espontâneos. Mérito que também é do elenco, extremamente determinados a entregarem um trabalho divertido e consistente através de suas interpretações.

The Rock é sempre bastante carismático, e aqui não é diferente, porém ao contrário da maioria dos seus outros filmes, ao invés de assumir a pose do herói valente, ele vive com a personalidade de um garoto desengonçado e inseguro, rendendo momentos maravilhosos. O mesmo acontece com Karen GillanKevin Hart, ela com um jeito desconfortável diante dessa situação inusitada e a sua personagem caricata, enquanto Kevin é o pessimista do grupo.

Nick Jonas é uma grata surpresa, pois além de estar ótimo, ainda conta com uma ampla participação no longa, mostrando que o rapaz também consegue se sair muito bem como ator. Ainda assim, quem rouba a cena é Jack Black, com uma presença marcante e um humor contagiante. Apesar de todo o elenco ser excelente, é Jack quem promove os diálogos mais hilários.

Além disso, a legenda da Sony Pictures foi ousada e caprichada, trazendo traduções bem atualizadas, com gírias atuais e bem condizentes com os personagens. Somando isso ao fato do elenco ter uma ótima química em equipe, é diversão garantida.

A direção de Jake Kasdan é extremamente inteligente e consistente. O diretor sabe o que quer passar com a sua história e faz isso com muita facilidade. Praticamente não sentimos o tempo passar e o filme entretém em todas as suas sequências, embora um ou outro problema acaba sendo perceptível, nada consegue diminuir a experiência deliciosa de acompanhar esse grupo tentando vencer os desafios do jogo.

“Jumanji: Bem-vindo à Selva” pode não contar com cenas tão tensas como algumas do primeiro filme, tampouco se preocupa em funcionar como uma legitima continuação do seu antecessor, no entanto, é um filme primoroso, um blockbuster leve e que sabe cativar o público. Sem sombras de dúvidas, essa nova versão irá agradar a maioria dos amantes de uma boa e velha sessão da tarde, mas, dessa vez, aos moldes da sociedade atual.