É difícil definir um clássico, muitos levam em conta o tempo, o legado cinematográfico, e o seu impacto artístico na época. Jurassic Park se enquadra perfeitamente nesses critérios, mas muito mais que um clássico o longa consegue transcender gerações, estamos falando de um filme que mesmo assistido nos dias atuais ainda é um ótimo entretenimento familiar, com emoção e uma bela mensagem.

A trama acompanha o paleontólogo Alan Grant (Sam Neill) e a paleobotânica Ellie Sattler (Laura Dern) que são convidados a realizar uma visita ao novo parque de John Hammond (Richard Attenborough), a fim de averiguarem a estrutura de segurança para que finalmente ele seja aberto ao público. Junto deles também entram o advogado Donald Gennaro (Martin Ferrero), o matemático Ian Malcolm (Jeff Goldblum) e por insistência de John, o grupo também carrega seus netos, Tim (Joseph Mazzello) e Lex Murphy (Ariana Richards). O passeio começa bem até que os sistemas do parque são desligados e os programadores perdem o controle dos acontecimentos acarretando em uma catástrofe que coloca todos em perigo.

Um dos aspectos mais belos do longa está no desenvolvimento dos personagens e na química entre os protagonistas. Alan é apresentado como um cara “durão” que não tem paciência de lidar com crianças, tampouco pretende tornar-se pai, embora sua namorada, Ellie não questione, fica claro que ela discorda do parceiro. Acontece que, uma das peripécias do roteiro é que em meio ao ápice do caus, Alan se encontra preso com as crianças no parque, tendo que escolher entre abandoná-las ou protege-las, no entanto isso não chega a ser uma opção dentro do caráter da personagem e seus instintos seguem na frente, protegendo os jovens como se fossem seus próprios filhos.

O roteiro no entanto é bem simples, consegue entregar bons arcos e diversas situações tensas que exploram as mais variadas possibilidades que a ambientação da narrativa pode oferecer, sendo assim, em nenhum momento os conflitos ficam repetitivos e cansativos, porém o texto ainda carece de certos argumentos e diálogos menos expositivos.

A direção de fotografia é bem ousada em explorar a grandiosidade do parque e das criaturas, isso graças aos efeitos especiais do filme e a direção de arte, que mesmo simplórios vistos hoje em dia, ainda conseguem ser satisfatórios e sem sombras de dúvidas foram também impactantes quando exibidos em 1993.

Mas é impossível comentar sobre esse filme sem mencionar o magistral trabalho de Steven Spielberg, esse que também é conhecido como um dos diretores mais ecléticos e questionáveis de Hollywood. Tendo trabalhado nos mais variados gêneros e nos prestigiado com ótimas produções como; “Tubarão” (1975), “E.T O Extraterrestre” (1982), “A Cor Púrpura” (1985) e “A Lista de Schindler” (1993), além de ter atuado como produtor e roteirista em outras importantes obras desse período. Spielberg imprime aqui novamente a sua ousadia abraçando um roteiro que exigia mais do que a tecnologia da época poderia suportar, mas parafraseando uma das falas proclamadas em Jurassic Park “A vida sempre encontra um jeito”, nessa obra, a arte também encontrou o seu. A direção aqui é tão precisa que mesmo em meio a diversos obstáculo, consegue extrair o máximo do roteiro e desenvolver diversas cenas de tensão que abalam o expectador.

O elenco é repleto de nomes promissores, muitos que ainda não haviam obtido reconhecimento, mas que hoje já possuem um legado na industria. Aqui a maioria deles consegue entregar boas performances, com destaque maior para Sam Neill e Laura Dern repletos de insegurança quanto o parque, mas cheios de deslumbramento por presenciarem algo que passaram a vida estudando e acreditando que haviam sido extintos. O elenco mirim também entrega um bom resultado, principalmente na química entre eles e o personagem de Neil que desperta inicialmente como admiração e cresce até atingir a confiança.

A trilha sonora do longa é um destaque a parte que sem dúvidas pode ser facilmente reconhecida por qualquer um que tenha tido a oportunidade de assistir ao filme. Composta por John Williams, a trilha consegue evocar uma série de sentimentos provocativos que induzem a uma aventura repleta de descobertas, o que se encaixa perfeitamente com a proposta da história.

Jurassic Park é entretenimento puro, clássico, mas não datado, é um filme acessível para todas as idades e que irá agradar os mais diversos gostos.