Em “Nasce Uma Estrela” conhecemos a história da jovem Ally (Lady Gaga), uma aspirante a cantora que divide seu tempo entre as responsabilidades de casa ao lado de seu pai, o seu trabalho em um restaurante e às vezes ainda concilia tudo isso com algumas apresentações em um pequeno bar LGBTQ+ – local no qual ela se sente livre de julgamentos relacionados a sua aparência.

Crítica: Nasce Uma Estrela

Em uma realidade completamente diferente existe o cantor Jack (Bradley Cooper), que mesmo em decadência, ainda conta com uma base de fãs muito fiéis às suas músicas. Em circunstâncias improváveis essas duas figuras se encontram, e constroem uma relação mútua de admiração, que rapidamente evolui para amor. Não o amor efêmero e recheado de declarações vazias. O que nasce nessa relação acima de tudo é o respeito e comprometimento.

Como consequência inevitável dessa união, o sonho de Ally acaba tornando-se realidade e a indústria musical finalmente abre as portas para que ela mostre seu talento ao mundo. Tudo isso acontece logo nos primeiros minutos de projeção, com direito à “Shallow” – música tema – sendo performada sem muitas delongas, afinal boas canções é algo que não falta no filme e não há motivos para economizar nas apresentações.

“Nasce Uma Estrela” como o nome e o começo da trama sugerem, parece tratar-se de um drama musical sobre o início da carreira de uma artista e os seus conflitos internos e externos. De fato, o filme carrega muito disso em sua narrativa, mas a sua essência é outra. Estou falando de uma história de amor, pois é isso que se sobressai ao longo de suas quase duas horas de duração.

O nome do filme também pode servir de analogia para os dois artistas estreantes. Lady Gaga nunca antes atuou em um longa-metragem e Bradley Cooper nunca dirigiu, contudo, mesmo como principiantes, ambos entregam um resultado digno de Oscar. A química entre os dois é simplesmente contagiante, ao mesmo tempo em que Cooper como diretor sabe equilibrar muito bem os números músicas com o decorrer da narrativa. Nada é gratuito e a melodia das canções avança refletindo os estágios do relacionamento do casal.

Crítica: Nasce Uma Estrela

Na reta final há uma cena bastante pesada e que se fosse feita de forma muito explícita poderia ser uma catástrofe, mas ao invés disso, a sequência é construída de uma maneira poética e sensível, que comove através dos pequenos detalhes. A paleta de cores avermelhada, e a fotografia focando em objetos simbólicos como o chapéu de Jack, exaltam o potencia de Cooper por trás das câmeras. Não bastando isso, como ator ele também está excepcional, trazendo um sotaque carregado e um visual alcoólatra bastante convincente.

Além de todos os méritos já mencionados, o longa se destaca por seu roteiro sutil e que foge de vários clichês de produções com enredo semelhante. A carreira de Ally, e principalmente o seu relacionamento com Jack, caminham por altos e baixos, mas a história jamais opta por um desdobramento maniqueísta, com imprevistos mirabolantes ou uma maré de azar que simplesmente rompe com a jornada da protagonista, longe disso. Todos os conflitos apresentados na trama são convincentes e atuais, podem ser vividos por qualquer um de nós e em qualquer momento de nossas vidas e é isso que faz o filme ainda mais rico.

“Nasce Uma Estrela” acaba sendo um pouco mais longo do que o necessário, mas conta uma história de amor apaixonante, com muita química entre os seus protagonistas e que irá arrancar muitas lágrimas de seu público. É um filme bonito, esperançoso e que nos encanta por completo.


Trailer:

REVIEW OVERVIEW
Roteiro
9
Direção
10
Atuações
10
Direção de Arte
8
Direção de Fotografia
9
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Guilherme Soares
Criador e editor da Cine Mundo, diretor, roteirista e crítico de cinema. Viciado em séries, com um carinho especial pela eterna Six Feet Under e Buffy The Vampire Slayer.