[Crítica] O Ídolo

Baseado em uma história real, o longa segue a vida de Mohammad Assaf. Um jovem refugiado que cresceu em gaza, vivendo portanto o pior que essa realidade podia lhe oferecer. Tendo a voz como sua única oportunidade de mudar o rumo de sua vida, ele se inscreve no Arab Idol e mesmo com diversas dificuldades, consegue vencer o reality.

Com o plus do programa ter sido em 2012 e possuir uma série de gravações reais da época, a direção acerta, alternando entre os arquivos reais e os ficcionais.

O longa desenvolve todo seu primeiro ato acerca da infância de Mohammad, momento esse que se afirma importantíssimo na carreira do cantor. Sua relação com os amigos, sua irmã e a banda que montaram juntos. Aqui portanto temos um elenco mirim que brilha com seus olhares, extraindo o melhor que o texto tem para oferecer.

Essa primeira metade que retratando a infância, reflete uma realidade que vai além da vida de Mohammad, pois colocam a situação drástica da Palestina, sob a ótica das crianças, e com isso seus sonhos e objetivos em pró de um mundo melhor.

 

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A irmã de Muhammad carrega uma mensagem ainda mais forte em sua trajetória, sendo um grito de igualdade constante em sua existência. A personagem se veste totalmente diferente do que se é esperado em sua cultura, não por gênero, mas por aceitação e liberdade de tomar suas próprias decisões sem ter de sucumbir a realidade extremamente machista de seu país.

Qualidades como honestidade e empatia são enfatizadas pelo roteiro. Nosso protagonista não consegue mentir, nem em situações drásticas. Ainda que com cicatrizes severas de seu sofrimento ele ainda projeta a vida do outro acima da sua se assim for necessário. E o texto enfatiza essa conduta como essencial para chegar onde ele chegou.

Infelizmente o filme abre uma série de arcos complexos que poderiam ter sido bem trabalhados acrescentando uma camada profunda a obra, no entanto, a grande maioria dos pontos positivos aqui citados são ponderados de forma rasa, permitindo que o longa foque apenas nas individualidades do protagonista.

O Ídolo poderia render um filme complexo e inteligente como “Quem quer ser um milionário?”, porém o longa se valida na mesmice, abandonando todo o leque de possibilidades que o próprio chega a nos apresentar, mas deixa de lado ainda no seu inicio. O que poderia tornar-se uma ferrenha critica social, termina como um filme simples, com uma mensagem bonita.

 

O filme faz parte dos longas da 40ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

REVIEW OVERVIEW
Roteiro
6
Direção
6
Atuações
8
Direção de Fotografia
7
Direção de Arte
8
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Guilherme Soares
Criador e editor da Cine Mundo, diretor, roteirista e crítico de cinema. Viciado em séries, com um carinho especial pela eterna Six Feet Under e Buffy The Vampire Slayer.