“O Predador” faz parte de uma franquia complicada de ser definida, pois surgiu durante a onda de produções de horror e ficção científica iniciadas com “Alien”, “Comando para Matar” e outros filmes que exalavam testosterona, com muita exposição de tripas, suspense, personagens caricatos, humor estranho e frases de efeito típicas da época. Além desses dois clássicos, ainda tivemos os vergonhosos, porém divertidos, “Alien vs Predador” e “Predadores”, que se prenderam em várias ideias interessantes, mas se esqueceram do carisma necessário para alcançar o sucesso.

Crítica: O Predador

Agora em 2018 chega aos cinemas “O Predador”, dirigido por Shane Black (“Homem de Ferro 3” e “Beijos e Tiros”), prometendo resgatar um pouco do sucesso e diversão dos filmes originais da franquia.

No novo filme, os mais letais caçadores do universo estão ainda mais fortes, mais inteligentes e mais mortais do que antes, tendo se aperfeiçoado com o DNA de outras espécies. A história começa quando um jovem acidentalmente causa o retorno do Predador à Terra, de forma que apenas uma equipe improvável de ex-soldados e uma professora de ciências amargurada, podem evitar o extermínio da raça humana.

O roteiro tem deslizes e por diversas vezes se mostra raso, repleto de ideias com conceitos científicos exagerados, além de momentos cômicos de mal gosto e frases de efeito que trazem toda a cafonice dos anos 80 à tona em pleno 2018. Portanto, caso você seja um eufórico pelo estilo oitentista e sinta falta desse tom nos filmes atuais, irá delirar durante toda a projeção.

No entanto, de inicio a produção tem um certo problema para alcançar o ritmo insano e debochado da trama, mas quando chega no ponto adequado dos personagens e bizarrices, o filme passa a fluir de maneira ágil e divertido até o fim. O único problema é que tem um ou outro momento, no qual o longa parece tentar ser mais inteligente do que realmente é, algo que não combina com a proposta e toda a maluquice de sua história.

Boyd Holbrook como Quinn McKenna, Jacob Tremblay como Rory McKenna, Sterling K. Brown como Will Traeger e Olivia Munn como Casey Bracket são os protagonista da trama.

Crítica: O Predador

Holbrook encarna bem o seu personagem que substitui a figura do Arnold Schawarzenneger no papel de soldado durão e esperto, que ainda conta com um ou dois momento em que é desenvolvido a sua relação com o filho autista Rory vivido por Tremblay, que mais uma vez dá um show de atuação. Além disso temos Munn como a bióloga que não chega a estragar a produção, mas não consegue trazer muito complemento para a narrativa, diferente de K. Brown, que após se revelar ótimo para o drama em “Pantera Negra” e “This is Us”, ele retorna se provando igualmente habilidoso no horror e comédia ao fazer um vilão caricato e cínico que brilha em todas as cenas em que aparece.

Outros destaques do filme são os coadjuvantes Keegan-Michael Key como Coyle, Thomas Jane como Baxley e Trevante Rhodes como Nebraska Williams, que rendem os momentos mais engraçados e empolgantes quebrando a tensão com um humor politicamente incorreto, muito carisma e uma boa dose de insanidade.

A direção de arte possui figurinos bem adequados ao estilo e tom de cada personagem, fortalecendo bastante a individualidade de cada um deles, além é claro, do grande belo trabalho com o design do alienígena, desde as vestimenta até os equipamentos. Por outro lado, os cenários são muito comuns, com um ou outro detalhe mais elaborado, deixando todo o destaque por conta da floresta, que referencia os grandes momentos dos clássicos da franquia. Outro mérito está no belo trabalho de efeitos práticos, com tripas e muito sangue sendo expostos gratuitamente em quase todo o longa.

Crítica: O Predador

A direção de fotografia é funcional e coerente com os gêneros de ação, humor e horror criando um ótimo ritmos para “gags” hilárias e sequências cheias de adrenalina, que são de tirar o fôlego. Quanto ao visual, temos aqui cores como verde, azul e sépia que lembram bastante o tom da franquia, dialogando com os conceitos de sci-fi e do cenário de soldados na floresta, quase sempre usando iluminação fraca e ambientes escuros, mas que ainda nos permite enxergar bem a ação dos confrontos com o Predador.

Shane Black sabe conduzir o filme tanto em relação à adrenalina aplicada como também no deboche e nos diversos momentos caricatos que o longa gosta de explorar, sempre usando a violência e o carisma dos personagens a seu favor. O único deslize está no início da produção que demora um pouco para achar o ritmo certo.

“O Predador” consegue se espelhar e tomar diversas inspirações dos longas originais dos anos 80 e 90, mas ainda assim nos ganha por não buscar repetir a fórmula ou os personagens desses clássicos, honrando o espírito da franquia, mas trazendo charme, carisma e diversão que a obra precisa para acertar o público em cheio.


Trailer:

REVIEW OVERVIEW
Roteiro
7
Direção
8
Atuações
8
Direção de Arte
7
Direção de Fotografia
7
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Otávio Renault
Nascido em São Joaquim da Barra interior de São Paulo, sou um escritor, cineasta, fotógrafo, desenhista e autor na Cine Mundo, além de um cinéfilo fã de Quentin Tarantino, J.J. Abrams, Neil Gaiman, viciado em séries e leitor de quadrinhos/mangás.