Crítica: Os Defensores

Mesmo com um roteiro cheio de falhas, 'Os Defensores' consegue unir os 4 heróis de uma maneira divertidíssima

“Os Defensores” sempre foi o grande objetivo da parceria entre a Marvel e a Netflix, mas após o sucesso da primeira temporada de Demolidor, a série solo dos outros heróis ganhou forma e até mesmo novas temporadas individuais, tudo os preparando para esse grande momento como um grupo que combate o crime em Nova York.

Com apenas oito episódios, a série começa com um piloto arrastado e que tenta situar o público acerca do atual estado de cada um dos protagonistas, antes de promover o tão esperado encontro entre eles. As motivações que os unem são diferentes, mas o objetivo é o mesmo: acabar como o “Tentáculo”.

Diferente das séries anteriores que contavam com subtextos complexos em seu roteiro, aqui isso é trocado pelo humor, ficando mais próximo das adaptações cinematográficas da Marvel. O maior problema está em seus vilões, que não possuem motivações convincentes, não conseguem impor uma presença eminente e tampouco desenvolvem uma atmosfera de urgência e perigo.

O forte da série está na relação entre os personagens, especialmente Jessica com Matthew, Dany com Luke, e até mesmo Claire com Colleen, ambas são bem desenvolvidas e trazem um charme à produção. A química do grupo de heróis também é outro ponto forte, marcado pelo contraste de personalidades entre eles, mas que aos poucos encontram o respeito e admiração de uns pelos outros, formando uma verdadeira equipe.

As atuações seguem bem equilibradas, contando com diversas dosagem de humor e drama que conseguem transmitir as mensagens necessárias, sem nenhum grande momento, mas que funcionam dentro do que é proposto. O destaque acaba ficando para Krysten Ritter (Jessica Jones), que está ainda melhor que em sua série solo. Repleta de comentários ácidos e seu mal humor clássico, a atriz entrega uma das melhores personagens da série. Sigourney Weaver vive Alexandra, a vilã e líder do Tentáculo, porém a ausência de um bom desenvolvimento prejudica drasticamente a personagem, sendo que nem a interpretação impecável de Weaver consegue se sobressair tamanho o desleixo do texto. Por outro lado, Finn Jones que anteriormente foi soterrado pelo inúmeros problemas de sua série individual, aqui ele conta com uma direção mais concisa que consegue deixar o personagem no limite do aceitável. O restante do elenco, como dito acima, segue dando conta do recado.

A fotografia é uma das melhores coisas da série, pois apresenta uma linguagem unica que mistura a estética especifica utilizada em cada uma das séries anteriores. Começando pela paleta de cores que segue os seus personagens, estando Demolidor sempre rodeado por tons vermelhos, enquanto Jessica Jones caminha entre o azul e o violeta, Luke Cage é dominado pelo amarelo e Punho de Ferro sempre conta com o verde. Mais do que cores, até mesmo alguns movimentos, planos e ângulos clássicos da série de cada herói são trazidos para essa produção, como por exemplo, as clássicas cenas da câmera perseguindo a Jessica por corredores, ou os ângulos pitorescos que acompanham o Luke.

A direção de arte faz um trabalho parecido com o da fotografia em termos de cores, portanto é interessante observar como os objetos dispostos ao redor do personagem sempre fazem referência à sua estética. Os figurinos também acompanham o que já conhecemos de cada um, sendo que Matthew é o único que adere ao disfarce de herói.

A direção é primorosa e consegue extrair o melhor de seu elenco e promover cenas de luta extremamente bem coreografadas. A própria Jessica Jones que não teve boas lutas em sua série individual, aqui ganha diversos momentos grandiosos, que respeitam a ausência de técnica da personagem, mas possuem maior domínio de sua força descomunal.

“Os Defensores” é uma série divertidíssima, que une os quatro heróis de Nova York com muita dinâmica e criatividade. Infelizmente, seu roteiro carece de um desenvolvimento inteligente para os vilões e acaba diminuindo a qualidade do material, mas por ter apenas 8 episódios, não há tempo suficiente para os erros se sobressaírem as qualidades.

 

 

REVIEW OVERVIEW
Roteiro
6
Direção
7
Atuações
7
Direção de Fotografia
9
Direção de Arte
8
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Guilherme Soares

De São Paulo capital, fundador do Cine Mundo. Sou diretor, roteirista e crítico de cinema. Viciado em séries, com um carinho especial pela eterna Six Feet Under e Buffy The Vampire Slayer.