O primeiro “Os Estranhos” lançado em 2008, é um filme de qualidade questionável, mas que conseguiu fisgar o público com alguns de seus méritos, afinal, aquela foi uma das épocas mais difíceis para o gênero terror e, em especial, tratando-se de slasher, até hoje ainda observamos uma carência gritante.

Como reflexo desse sucesso, os fãs clamavam por uma continuação e ela finalmente chegou, mas em um filme que persiste nos erros de seu antecessor e ainda consegue acrescentar outros problemas.

Crítica: Os Estranhos 2

Na história, o casal Cindy (Christina Hendricks) e Mike (Martin Henderson) sai em uma viagem com os filhos Kinsey (Bailee Madison) e Luke (Lewis Pullman). Antes de chegarem ao destino, optam por passar a primeira noite em um acampamento de trailers administrado pelo tio de Cindy. No local, que parece deserto, encontram um bilhete do tio com instruções para se instalarem. Mas, após uma batida na porta do trailer, a noite deles torna-se um pesadelo e a família passa a ser perseguida por assassinos mascarados e impiedosos.

Se um dos principais problemas do original eram os seus protagonistas rasos e com atitudes estúpidas, semelhante aos slashers genéricos dos anos 80, aqui na sequência batizada de “caçada noturna”, pouca coisa muda. Na verdade, troca-se o casal por uma família tradicional com dois filhos e, assim como antes, o terror se espalha sem muita criatividade.

O grupo de assassinos é, aparentemente o mesmo – no primeiro filme não é mostrado as identidades por trás das máscaras – e, basta uma jovem magra de 1,60m entrar em um trailer com uma pequena faca, que as duas mulheres presentes recorrem à gritos e frases ridículas como “Nos deixe em paz!”. Ora! As vítimas de Jason Voorhees em “Sexta-feira 13”, ao menos estavam diante de uma criatura enorme, com uma faca colossal e uma aparência horrenda e mesmo assim, ainda que de forma não muito inteligente, tentavam se defender. Enquanto que nessa franquia todos parecem se render na primeira oportunidade.

Felizmente, na reta final, o problema mencionado acima é resolvido e acompanhamos uma ou duas boas cenas, com trilhas sonoras clássicas e uma direção de arte bem inspiradas em homenagear os grandes filmes do terror oitentista.

O elenco é fraco e está sob uma direção preguiçosa, portanto é difícil se surpreender com qualquer interpretação até mesmo vindo de Christina Hendricks. Porém, as atuações medíocres tornam-se o menor dos problemas dessa sequência, afinal o roteiro tem problemas suficientes para concentrar a sua atenção.

Crítica: Os Estranhos 2

Até mesmo a direção de fotografia parece perdida diante dessa história sem substância. Planos abertos que contemplam o cenário caricato são vistos com frequência e, em uma tentativa de tornar o longa visualmente mais dinâmico, a edição insiste em diversos closes artificiais nos personagens, resultando em uma estética mais próxima de um vídeo do youtuber aleatório, do que qualquer obra de terror.

Em um cenário semelhante à franquia “Sexta-feira 13”, uma cena final idêntica ao clássico “O Massacre da Serra Elétrica” e uma excelente trilha sonora de época, fica claro que a intenção do diretor Johannes Roberts (“Medo Profundo”) era homenagear clássicos do slasher. Mas infelizmente ele nos faz lembrar não dos originais, mas sim de suas sequências de qualidade horrenda e feitas apenas para angariar lucro em cima dos fãs.

“Os Estranhos 2 – Caçada Noturna” não se justifica enquanto uma continuação e parece ter sido feito apenas em uma tentativa pífia de reviver o sucesso de seu antecessor, mas ao invés de aprender com os erros do passado ele apenas leva tudo para um patamar ainda mais baixo. No final das contas, o filme conta com duas boas cenas em seu desfecho, mas que não são suficientes para cobrir as incoerências da história.


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