“Pica-Pau” era um desenho animado muito querido pelo público brasileiro, que passou por mudanças em cada geração como em 70, 80 e mais recente em 2000, mas independente da época sempre agradou muito por conta de sua simplicidade e pelo bom humor.  Sendo assim quando foi dito que a animação seria levada aos cinemas isso preocupou os fãs antigos do personagem, pois seria feito em forma live-action e são raros os momentos em que isso funcionou.

As expectativas estavam baixas e o filme ainda assim foi abaixo do esperado, com efeitos de CGI que doem só de olhar, péssimas performances, direção desorganizada e um roteiro confuso que não se decide entre expor uma mensagem ambientalista e ser um filme de sarcasmo e humor.

Na trama desse filme o frio e inescrupuloso advogado Lance Walters (Timothy Omundson) quer derrubar árvores para a construção de uma casa próximo em uma reserva, para isso ele deverá cuidar de seu filho na região e lidar com a ameaça do sacana Pica-Pau que está sendo caçado por dois atrapalhados caçadores.

Agora vem outro grande deslize da produção, seu elenco: Thayla Ayala, Timothy Omundson, Scott McNeil, Graham Verchere, entre outros.

É uma careta pior do que a outra, seja do vilão Lance feito por Timothy Omundson que se converte em pai atrapalhado, ou na fútil e superficial esposa de prateleira Vanessa, com uma atuação terrível de Thayla Ayala. Até a criança curiosa e irritante vivida por Graham Verchere carece de timing e carisma para nos afeiçoarmos.

Agora se tem algo que funciona é a dublagem do Pica-Pau, na voz de Sérgio Stern, que apesar de não ser o dublador do desenho animado, ele possui experiência com animações como “Apenas um Show” e “Os Simpsons”, portanto ele tem boa entonação e faz o que pode, mas infelizmente não tem como consertar páginas e páginas de piadas horríveis através de uma dublagem.

O roteiro do filme é um dos piores feitos nesse ano, pois tudo está muito confuso e sem nenhum nexo. Não se sabe se o foco é mostrar simplesmente o Pica-Pau sacaneando os humanos, a crítica ambientalista ou a mensagem familiar. Todos os arcos criados são um tanto surreais e sem a menor coerência, sendo que o desenvolvimento de cada personagem é quase nulo, praticamente impossível entender quem são, o que querem e porque estão ali fazendo o que fazem.

A direção de arte é comum, padrão, e sem nada a acrescentar para a produção. Trata-se de um visual digno das sessões da tarde dos anos 2000, o que não é um bom sinal de nenhuma forma.

Já a direção de fotografia também é fraca e sem muito estilo, afinal você provavelmente já viu cada um daqueles movimentos em muitos filmes. No entanto, as piores situações são quando a câmera vai acompanhar as pavorosas sequências do Pica-Pau voado rápido, é de doer os olhos a forma como conduziram, não só os efeitos, mas as cenas de “ação” da trama, o que nos faz perguntar o que os profissionais da área pensavam.

A direção é sem charme, sem foco, e fraca demais, pois deixou passar mais erros do que seria possível listar aqui. Além disso o diretor não se preocupa em construir uma identidade visual ao personagem principal, recheando o longa com figurinos batidos e cenários apáticos, de tal forma que esse produto final não deve agradar nem as crianças menos exigentes.

“Pica-Pau: O Filme” é uma experiência cinematográfica que não deve ser desejada nem para os nossos piores inimigos, pois não vale o preço do ingresso e consegue decepcionar todos os públicos com o seu humor bizarro, direção desordenada, e muita vergonha alheia. Com certeza essa franquia ficará enterrada por alguns anos até pensarem novamente em levar ela aos cinemas.

REVIEW OVERVIEW
Roteiro
Zero
Direção
Zero
Atuações
2
Direção de Fotografia
2
Direção de Arte
2
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Otávio Renault

Nascido em São Joaquim da Barra interior de São Paulo, sou um escritor, cineasta, fotógrafo, desenhista e autor na Cine Mundo, além de um cinéfilo fã de Quentin Tarantino, J.J. Abrams, Neil Gaiman, viciado em séries e leitor de quadrinhos/mangás.