[Critica] Scream 2ª temporada

“Scream” se comprometeu com uma missão difícil que é a de produzir um seriado baseado no filme clássico intitulado com o mesmo nome. Infelizmente, não conseguiram sequer os direitos autorais do uso da máscara do filme original e mesmo com os erros da primeira temporada como: falta de gore, dificuldade de entrosamento entre os atores e atuações superficiais, ainda conseguiu se sustentar para uma segunda temporada aumentando a sua responsabilidade com os fãs que conseguiu cativar.

Dessa vez, com doze capítulos, dois a mais que a primeira temporada, nomeados com títulos de filmes de terror “Eu sei o que vocês fizeram no verão passado”, “Feliz Aniversário para mim”, “Criaturas Celestiais”, “Chamada: Desconhecido”, entre outros, todos fazendo referência aos respectivos filmes.

A história segue pela busca do assassino que amedronta Lakewood, pois suspeita-se que a Piper Shaw tenha um cúmplice e essa prorrogativa foi deixada no ar no final da primeira temporada servindo como premissa do seguimento da história, como sempre, o personagem Noah (John Karna) vai montando o quebra-cabeça com suas especulações para completar o seu quadro de suspeitos e o seu programa com o papel de suma importância para que os expectadores possam criar suas hipóteses sobre o possível assassino.

 

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Somos apresentados a novos personagens para compor a trama sendo eles: Zoe (Kiana Brown) que é uma peça muito forçada, não tem carisma e principalmente não tem química com o Noah, o novo Xerife Acosta é superficial demais parece estar mais preocupado com os seus problemas pessoais e seu filho Stavo (Santiago Segura), que por sinal é a melhor novidade da série. Outro novo integrante agregador é o Eli (Sean Grandillo), pois ao seu redor tem um grande ar de mistério por ficar claro o motivo dele ter ido morar na cidade, mas, as suas reais intenções geram suspeitas que movimentam muito bem a trama.

Stavo tem arcos interessantes com a Brooke (Carlson Young) que por sinal evoluiu muito, conseguindo entregar uma das melhores atuações femininas, perdendo apenas para a Audrey (Bex Taylor-Klaus) que ganha destaque e que parece tomar um pouco o papel de protagonista da Emma Duval (Willa Fitzgerald).

Temos alguns problemas nesta temporada; a carência de um elenco adulto e maduro, pois com o excesso de adolescentes criou-se uma extrema dificuldade de se desvincular dos personagens principais, ou seja, mata-los, causando a sensação de que eles são intocáveis, isto não é bom e quebra o clima do gênero slasher. Além disso o seriado quer que a gente pense a todo custo que o assassino é o Stavo, sendo que tem horas que fica chato a forma com que tentam atribuir a culpa a ele.

Não podemos esquecer da carência de perseguições empolgantes como costumava ocorrer no filme que originou a série, além da falta de ritmo nos episódios (apenas em “Happy Birthday to Me” somos informados que realmente tem um assassino) e a abertura de histórias que ficam mal explicadas (a prova disto é que haverá dois episódios especiais de Halloween para esclarecimentos e possivelmente uma deixa para uma terceira temporada).

Outro aspecto inconveniente são as justificativas das personagens para cometerem suas ações, por exemplo, a Audrey diz que trouxe a Piper por ser apaixonada pela Emma e não ser correspondida, porém nada é mencionado sobre o assunto anteriormente, assim como, as motivações do assassino que são levianas e inconsistentes.
Scream se esforça para construir jogadores, e até apresenta uma melhora em relação à temporada anterior, porém continua caindo em alguns clichês típicos de séries que tem um elenco predominante adolescente. Sinto pela protagonista que consegue ser deixada de lado pela sua péssima atuação, no entanto, é compreensível dar espaço a Noah e Audrey que conseguem carregar melhor a trama. O seriado apesar de seus altos e baixos tem um material em potencial que pode evoluir para uma terceira temporada, caso seja renovado.

REVIEW OVERVIEW
Roteiro
7
Direção
8
Atuações
7
Direção de Fotografia
8
Direção de Arte
9
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Andreza Nunes
Nascida em Recife, jornalista por formação, adoro ensinar e trocar conhecimento. Acredito que o cinema é uma arte enriquecedora que pode promover reflexões, mudanças e propiciar a fuga da realidade.