Crítica: Segundas Intenções 3 (2004)

Chegamos ao terceiro e último filme do homenageado do mês com “Segundas Intenções 3” e é que fica mais visível o desgaste e banalização da franquia levando a um capítulo pavoroso e intragável dirigido por Scott Ziehl, que fará os fãs de Sarah Michelle Gellar e Ryan Phillippe se remoerem com os inúmeros erros apresentados.

Crítica: Segundas Intenções 3

Na trama, Cassidy Merteuil (Kristina Anapau), uma prima distante de Kathryn Merteuil, chega em Santa Barbara para frequentar a Universidade Prestridge. Lá ela encontra Jason Argyle (Kerr Smith), um amigo da escola secundária que também estuda em Prestridge. Jason tem como colega de quarto Patrick Bales (Nathan Wetherington), sendo que os dois formam uma dupla cujo objetivo é seduzir e transar com as mais belas mulheres do campus.

Enquanto Jason tem de seduzir Sheila (Natalie Ramsey), que está em um relacionamento estável com o Michael (Tom Parker), Patrick tenta seduzir Alison (Melissa Yvonne Lewis). O roteiro da obra é tão risível e forçado em diversos momentos que nos faz perguntar se esse filme é realmente parte da franquia ou se seria um uma sátira trash do original, afinal está recheado de ideias estapafúrdicas e sem a menor coesão narrativa.

Entre os vários deslizes do script temos as múltiplas reviravoltas sem sentido e o péssimo desenvolvimento dos personagens, de forma que não somos capazes de compreender ou acreditar em suas ações e personalidades, um problema tanto do roteiro em si, como também das atuações.

A produção tem em seu elenco Kerr Smith como Jason Argyle, Kristina Anapau como Cassidy Merteuil, Nathan Wetherington como Patrick Bates, Natalie Ramsey como Sheila e Tom Parker como Michael.

No geral temos performances que variam entre apáticas e horríveis, sempre sem carisma e que parecem ter uma entonação mais cômica do que dramática e visto que o filme se leva a sério, o público é literalmente bombardeado por interpretações que causam uma vergonha alheia e desgosto enorme que é difícil de acreditar em suas motivações.

A direção de fotografia segue sem charme ou qualquer nível de técnica, usando enquadramentos e planos sem ritmo ou coesão entre seus quadros, algo que dificulta várias vezes o entretenimento.

A direção de arte também não se destaca, com cenários e objetos padronizados em suas locações, falhando em oferecer um complemento para a narrativa e para os personagens. Quanto aos figurinos não há um apuro técnico na escolha das vestimentas pois não conseguem passar a sensação de que se conectam com as personalidades dos protagonistas.

A direção de Scott Ziehl parece ter feito tudo às pressas sem a menor organização e foco, isso é possível perceber tanto pelas atuações como também devido ao ritmo e na escolha das músicas da trilha sonora que estão totalmente fora do contexto e do tom do filme.

“Segundas Intenções 3” se firma como um dos grandes fracassos e estagnações dessa franquia que havia começado brilhantemente em seu primeiro filme, mas em sua última produção chegou ao fundo do poço com uma obra que é uma grande pérola trash que acaba nos fazendo rir dos vários erros e se tornando uma comédia involuntária. Segundas Intenções merecia mais do que isso.