Sense8 foi cancelada logo em sua segunda temporada, porém após uma grande movimentação nas redes sociais, a Netflix resolveu prestigiar os fãs com um episódio final especial de pouco mais de 2 horas encerrando a trajetória dos personagens.

E convenhamos que planejar um enredo que se perpetuaria por pelo menos 5 temporadas e ter que encerrá-lo em apenas duas horas é, no mínimo, difícil. Mas as irmãs Wachowski conseguiram driblar essas dificuldades e entregar um final belíssimo e que sintetiza toda a mensagem que a série levantou em seus dois anos de exibição.

Crítica: Sense8 - Episódio Final

Conforme acompanhamos no final da segunda temporada, o cluster precisa se reunir em Paris para salvar Wolfgang (Max Riemelt) e acabar com a organização que os tem perseguido ao longo dos últimos anos.

Durante o episódio em si, quem acaba roubando a cena é o casal Wolfgang e Kala (Tina Desai), além de seu próprio marido Rajan (Purab Kohli), que tem uma ótima participação nesse desfecho. O outro destaque vai para Nomi (Jamie Clayton) e Amanita (Freema Agyeman) que estão no auge de seu relacionamento, prontas para lutarem e morrerem uma pela outra. Por fim, Sun (Doona Bae) da o ar da graça com suas ótimas habilidades de luta e ainda consegue finalizar sua trajetória reencontrando um grande amor do passado em uma das cenas mais fofas da série.

A relação entre Riley (Tuppence Middleton) e Will (Brian J. Smith) já teve seu destaque desde a primeira temporada e aqui acaba ficando de lado e colocando o casal mais de frente para os momentos de ação. Capheus (Toby Onwumere) e os conflitos da Africa, assim como os problemas profissionais de Lito (Miguel Ángel Silvestre) são devidamente resolvidos, mas os dois são de longe os sensates que tiveram menos aparições nessa reta final. Um sacrifício que é até compreensível diante de tantas coisas que precisavam ser encerradas.

Contudo, mesmo que alguns tenham tido maior relevância que outros, é notável que houve um esforço para que todos os personagens tivessem pelo menos um grande momento antes do fim da série. Portanto até mesmo os coadjuvantes acabam recebendo um pequeno destaque em algum momento. Em especial, temos Daniela (Eréndira Ibarra), que protagoniza uma das sequências mais divertidas do episódio.

Os arcos pessoais dos personagens são todos resolvidos, inclusive as questões ligadas à OPB e a origem dos sensates, que mesmo com pressa, conseguem ser explicadas de forma breve.

Dentre todos os acertos, Sussurros (Terrence Mann) permanece sendo o grande ponto fraco da série. O vilão é apresentado desde a primeira temporada, com uma figura intimidadora e até assustadora, mas que nunca foi aprofundada ao longo da história. Em certos momentos o seu antagonismo não se sustenta e suas atitudes vilanescas parecem sem motivo. Além do mais, não há nenhum grande momento para o personagem se rebelar, o limitando à um mero coadjuvante. Por outro lado, mesmo que sem um grande desenvolvimento, é a sensate Lila (Valeria Bilello) que acaba se tornando a vilã desses minutos finais, batendo de frente com os heróis e rendendo cenas de tirar o fôlego.

Para encerrar, é impossível não parabenizar os incríveis momentos de ação desse episódio. O trabalho de direção e fotografia se unem para entregar sequências dignas de grandes blockbusters de Hollywood, sem economizar no sangue e na brutalidade.

Ao seu termino, “Sense8” deixa claro que o seu enredo era superior a duas temporadas, mas mesmo assim consegue entregar um final digno, emocionante e que, acima de tudo, conseguiu reverenciar a sua mensagem acerca de empatia.