Estrelado por Zachary Levi, “Shazam!” conta a história do jovem órfão, Billy Batson (Asher Angel), que tem sua vida mudada quando adquire o poder de tornar-se um super-herói sempre que falar a palavra “Shazam!”, assumindo assim a identidade de uma figura adulta e extremamente poderosa (Levi).

A diversão do filme fica em grande parte por conta desse contraste entre a consciência de uma criança e o corpo e responsabilidades de um adulto repleto de poderes, auxiliando nessa atmosfera cômica ainda temos Freddy Freeman (Jack Dylan Grazer) que entende tudo do universo dos super-heróis e funciona como um guia para o protagonista compreender o que está vivenciando.

Crítica: Shazam!

“Shazam!” é um filme que se consagra por acertar o tom de sua narrativa, predominantemente cômica, mas que ainda contempla momentos dramáticos como em um flash-back no qual Billy descreve o dia em que se perdeu de seus pais durante um passeio no parque, sendo que mais tarde, revisitamos essa mesma lembrança sobre o ponto de vista de outra personagem, com uma perspectiva bastante diferente e deprimente. Voltando para o humor, a direção de David F. Sandberg nunca perde o controle e as piadas fluem de forma natural, sem exageros e com sequências que divertem pelo próprio contexto no qual estão inseridas.

Zachary Levi está excelente no papel principal, o ator consegue dar vida ao mais próximo que poderíamos imaginar de uma criança vivendo no corpo de um homem adulto, é divertido, fluído e cativante. Asher Angel, a versão mirim do herói, é o tipico adolescente rebelde, ainda mais diante os seus traumas por conta da infância que teve, sendo assim ele passa longe de tornar-se uma figura responsável e que está disposto a salvar o mundo, leva tempo até que ele tome discernimento de suas decisões e comece a se preocupar com o mundo ao redor. Toda essa transição não só é coerente com a idade do personagem, como o torna mais humano e o difere dos protagonistas clichês de filmes do gênero.

Billy aos seus quase 15 anos ainda não encontrou um lar adotivo, ou pelo menos nunca aceitou nenhum que lhe foi oferecido. As casas mudam, mas o desfecho é sempre o mesmo, o jovem foge para as ruas e continua aprontando diversas peripécias em busca de seus pais biológicos. No entanto, no novo lar para o qual ele é designado, o garoto aos poucos começa a notar um padrão diferente, percebendo que trata-se um grupo totalmente construído por crianças órfãs, mas que juntas formaram sua própria família, unidas pela confiança, amor e respeito um pelo outro. A partir daqui, acompanhar Billy descobrindo o verdadeiro valor da família e amizade é talvez a parte mais apaixonante da história e é o que a torna tão especial.

Crítica: Shazam!

A atmosfera do longa nos remete a diversos clássicos da sessão da tarde como “Esqueceram de Mim”, “Quero Ser Grande” (mencionado pelo próprio Zachary Levi em entrevista), entre outros filmes protagonizados por crianças que enfrentam situações maiores do que deveriam. A semelhança nem sempre vem da história em si, mas da experiência divertida e confortável que é oferecida por essas produções.

O vilão Dr. Sivana (Mark Strong) não tem uma história surpreendente ou intrigante, mas suas motivações funcionam bem, principalmente quando contrastam com a vida de Billy, nos oferecendo um confronto empolgante. Além do mais, a construção estética do personagem é bastante amedrontadora, assim como os seus poderes que caem como uma pluma no desfecho surpreendente.

Crítica: Shazam!

O terceiro ato é um dos pontos mais fortes da história, pois conta com um elemento surpresa que irá conquistar tanto os fãs das HQs, como a audiência que desconhece os quadrinhos. É um sequência que não só é eletrizante de acompanhar, como é coerente com a jornada que o protagonista percorre durante toda a narrativa.

“Shazam!” é divertido, traz excelentes personagens e sabe trabalhar bem com cada um deles, além de ainda oferecer uma belíssima mensagem sobre o conceito de família e a sua importância, mostrando que não é apenas um laço de sangue que une as pessoas, mas sim a empatia, respeito e amor.

*Confira também a nossa entrevista com Zachary Levi clicando aqui.


Trailer:

REVIEW OVERVIEW
Roteiro
9
Direção
9
Atuações
9
Direção de Arte
9
Direção de Fotografia
9
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Guilherme Soares
Criador e editor da Cine Mundo, diretor, roteirista e crítico de cinema. Viciado em séries, com um carinho especial pela eterna Six Feet Under e Buffy The Vampire Slayer.