Slasher é uma antologia que teve a sua primeira temporada comprometida por atuações ruins e um roteiro pouco elaborado, deixando os fãs apreensivos sobre a nova temporada que, felizmente conseguiu se sair melhor do que a anterior.

Crítica: Slasher

A história da segunda temporada acompanha cinco amigos que se conheceram em um acampamento de verão, Dawn (Paula Brancati), Andi (Rebecca Liddiard), Peter (Lovell Adams-Gray), Susan (Kaitlyn Leeb) e Noah (Jim Watson), todos com uma amiga em comum, chamada Talvinder (Melinda Shankar), que manipulou todo o grupo para conseguir conquistar as coisas que desejava, causando diversos transtornos na vida de cada um dos envolvidos. Quando os amigos percebem que Talvinder não é o que eles imaginavam, o grupo resolve se vingar, mas as coisas não saem como planejado e ela acaba morrendo de uma forma trágica. Com isto, eles precisam esconder o corpo e guardar consigo esse segredo. Esse acordo carrega referências dos filmes “Pacto Secreto” (1983) e “Eu sei o que vocês fizeram no verão passado” (1997), e após o acontecimento cada um segue com a sua vida, tentando fingir que nada aconteceu.

Cinco anos depois do acorrido, Dawn descobre que no local no qual enterraram o corpo de Talvinder será construído um resort. Receosa de que encontrem o corpo e desvendem o crime, a jovem convence todos os seus amigos a retomarem ao acampamento e resolverem a situação definitivamente. No entanto, o grupo acaba sendo prejudicado pelo inverno rigoroso da região e terminam se hospedando nas proximidades do acampamento, local onde vive uma comunidade excêntrica, comandada por Renée (Joanne Vannicola) e Antoine (Christopher Jacot), e que são adeptos a uma filosofia que preza pela união em um estilo de vida mais natural e longe da cidade grande. Nessa comunidade os membros recepcionam diferentes pessoas que querem se isolar do mundo externo e juntos vivem como uma verdadeira família, mesmo que muitos deles ainda tenham muitos segredos obscuros.

Além do casal que lidera a comunidade, ainda temos Judith (Leslie Hope), a ex-enfermeira Keira (Madison Cheeatow), o ex-advogado Mark (Paulino Nunes), Glenn (Ty Olsson) e Wren (Sebastian Pigott), completando o time de membros. Gene (Jefferson Brown), dono de uma loja de conveniência locada nas proximidades do acampamento leva os ex-monitores ao local, e lá todos se conhecem, porém, na primeira noite de estádia duas pessoas morrem, uma de cada grupo, despertando suspeitas para ambos os lados. Nada se sabe sobre o assassino, mas eles precisam se proteger, pois estão isolados da sociedade e não podem sair da região devido à uma intensa tempestade que se aproxima.

Com passar dos dias, os grupos vão se afunilando e a busca pelo assassino se torna primordial deixando os episódios finais mais dinâmicos. Em relação as atuações, temos um elenco mediano, mas superior a primeira temporada.

Entre os destaques temos Paula Brancati, uma atriz que utiliza muitas caretas para interpretar Dawn, mas sem dúvidas é a personagem que mais cresce na história. Já Noah, vivido por Jim Watson, tem cenas fortes, e ele transparece bem o desespero de uma pessoa insegura e que está diante de uma situação incontrolável. Dos habitantes atuais do acampamento, Keira interpretada pela Madison Cheeatow, é a mais interessante. Além dela, temos o retorno de Ty Olsson, que também esteve na primeira temporada, mas em um papel diferente.

Crítica: Slasher

A direção de arte tem uma produção bem notável e é um dos grandes acertos da série nessa segunda temporada, usando referências visuais de “Eu Sei O Que Vocês Fizeram No Verão Passado” (1997) e “Sexta-Feira 13” (1980), quase como se proporcionasse um passeio por esse lado do horror de 80 e 90. O figurino da temporada é funcional, seja nos flashbacks ensolarados e leves, como também no presente gelado e sombrio, cada um dos personagens é bem representado por suas vestimentas ao longo dos episódios. Outro detalhe que vale a pena ressaltar é que a série conta com um excelente trabalho de maquiagem e efeitos práticos, muito bem feitos para esse gênero, o que a torna divertida para quem gosta de ver sangue e algumas tripas espalhadas pela neve.

A direção de fotografia não é das mais inventivas ou originais, entretanto flui bem e funciona dentro da proposta sem empacar o ritmo da trama. As cenas que demonstram um maior capricho são as que antecedem as mortes, contando com uma câmera que acompanha os movimentos, desenvolvendo suspense e fazendo um bom mosaico para o horror da temporada.

É visível que o diretor melhorou a qualidade de seu trabalho, mas fica fácil diante do que ele trouxe na primeira temporada. Existem ainda alguns problemas no roteiro que geram uma certa impaciência no começo da história, deixando perceptível que estamos sendo enrolados ao longo dos episódios.

Alguns diálogos são desnecessários e há uma incomoda necessidade do roteiro informar a ação que o personagem irá tomar, além de alguns romances supérfluos que não acrescentam nada a história e a falta de ritmo que poderia ter ajudado a alancado a série.

A segunda temporada de Slasher explana um pouco da filosofia “Yin e Yang” que representa a dualidade entre o “bem e do mal” que o ser humano tem dentro de si. Claro que faltou um certo cuidado com os diálogos, com a edição e, até mesmo com o desfecho, que tem uma intenção bacana, mas não é muito bem executado. No entanto, ainda assim, cruzo os dedos para que Slasher seja renovada para uma nova temporada com boas doses de gore, um bom roteiro e atores melhores.


Trailer:

REVIEW OVERVIEW
Roteiro
6
Direção
6
Atuações
6
Direção de Arte
8
Direção de Fotografia
5
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Andreza Nunes
Nascida em Recife, jornalista por formação, adoro ensinar e trocar conhecimento. Acredito que o cinema é uma arte enriquecedora que pode promover reflexões, mudanças e propiciar a fuga da realidade.