A 3ª temporada de “Slasher” caiu de paraquedas na Netflix, pois não havia data prevista para o seu lançamento, mas para alegria dos fãs brasileiros a estreia foi quase simultânea com os EUA e já tivemos acesso a todos os episódios de uma única vez.

Em sua primeira temporada, a série fez a sua estreia com a figura do Carrasco, que carregava um visual medieval em uma trama repleta de características de filmes dos anos 90. Já na segunda – bem melhor que a primeira – traz referências claras de “sexta-feira 13” e através de flashbacks ela apresentava a dualidade de seus personagens, cativando e agregando mais valor à produção. Ainda assim, é importante lembrar que trata-se de uma antológica, ou seja, as temporadas não têm ligação entre si.

Crítica: Slasher - Solstício (3ª Temporada)

Em seu novo ano, “Slasher” traz a história de um assassino conhecido como “O Druida”, que procura se vingar das únicas testemunhas de um de seus crimes em um complexo de apartamentos. “Solstício” subtítulo dado a temporada, conta com vários personagens, todos morando no mesmo prédio que é bem movimentado com acontecimentos trágicos decorrentes da morte de Kit (Robert Cormier), um vizinho conhecido por sua rotina depravada que acabou resultando em sua morte. Como se não fosse o suficiente, a sua morte foi exposta por uma das moradoras do prédio através da seu blogue pessoal, o que levanta uma discussão interessante sobre o poder da internet e como uma simples postagem pode repercutir negativamente na vida de quem publicou e nas pessoas ao seu redor.

Um ano depois do crime, resquícios dele ainda transitavam pelos corredores do prédio, e a história vai se desenvolvendo com flashbacks que desenvolve cada um de seus personagens, começando com Angel (Salvatore Antonio) que tinha uma ligação mais forte com Kit e por isso demorou para superar a sua morte, ainda assim ele é um dos mais sensatos, seu sofrimento no passado aumentou a sua empatia pelo próximo e faz com que ele iniciasse alguns serviços sociais no intuito de ajudar quem precisa. A atriz Paula Brancati mesmo com a sua atuação fraca na temporada anterior, consegue ser ainda pior em seu retorno na pele da caricata Violet Lickers, uma blogueira que deseja expor a sua vida a qualquer custo e vive às custas do marido Joe Lickers (Ilan Muallem).

Um dos charmes presentes em “Slasher” é abraçar a diversidade e uma das moradoras do condominio é Saadia (Baraka Rahmani), uma adolescente muçulmana, estudante do Ensino Médio que é a melhor amiga Jen Rijkers (Mercedes Morri), irmã de Connor Rijkers (Gabriel Darku).

Não vou me aprofundar em todos os personagens para não estragar a surpresa que é desenvolvida a partir de enigmas e boas doses de suspense, coisa que vem sendo trabalhada em todas as temporadas por Aaron Martin, dessa vez, com um grande diferencial, as cenas gore são muito mais pesadas, portanto preparem o coração porque tem sangue, tripa e outras partes de corpo voando para todo o lado, sendo essa a temporada mais sangrenta de todas.

Crítica: Slasher - Solstício (3ª Temporada)

A série continua com o mesmo padrão de oito episódios, tendo uma redução apenas na duração dos capítulos que ficam em torno de 45 minutos, mas a narrativa permanece com a mesma essência, colocando os dramas pessoais na linha de frente do assassino e conforme vamos conhecendo cada personagem a nossa mente vai elucidando: Quem será a próxima vítima? Quem é o Druida? 

O outro aspecto chamativo é a estrutura desta temporada, que se propõe a contar os eventos de um único dia, uma escolha interessante, mas que acaba se detendo por problemas de ritmo em sua execução, erro que também pode ser vinculado com o elenco que melhora muito no quesito atuação, mas ainda carece de carisma, mesmo carregando tramas pertinentes, umas são mais bem desenvolvidas como a questão das redes sociais e outras menos, como o fato de uma personagem assumida como assexuada.

As narrativas da produção são interessantes e até muito melhores que filmes de terror de orçamentos altíssimos. Mesmo com o seu baixo custo, a série acaba se virando muito bem e entregando ótimos efeitos especiais, tratando de temas pertinentes e relevantes para a sociedade.

Apesar do gênero slasher ser conhecido por histórias chulas, “Slasher” vem tentando quebrar esse paradigma, trazendo mais profundidade e, embora não tenha chegado ao seu nível de excelência, com seus altos e baixos, ela consegue apresentar um material satisfatório em uma antologia de tramas envolventes que a gente deseja que seja renovada para muito mais temporadas.


Trailer:

REVIEW OVERVIEW
Roteiro
6
Direção
7
Atuações
7
Direção de arte
8
Direção de fotografia
8
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Andreza Nunes
Nascida em Recife, jornalista por formação, adoro ensinar e trocar conhecimento. Acredito que o cinema é uma arte enriquecedora que pode promover reflexões, mudanças e propiciar a fuga da realidade.