O nacional “Talvez Uma História de Amor”, protagonizado por Mateus Solano é o tipo de filme que chega de forma sutil mas cativa o expectador do início o fim de sua exibição. Trata-se de um romance genuíno e que não vinha sendo feito há alguns anos.

O filme é composto por uma trama simples, mas envolvente, na qual Virgílio, no auge de sua carreira profissional, acredita que o amor é apenas uma distração, um sentimento que o faria perder o controle de sua própria vida. Controle esse que ele faz questão de possuir.

Crítica: Talvez Uma História de Amor

No entanto, em um belo dia ele se depara com um recado intrigante em sua secretária eletrônica. A gravação é de uma mulher chamada Clara dizendo que o namoro dos dois precisa acabar. Intrigado, e sem qualquer lembrança de um relacionamento recente, ou de quem seria essa mulher, o rapaz parte em uma busca incessante por informações, até que, gradativamente ele começa a perder o metódico domínio de sua rotina.

Mateus Solano é um ator incrível, mas aqui ele se supera. A sua atuação é comovente e consegue transitar muito bem entre uma pessoa extremamente organizada até outra que perde o controle e parece não ter motivações para viver.

Embora Solano seja o personagem principal, o longa conta com muitas participações especiais e todos os convidados brilham, mesmo que em uma única cena. Destaque para Nathalia Dill, Cynthia Nixon e Bianca Comparato.

Assistir à “Talvez Uma História de Amor” é como embarcar em uma viagem rumo à esperança. O visual lindíssimo do filme, as atuações bem equilibradas e a direção magistral fazem desse filme um ambiente perfeito para, assim como Virgílio, esquecer do trabalho e dos problemas e viver um momento mais leve, um amor.

A linguagem visual inspiradora e o enredo simples, mas muito bem escrito, por muitos momentos, nos lembra do recente “La La Land – Cantando Estações”. Dois filmes de mensagens distintas, e com desfechos antagônicos, mas que nos oferecem um romance leve, bem executado e que cria uma atmosfera apaixonante através de cores vibrantes e um elenco de primeira.

A direção de arte é requintada, tanto na composição dos cenários que vão do antiquado Virgílio, até o moderno escritório no qual ele trabalha. Os figurinos, e até mesmo a paleta de cores sofre alterações em decorrência das mudanças na vida do protagonista.

Crítica: Talvez Uma História de Amor

Em termos de fotografia, temos um trabalho igualmente bem executado, com uma cena em especial que é gravada no escuro enquanto o personagem em questão observa projeções de seu passado. Há ainda os belíssimos planos abertos explorando os mais diversos cenários da cidade de São Paulo, todos com um aspecto lúdico e radiante que agregam ainda mais qualidades ao filme.

A direção de Rodrigo Bernardo é bem cuidadosa, conseguindo extrair o melhor de seu elenco e de toda a equipe. Mais do que um bom condutor, o diretor consegue aplicar a sua própria linguagem e visão artística nessa adaptação literária, a tornando única e independente de suas origens.

A trilha sonora, por sua vez, é a cereja do bolo e torna tudo ainda mais especial. É a clássica situação na qual você inicia uma busca imediata por todas as músicas assim que o filme termina.

“Talvez Uma História de Amor” é um filme realmente apaixonante e executado com perfeição. O tipo de longa que é prazeroso de assistir, é bem feito o suficiente para promover discussões após a sua exibição e, acima de tudo, é um filme que funciona para todos os públicos. Sem sombras de dúvidas é um dos melhores de 2018.


Trailer: