Um grupo composto por cinco homens adultos, em torno de quarenta anos e que ainda brincam de pega-pega, pode parecer por si só uma piada, mas é realidade, tão real e tão insano que ganhou uma adaptação para os cinemas. A história original tornou-se conhecida após uma matéria publicada no The Wall Street Journal. Mas será que essa premissa foi suficiente para sustentar um longa metragem?

No filme somos apresentados a Hoagie (Ed Helms), Callahan (Jon Hamm), Randy (Jake Johnson) e Sable (Hannibal Buress) que se unem para finalmente conseguirem “pegar” Jerry (Jeremy Renner) em uma brincadeira de pega-pega que eles brincam desde a infância, sendo que Jerry jamais foi pego por um deles.

Crítica: Te Peguei!

Todos esses homens sempre se reúnem no mês de maio para brincarem da mesma brincadeira pois acreditam que “quem não para de brincar, não envelhece” – frase que é repetida várias vezes. Na ocasião em especial eles ainda contam com a companhia de Rebecca (Annabelle Wallis), uma jornalista que fica fascinada com a história deles e decide acompanhá-los nessa aventura.

O roteiro de Rob McKittrick e Mark Steilen é bem honesto com o que se propõem a fazer, pois temos aqui um tipico humor exagerado e com piadas vindas direto do jardim da infância, o que, claro, não é um problema desde que o seu senso de humor continue nessa fase da vida. A história em si é bastante intrigante e consegue nos prender no início, mas não demora muito para que outros problemas comecem a aparecer.

O primeiro deles vem dos personagens sem carisma e com pouca química, a relação de amizade entre os protagonistas é tão infantil e insana que não convence, beira ao ridículo. Olhar um homem de meia-idade e bem sucedido com a mesma segurança de um adolescente no início da puberdade é patético. Claro que, tratando-se de comédia, esse tipo de situações e comportamentos são compreensíveis e até condizentes com a premissa insana do filme. No entanto, nada funciona como deveria por conta da direção que falha em estabelecer um ritmo conciso.

Jeff Tomsic não consegue conduzir o seu filme, pois aparentemente ele não sabe para onde quer levar a história. Os personagens imaturos poderiam render ótimas risadas se as suas personalidades fossem trabalhadas com o mínimo de verossimilhança, mas o que observamos é uma oscilação entre momentos completamente improváveis e outros no qual a trama tenta ser levada a sério, como no terceiro ato, onde há um apelo dramático que não se encaixa na atmosfera que o longa havia estabelecido.

Crítica: Te Peguei!

Como já dito, o elenco, mesmo recheado de estrelas, está péssimo. Jeremy Renner é ridículo em todas as suas sequências, Hannibal Buress faz comentários que quebram o clima da cena e consegue ser mais irritantes do que engraçados. Jake Johnson vive um homem fracassado e inseguro que auxilia na decadência da narrativa e, por fim, temos Jon HammEd Helms que são os menos piores e se esforçam para arrancar algumas risadas do público. Por outro lado, Isla Fisher, mesmo não participando da brincadeira dos rapazes, acaba sendo a melhor coisa do filme. A sua personagem é completamente louca e parece que ela foi a única atriz que encontrou um tom perfeito e que combinasse com a história, mas infelizmente a sua presença é mínima.

Como se nada pudesse piorar, a fotografia adota uma linguagem bizarra para as cenas de perseguição e por diversos momentos parece um documentário desleixado filmado com uma GoPro. Além disso, ainda temos as sequências cafonas em câmera lenta, focando em caretas dos personagens ou em movimentos que lembram as comédias fracassadas do século passado.

Apesar de tudo, o mais importante de uma comédia é fazer o seu público rir, e esse resultado é bastante pessoal. Confesso que comigo não funcionou, mas imagino que para quem tem um senso de humor mais sensível a experiência com “Te Peguei!” possa ser mais tolerável. Do contrário, temos opções melhores disponíveis no cinema.


Trailer: