Uma das maiores tristezas para qualquer fã de franquia é quando um filme fracassa colossalmente, principalmente quando se aguardou tanto por essa história.

Esse é o sentimento que The Cloverfield Paradox deixa para todos que assistem à produção da Netflix com a Paramount Pictures, afinal temos aqui uma sequência que não atendeu às expectativas, não respondeu aos mistérios da saga “Cloverfield” e fez escolhas duvidosas, deixando assim um gosto amargo na boca dos fãs.

Crítica: The Cloverfield Paradox

A trama fala sobre um futuro próximo onde um grupo internacional de astronautas está trabalhando em uma estação espacial buscando a solução de uma massiva crise de energia na Terra. A tecnologia experimental a bordo da estação apresenta um resultado inesperado, deixando o time isolado e lutando por sua sobrevivência.

O roteiro de Oren Uziel e Doug Jung sabe nos apresentar seus personagens e os conceitos que buscam explorar sobre um mundo caótico com falta de energia e o desespero de um grupo de astronautas à beira de um colapso e, no meio de tudo isso, ainda consegue introduzir conexões com a franquia, tudo levando a crer que estamos diante de uma produção promissora e original com uma audaciosa mistura de “Alien” e “O Enigma do Outro Mundo”.

O filme sabe iniciar de maneira grandiosa, nos jogando em uma história digna dos grandes clássicos de ficção científica no intuito de relacionar o estranho caso da estação espacial com a origem dos monstros do primeiro “Cloverfield” de 2008, entretanto, há muitos erros que acontecem do meio do segundo ato e persistem até o fim do longa. Começando pelo roteiro, que é repleto de inconsistências narrativas, seja pelo fato de todos falarem inglês com exceção da Tam (Zhang Ziyi), que aliás é entendida por todos – alguém entendeu o motivo disso? – além dos acontecimentos bizarros que desafiam a física sem o mínimo desenvolvimento e as gratuitas aparições de monstros no planeta Terra.

Crítica: The Cloverfield Paradox

Como se todos os problemas mencionados acima não fossem suficientes, ainda há o detalhe da inclusão de alívios cômicos desnecessários que impedem que o clima de tensão do terror/sci-fi alcance seu potencial. Soluções estapafúrdicas e um final cheio de vergonha alheia também estão presentes na história.

Quanto ao elenco, os únicos destaques que temos são as atuações de Daniel Bruhl, Gugu Mbatha-Raw e Elizabeth Debicki, sendo que os seus personagens são de longe os mais interessantes e contam com as melhores performances, porém o roteiro não ajuda muito a desenvolvê-los da melhor forma. Gugu Mbatha-Raw como Ava Hamilton, possui conflitos internos e externos, tanto relacionados à sua família, como aos casos vividos na estação, ela é a protagonista da história e quase sempre traz muitos questionamentos e dramas. Debicki faz Mina Jensen, enquanto Bruhl vive Schmidt, ambos são intrigantes e de atitudes duvidosas, além de movimentarem a trama, mas as suas respectivas funções se resumem a isso, não existem camadas e nem ao menos motivações.

Quanto a direção de fotografia foi feito um trabalho bom levando em conta todas as possibilidades ao redor, como nas sequências espaciais, com grandes movimentos e ângulos diferentes, planos sequências e alguns travellings introduzindo um ar grandioso que misturado aos efeitos e aos tons de azul e violeta ajudam a compor um visual sci-fi sofisticado e que não é tão modular, alternando ainda entre sombras e uma iluminação consistente. Já no planeta terra, no entanto, falta criatividade e nota-se um padrão de terror escuro, cheio de sombras e contrastes que já foi visto em diversos outros longas.

A direção de arte é mais padronizada, e isso não é um elogio, pois somos apresentados a trajes espaciais genéricos que você com certeza já presenciou em séries de TV do SyFy, além de alguns aparelhos científicos básicos de produções do tipo, mas nada que nos ajude a identificar a marca desse universo. Como série de TV funcionaria muito bem, mas falamos aqui de um filme, então a história é outra e isso demonstra mais uma grande falha dessa produção.

Crítica: The Cloverfield Paradox

Julius Onah é quem dirige o longa e, parece até estranho dizer isso, mas apesar dos erros, a produção é muito bem conduzida e consegue trazer tensão e muito estilo em seu primeiro ato, apenas faltou um olhar mais atento para suavizar os vários problemas que surgem do meio para o fim do filme.

Ainda preciso comentar da trilha de Bear McCreary, impactante, sinistra e original, é ela que auxilia profundamente o início carismático da história.

“The Cloverfield Paradox” falhou em tudo que prometeu, entregando um produto que não corresponde ao talento dos envolvidos e a todo o colossal mundo criado durante anos e anos. Faltou bom senso, muitas revisões no roteiro e, acima de tudo, cuidado na hora do desenvolvimento. Agora resta aguardar para que o próximo longa consiga tirar da nossa memória os acontecimentos bizarros dessa produção.