Os gamers desenvolveram um grande receio pelas produções cinematográficas que adaptam jogos para o cinema, Resident Evil, Doom, Mortal Kombat são alguns dos nomes dos inúmeros filmes que arruinaram potenciais franquias.

Contudo, nos últimos anos nós tivemos algumas surpresas como Angry Birds, Need for Speed e Assassin’s Creed que, apesar de não terem alcançado um grande sucesso, já demonstraram uma certa evolução em relação as obras do passado.

Crítica: Tomb Raider: A Origem

Finalmente, em 2018, chegou o momento do lançamento de Tomb Raider: A Origem, reiniciando a franquia que antes foi adaptada com Angelina Jolie, enquanto agora segue o reboot dos games feito em 2013 com Alicia Vikander no papel da heroína desbravadora, Lara Croft.

A trama do novo longa acompanha a vida de Lara Croft (Alicia Vikander), que em busca de respostas sobre o desaparecimento de seu pai (Dominic West), ela embarca em uma aventura para uma misteriosa ilha com auxílio do capitão Lu Ren (Daniel Wu). No entanto, lá ela fica à mercê do perigoso Mathias Vogel (Walton Goggins) e agora precisará sobreviver por si só nesse ambiente inóspito.

A premissa do roteiro feito por Evan Daugherty e reescrito por Geneva Robertson-Dworet é bastante simples e comum, trata-se da clássica trama de uma organização atrás dos segredos acerca de uma lenda antiga. No meio disso temos o crescimento e amadurecimento de Lara através dos perigos que passa para se reconectar com o pai desaparecido, entretanto, graças ao carisma de Lara, eles conseguem de desvincular do tom “Indiana Jones” e trilhar um caminho mais pessoal, focado na sobrevivência da jovem, da mesma forma que o game de 2013 havia feito anteriormente.

Um dos pontos que mais agradaram é que antes de embarcar na aventura nós conhecemos em detalhes os relacionamentos humanos da personagem e descobrimos as várias facetas da personalidade dela, um fator que nos ajuda a termos empatia pela heroína e torcer pelo seu sucesso.

Crítica: Tomb Raider: A Origem

Ainda assim, a história contém certas falhas em sua estrutura, pois por mais que obtenha um bom desenvolvimento para a protagonista, o pai, Richard Croft e, principalmente o vilão, Mathias Vogel, deveriam ter tido um maior aprofundamento na trama, tais personagens são curiosos e interessantes, mas contém funcionalidades meramente narrativa para a jornada de Lara.

O destaque total do filme ficou para Alicia Vikander, a atriz mergulhou em sua personagem e fez da Lara uma mulher independente, esperta, divertida e corajosa, que além de tudo ainda consegue expor drama e sensibilidade, principalmente nas relações que possui com Lu Ren vivido por Daniel Wu e seu pai interpretado por Dominic West.

Walton Goggins também está muito bem no longa, conseguindo nos passar a sensação de ameaça, assim como o desespero de um homem perdido há tempos na ilha, porém ainda faltam elementos no roteiro para que ele se desenvolva de maneira adequada.

Daniel Wu e Nick Frost tem muito carisma em cena, Wu é um relutante capitão bêbado que descobre uma conexão com a jornada de Lara, enquanto Frost é um bom alívio cômico que surge em dois momentos da produção.

A direção de fotografia é muito boa, os ângulos e movimentos foram muito bem construídos nas empolgante e alucinantes sequências da ilha que é uma das melhores partes do filme, alternando entre tomadas aéreas, handycam e zoom com um bom equilíbrio entre cada um dos recursos. Apesar de tudo, a cena do acidente no meio do mar, por exemplo, ainda é um tanto confusa e o CGI se tornou bem evidente naquele momento.

No que diz respeito ao visual, usa-se tons de marrom e verde para o ambiente da ilha, já em Londres cores destacadas e vivas no geral para nos ambientar do local.

Quanto à arte, temos uma boa direção, com figurinos bem montados para diferentes personagens, como a rebelde Lara e o desleixado Lu Ren, seja pelas roupas condizentes com cada personalidade ou pela forma como elas se sujam e se rasgam conforme eles sofrem no decorrer da história.

Crítica: Tomb Raider: A Origem

Os cenários também possuem uma boa construção, é possível sentir bem as dimensões da ilha e seus diversos ambientes diferenciados, repletos de florestas, rios e ruínas por todo o cenário. O mesmo ocorre com Londres e suas locações diversas, como na empresa da família de Lara e o porto de navios onde vemos Lu Ren, no entanto, faltou nos fornecer mais detalhes à respeito da Mansão Croft que não foi muito explorada.

A direção de Roar Uthaug também está ótima, direciona bem a personagem e a ação na medida certa, entregando uma grande aventura para o público com pontuais momentos de humor e muita tensão na luta constante da jovem Lara para sobreviver na ilha.

Tomb Raider: A Origem se destoa de elementos do jogo, possui falhas na estrutura do seu roteiro e até mesmo alguns deslizes técnicos, mas ainda assim, oferece uma divertida aventura, cheia de ação e com uma heroína carismática e imponente, incorporando o espírito da jornada de sobrevivência e de autoconhecimento do jogo e ainda encaixando momentos clássicos do game de forma substancial e sem soarem aleatórios.

REVIEW OVERVIEW
Roteiro
7
Direção
8
Atuações
8
Direção de Fotografia
8
Direção de Arte
7
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Otávio Renault
Nascido em São Joaquim da Barra interior de São Paulo, sou um escritor, cineasta, fotógrafo, desenhista e autor na Cine Mundo, além de um cinéfilo fã de Quentin Tarantino, J.J. Abrams, Neil Gaiman, viciado em séries e leitor de quadrinhos/mangás.