Havia diversas dúvidas ao redor da produção de “Toy Story 4”, afinal a conclusão do terceiro filme foi uma das mais memoráveis do cinema moderno e ao amadurecer a trama assim como o seu público, o longa se tornou um marco entre as animações, o que lhe garantiu diversas indicações no Oscar e o levou até os prêmios de Melhor Canção Original e Melhor Filme de Animação.

Contudo, o diretor Josh Cooley e os roteiristas John Lasseter, Andrew Stanton, Lee Unkrich e Pete Docter conquistaram um feito notável ao optarem por não repetir nenhuma das fórmulas ou conceitos do terceiro capítulo e, ao invés disso, eles desenvolverem um filme que fizesse paralelos nostálgicos, mas que também buscasse um caminho novo e um tanto inovador para a sua narrativa.

Crítica: Toy Story 4

A trama acompanha Woody que está lidando com uma nova crise existencial, afinal ele sempre teve certeza sobre o seu lugar no mundo e que sua prioridade é cuidar de sua criança, seja Andy ou Bonnie. Mas quando Bonnie adiciona um relutante novo brinquedo chamado “Garfinho” ao seu quarto, uma aventura na estrada ao lado de velhos e novos amigos mostrará a Woody o quão grande o mundo pode ser para um brinquedo.

Partindo dessa premissa, o arco dramático de Woody mostra que o personagem tem vivido constantemente com lembranças e com muito apego a sua relação com Andy, isso tudo faz que com ele se empenhe ao máximo para ajudar Garfinho a tornar Bonnie feliz com ele, mas Garfinho a princípio acredita ser apenas lixo e não sabe como lidar com sua realidade atual, transformado em brinquedo.

Woody nos é reapresentado com uma certa profundidade, mas envolvido em uma aventura empolgante e engraçada, ele sempre se viu como um brinquedo de Andy e agora seus anseios, medos e dúvidas sobre sua vida atual se tornam constantes e abalam o estado emocional do protagonista de uma maneira incrivelmente humana, o que o leva nessa jornada complexa onde ele toma para si a missão de ajudar o Garfinho como a única maneira de poder viver e ser feliz.

Entretanto esse caminho é tomado por incidentes e coincidências que os fazem embarcar em uma aventura cheia de diversão e que apresenta um encontro com novos brinquedos como Coelhinho, Duke Caboom, Gabby Gabby e o tão aguardado reencontro com Betty.
Betty agora está em uma versão muito sábia, empoderada e divertida, algo que com certeza deve servir de inspiração para diversas meninas e mulheres nos próximos anos. A personagem nos traz questionamentos e cenas emocionantes com Woody, que não desrespeitam os filmes anteriores, mas expande a relação entre os dois.

O roteiro soube como equilibrar seus momentos mais calmos e aconchegantes onde se trabalha a nostalgia e o drama no primeiro ato e depois a produção ganha um tom mais rápido e empolgante, na qual é explorada a entrada dos novos personagens e a escala de suas ações envolvendo um parque e o tamanho dos brinquedos, além de manter um bom equilíbrio entre personagens como Buzz, Jessie, Woody e Betty.

Crítica: Toy Story 4

A dublagem também deve ser bem ressaltada, pois não erra nessa animação e deram um ótimo trabalho em performances de Woody, Garfinho e Betty, os três personagens são fundamentais para a trama e a vozes trazem carisma e dão tom adequado de drama e humor necessário para a história.

Claro que ainda temos ótimas e hilárias participações de Buzz e Jessie e de outros como a dupla estranha e carismática formada por Coelhinho e Patinho, o canastrão, doce e perturbado Duke Caboom e a aterrorizante, porém sensível Gabby Gabby que acaba por ser uma das maiores surpresas de “Toy Story 4”.

O design da animação e a tecnologia colocada para dar vida aos personagens é um dos destaques do filme, Woody, Buzz Betty e vários outros tem muitas camadas de profundidade e textura realistas, isso tudo torna a imersão do público ainda maior que nos longas anteriores, isso se deve, é claro, a evolução das técnicas do estúdio de 1995 para 2019. Mas o que mais impressiona é como usam isso à favor da narrativa, os ângulos e movimentos das cenas juntamente com toda essa ideia de brincar explorar as dimensões do que são feitos esses brinquedos e o tamanho deles em relação aos cenários é um diferencial gigantesco, trazendo algumas cenas de encher os olhos com Betty ou Buzz em ação por vários momentos do filme.

“Toy Story 4” é um filme que se mostrou extremamente essencial tanto para a Pixar como também para o público e que pode ter deixado algumas portas abertas para futuras sequências, afinal brinquedos como Woody, Buzz, Betty e companhia são ícones atemporais e podem permanecerem em uma prateleira por muito tempo.


Trailer:

REVIEW OVERVIEW
Roteiro
9
Direção
9
Dublagem
10
Direção de arte
10
Direção de fotografia
10
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Otávio Renault
Nascido em São Joaquim da Barra interior de São Paulo, sou um escritor, cineasta, fotógrafo, desenhista e autor na Cine Mundo, além de um cinéfilo fã de Quentin Tarantino, J.J. Abrams, Neil Gaiman, viciado em séries e leitor de quadrinhos/mangás.