Tubarão (Jaws) é um dos clássicos determinantes do gênero terror e que deu inicio à uma safra de filmes com tubarões assassinos que passaram a ganhar espaço nos anos seguintes. Mais do que um divisor de águas dentro do gênero, o longa também criou todo o conceito de Blockbuster de verão, algo que hoje é extremamente comum em Hollywood.

Na história conhecemos uma ilha popular por suas belas prais, mas que acaba tendo seu visual acolhedor comprometido pelo medo e terror que se instala por conta de dois macabros ataques de tubarão. Martin Brody (Roy Scheider), o chefe da policia decide fechar as prais para investigar e solucionar o problema, porém o prefeito Hooper (Richard Dreyfuss) não aceita a ideia e prefere manter o espaço aberto, afinal estão em uma alta temporada de turismo.

Crítica: Tubarão

De um lado temos um homem que preza pela segurança de todos e do outro um prefeito irresponsável e que se preocupa apenas com o lucro. Esse é o primeiro grande conflito da história, desenvolvido com delicadeza e apresentando cada pequena camada de Brody, um policial dedicado e que possui uma relação muito forte com a sua mulher e seus filhos.

Além dessa dupla, ainda temos o pescador Ben (Craig Kingsbury), que se propõe a caçar o tubarão sozinho caso aceitem paga-lo, e o especialista Alex (Jeffrey Voorhees). Os dois acabam criando uma rivalidade, pois temos um trabalhador braçal que aprendeu muito com a vida e um jovem estudioso que passou um longo período estudando essas criaturas marinhas. Ambos contam com uma personalidade forte e um ego elevado, portanto eles demoram bastante para aceitar a ideia de que terão que trabalhar em equipe para caçar o perigoso tubarão.

O roteiro do filme é inteligente e sabe o momento certo de trabalhar seus personagens e a hora de aprofundar a sua atmosfera de terror e suspense, mérito que também deve ser atribuído ao exímio trabalho de direção executado por Steven Spielberg, colocando a sua marca com personagens profundos e conflitos complexos, alinhados à um cenário de terror que ele não tinha explorado até então.

O elenco, apesar de não contar com nenhum nome super conhecido e premiado, ainda tem ótimas performances pautadas em diálogos minunciosamente construídos e, novamente, pela direção excelente de Spielberg. O destaque e as melhores interpretações são expostas durante as interações, seja do xerife Martin com a esposa Ellen (Lorraine Gary), ou da rivalidade entre Ben e Alex.

Crítica: Tubarão

Falar sobre Tubarão e não mencionar a sua trilha sonora emblemática é totalmente impossível. Não bastando os diversos méritos da produção, o filme ainda conta com uma canção original assustadora que consegue criar uma atmosfera arrepiante, deixando o público mais fragilizado e suscetível a possíveis sustos que podem vir a seguir.

Por fim, os efeitos especiais também merecem uma menção, afinal trata-se de um filme dos anos 70 e que conta com um excelente trabalho de caracterização, maquiagem e pós produção. Algo que mesmo hoje em dia, ainda é aceitável e não compromete a experiência.

“Tubarão” é um clássico do cinema, uma obra-prima de um diretor eclético e talentoso que consegue transitar por diferentes gêneros e deixar a sua marca registrada em cada um deles. Ainda que tenha sido promovido e lembrado como um clássico do terror devido ao seu impacto na época, o filme vai muito além disso e explora com muita sutileza, as mais variadas camadas do comportamento humano, seja em um âmbito familiar como o caso do protagonista com a sua família, ou em uma esfera mais profissional, como observamos durante o terceiro ato da história.


Trailer:

REVIEW OVERVIEW
Roteiro
9
Direção
10
Atuações
9
Direção de Arte
10
Direção de Fotografia
9
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Guilherme Soares
Criador e editor da Cine Mundo, diretor, roteirista e crítico de cinema. Viciado em séries, com um carinho especial pela eterna Six Feet Under e Buffy The Vampire Slayer.