Chegamos enfim ao terceiro capítulo da franquia “Tubarão”, produção que deu continuidade ao universo que se firmou como um dos maiores blockbusters do cinema.

A sequência lançada em 1983 tem pouquíssimas ligações com os filmes anteriores ao nos contar a história situada no parque marítimo Sea World, na Flórida que é invadido por uma imensa fêmea de tubarão branco e seu filhote. Quando ele morre, a mãe enlouquece e passa a atacar funcionários e visitantes do parque.

O roteiro é de Richard Matheson e Carl Gottilebe, baseado na história de Guerdon Truebllod e se mostra um tanto raso e com vários excessos, porém estabelece um bom ritmo do suspense e apresenta uma introdução interessante na trama.

Crítica: Tubarão 3

O suspense se foca em três núcleos que se cruzam no meio do caos, um deles ao redor de Michael “Mike” Brody (Dennis Quaid), filho do personagem de Roy Scheider dos longas anteriores que foi trabalhar no parque aquático Sea World, ao lado de sua namorada, a bióloga marinha Dra. Kathryn Morgan (Bess Amstrong), ambos gerenciados pelo inescrupuloso e caricato Calvin Bouchard (Louis Gosset Jr.).

É a partir daí que presenciamos as mortes que dão início à uma sucessão de eventos de terror, além disso também acompanhamos um arco envolvendo o irmão de Brody, Sean (John Putch) que desenvolve um romance com a divertida esquiadora Kelly (Lea Thompson) enquanto convive com o peso dos acontecimentos finais de “Tubarão 2”.

Há ainda alguns pequenos debates a respeito da ganância em usar o tubarão para promover o parque como atração e até mesmo na bizarra ideia de matá-lo em frente às câmeras, tudo isso impulsionado pelo caçador Philip FitzRoyce (Simon MacCorkindale).

No entanto, é do meio para o fim que trama começa a cair em vários clichês e situações forçadas e o bom equilíbrio entre os núcleos começa a se atrapalhar fazendo a produção perder a boa estabilidade que possuía até então, culminando na risível e bizarra conclusão do longa.

O elenco tem vários nomes como Bess Armstrong, Louis Gossett Jr., Lea Thompson, Simon MacCorkindale e Dennis Quaid, contudo quem se sobressai é Thompson, Armstrong e Quaid e os destaques negativos são Gossett Jr. como Calvin e MacCorkindale como FitzRoyce, ambos trazendo personagens extremamente forçados e que tiram um pouco do clima de tensão.

John Putch atua bem, mas o filme é de Dennis Quaid e Bess Armstrong como o casal formado por “Mike” Brody e Dra. Kathryn Morgan, que são responsáveis por alavancar constantemente a história e que, com um roteiro melhor, poderiam ter feito muito mais. Lea Thompson também se destaca, apesar de estar presente apenas para cenas de terror, já se mostrou carismática e divertida e com certeza também poderia ter sido mais explorada na produção se tivesse um material melhor para trabalhar, mas ali, em seu começo de carreira, a atriz já demonstrou um grande talento para o cinema.

A direção de fotografia tem lá seus momentos que homenageiam a franquia e os clássicos planos e seus movimentos que criam a icônica tensão e mexem com a expectativa e o psicológico do público, mas não há muita originalidade, pois tudo soa como tentativas de emular ideias do filme original, falta credibilidade e o resultado final é comprometido.

Na sua direção de arte não há nada muito fora do comum, com figurinos adequados, não apenas as personalidades de cada personagem, como também a suas classes e cargos dentro do Sea World. Enquanto os cenários são todos bem básicos e deixam o gosto de que poderiam ter aprofundado mais o ambiente diferente de um parque aquático dentro dos conceitos da franquia.

A direção de Joe Alves é estável e extrai boas atuações do elenco além de injetar um bom dinamismo dos acontecimentos do filme, no entanto, vários erros de produções são visíveis como o do exagero da computação gráfica que gerou efeitos digitais pavorosos que terminaram por envelheceram muito mal o longa, dando um visual ridículo e cômico em diversas ocasiões, além é claro, das terríveis cenas que simulam efeitos 3D nas telas que são um verdadeiro show de horrores para o público.

“Tubarão 3” é um filme mediano, com boas intenções e conceitos interessantes sustentados por um elenco seguro e carismático que nos leva adiante no desenrolar da história. No entanto, acabou sendo prejudicado por grandes defeitos no uso descontrolado das inovações digitais daquela época, não chega a ser um fracasso a ponto de afundado a franquia, mas também está bem longe do patamar alcançado pelos dois longas anteriores, deixando assim um gosto meio amargo na boca dos fãs.


Trailer: 

REVIEW OVERVIEW
Roteiro
5
Direção
5
Atuações
7
Direção de Arte
3
Direção de Fotografia
5
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Otávio Renault
Nascido em São Joaquim da Barra interior de São Paulo, sou um escritor, cineasta, fotógrafo, desenhista e autor na Cine Mundo, além de um cinéfilo fã de Quentin Tarantino, J.J. Abrams, Neil Gaiman, viciado em séries e leitor de quadrinhos/mangás.