Uma Dobra No Tempo é mais um fracasso infanto-juvenil lançado pela Disney, que em 2015 nos entregou o pífio Tomorrowland – Um Lugar Onde Nada é Impossível, e agora conseguiu surpreender até as mais baixas expectativas de seu público.

Na história acompanhamos a jornada de Meg (Storm Reid) que tenta lidar com o desaparecimento de seu pai, Mr. Murry (Chris Pine), um ambicioso cientista que estudava as variantes da origem do universo. Criada pela mãe, a também cientista, Mrs. Murry (Gugu Mbatha-Raw), e seu irmão Charles Wallace (Deric McCabe), Meg precisa aprender a conviver com a dor da perda e as dificuldades da adolescência. Quando a esperança já estava se esgotando, a inesperada visita de Mrs. Whatsit (Reese Witherspoon), faz com que Meg, seu amigo Calvin (Levi Miller), e o pequeno Charles, embarquem em uma aventura no intuito de encontrar seu pai e restabelecer o equilíbrio do universo.

Crítica: Uma Dobra No Tempo

Com a premiada Oprah WinfreyMindy Kaling completando o elenco dessa aventura, é difícil criar expectativas baixas para a produção. No entanto, nenhum nome de prestigio consegue suprir a escassez de carisma da protagonista vivida por Storm Reid. A jovem tem potencial para se desenvolver, mas claramente demonstra não estar preparada para assumir um papel principal, diferente de todo o elenco coadjuvante, no qual mesmo os mais jovens como Levi Miller e Deric McCabe já demonstram estarem mais bem preparados e acabam ofuscando a colega.

O roteiro é adaptado da obra de mesmo nome escrita por Erico Assis e Madeleine L’Engle e, embora o filme seja, em sua maioria, fiel ao livro, ainda é notável uma tentativa de suavizar o texto mais do que ela já era e a consequência fica evidente nos diálogos nada sutis. Ouvir Meg referindo-se ao irmão sempre pelo nome completo (Charles Wallace), pode funcionar no livro na hora de impor a figura inteligente do garoto, mas em uma obra cinematográfica beira ao ridículo.

O desenvolvimento da história não chega a ser enrolado, mas é inegável que o longa perde mais tempo apresentando os personagens e contextualizando o público do que colocando a protagonista em situações empolgantes dentro da aventura. Quando você realmente percebe que a jornada de Meg começou, o filme já está próximo do fim.

Os figurinos são bem convencionais e caricatos na forma como representam os humanos do nosso mundo, enquanto que na hora de apresentar as “entidades magicas” ele aposta em cores vivas e excessos visuais que passam longe de tornarem-se marcantes. Visualmente, a magia que a história promove é pouco explorada e quase nunca se arrisca em novidades, dando a impressão de que estamos diante de retalhos de outros filmes de fantasia, como o Alice No pais das maravilhas de 2010.

Crítica: Uma Dobra No Tempo

Assim como na direção de arte comentada acima, a fotografia de Um Dobra No Tempo também não se arrisca em nenhum momento, entregando uma decupagem conservadora e reciclada de outros filmes do gênero.

A diretora Ava DuVernay, conhecida por grandes sucessos como Selma: Uma Luta pela Igualdade e o documentário A 13ª Emenda, parece bastante empenhada em entregar um filme representativo para os jovens entre 8 e 12 anos, mas acaba sendo prejudicada pelo material raso e mal adaptado pelos roteiristas de sua equipe.

Faltou carisma, faltou ousadia, faltou magia. Uma Dobra No Tempo carrega consigo uma história importante e representativa que deveria ser prestigiada por diversas crianças, mas em sua execução não conseguiu sair da mesmice e terminou em um filme esquecível até mesmo para os mais novos. Talvez o longa fosse mais bem aproveitado se tivesse sido lançado diretamente na televisão, no Disney Channel, mas como um produto de cinema, é apenas mais um na bilheteria.


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