“Venom” chegou aos cinemas na última quinta-feira (04), e muitos fãs estão com grandes expectativas para a história solo desse anti-herói. No entanto, o filme é bem diferente de outros que nós já vimos antes.

No longa, o jornalista investigativo Eddie Brock (Tom Hardy) acaba sendo vítima de sua própria ambição quando burla algumas regras para tentar investigar uma empresa de caráter duvidoso. Agora, desempregado e vivendo de forma precária, ele decide retornar a sua investigação por conta própria, no intuito de recuperar a sua carreira, porém ele acaba sendo infectado por um parasita alienígena que toma controle do seu corpo e o transforma no anti-heróis que todos nós conhecemos muito bem.

Crítica: Venom

O filme é uma história de origem e traz consigo todos os clichês do gênero, tendo um início enrolado e personagens avulsos até que o protagonista finalmente se torna quem nós esperamos ver. Porém, a diferença é que Venom não segue a estrutura de ação e aventura, longe disso, ele apela para vários estilos diferentes e parece não ter uma coerência ou proposta bem definida.

Diferente do colega “Deadpool”, essa é uma comédia que funciona por conta dos esforços de Tom Hardy que é extremamente carismático, e o restante das risadas acabam surgindo em decorrência das próprias falhas grotescas do filme. Em alguns momentos o longa até nos lembra do recém lançado “O Predador”, mas diferente desse, “Venom” parece não conseguir se decidir se pretende se apoiar completamente no humor trash ou tentar apresentar uma proposta séria.

Os personagens do longa mudam de personalidade frequentemente, inclusive o próprio simbionte que diz querer destruir o mundo, momentos depois, decide que quer salvá-lo. As motivações não se sustentam, e tudo beira a vergonha alheia.

No entanto, como dito anteriormente, é Tom Hardy que faz tudo ficar divertido de se assistir, principalmente por conta da sua interação com o seu “parasita”, afinal os dois criam uma relação de amizade que em sua própria concepção já é bastante bizarra, mas acaba rendendo diversos diálogos hilários.

A ausência do Homem-Aranha para servir como antagonista ao Venom, faz com que o filme fique carente de um grande conflito. Para suprir essa lacuna é criada uma justificativa rasa que coloca o protagonista lutando contra outro alienígena, sem qualquer motivação pré estabelecida ou uma justificativa realmente convincente.

No final das contas, o maior problema de “Venom” é não saber qual gênero ele irá trabalhar e qual caminho irá seguir com a sua história. Parece que o seu roteiro foi escrito em diversos pedaços, por pessoas diferentes e apenas juntaram tudo isso em tela. Acredito que para os fãs pode ser uma completa decepção, enquanto para aquele cinéfilo mais descompromissado vai acabar se entregando e rindo muito, nem que seja de vergonha.


Trailer:

REVIEW OVERVIEW
Roteiro
3
Direção
5
Atuações
6
Direção de Arte
4
Direção de Fotografia
4
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Guilherme Soares
Criador e editor da Cine Mundo, diretor, roteirista e crítico de cinema. Viciado em séries, com um carinho especial pela eterna Six Feet Under e Buffy The Vampire Slayer.