“Z – A Cidade Perdida” é mais um filme de explorações que tenta ser autêntico, mas acaba falhando no meio do caminho. O longa dirigido por James Gray, testa o público com um roteiro repetitivo e cansativo. Será que compensa o ingresso?

Nessa trama baseada em fatos reais, conhecemos o explorador britânico Percy Fawcett (Charlie Hunnam), que viaja para a Amazônia em meados do século XX, a fim de encontrar uma suposta civilização que habita a região. De imediato ele é ridicularizado por todos ao seu redor, mas suas convicções aos poucos vão convertendo mais e mais seguidores.

Como sugerido acima, o primeiro erro do longa está em seu roteiro. A história foca na investigação e força de Percy nessa caminhada rumo ao desconhecido, no entanto, para enfatizar as dificuldades vividas por ele, o roteiro repete o processo da viagem até atingir a exaustão. O personagem segue mata a diante, falha, retorna para casa, volta para a expedição. Esse looping infinito não só é exaustivo para o público como também pobre de criatividade, uma vez que os acontecimentos são quase sempre iguais e parecem uma tentativa pífia de esboçar as dificuldades do protagonista em alcançar seus objetivos.

Por outro lado, o roteiro mostra sabedoria ao desenvolver a relação familiar de Percy com a esposa e seus filhos, que é extremamente turbulenta por conta de suas viagens constantes e total ausência no dia a dia das crianças. Esses pequenos momentos não só colaboram na construção do personagem principal como nos entrega uma dimensão maior da sua intimidade.

Felizmente, o elenco é um grandioso destaque sem exceções. Charlie Hunnam é extremamente carismático e se conecta facilmente com o público, mesmo que seu personagem possua uma conduta duvidosa. Robert Pattinson está simplesmente irreconhecível no papel de “Henry Costin”, o braço direito de Percy. Provavelmente ainda iremos ouvir muito sobre o trabalho de Pattison esse ano, já que ele tem sido um dos atores mais elogiados no festival de Cannes. Sienna MillerTom Holland compõem o núcleo familiar e conseguem transmitir todo o desespero da família que transita entre o apoio e o medo.

A direção de fotografia, bem como a pós produção, caem em exageros de contraste e saturação em determinados momentos, o que acaba suscitando uma estética mais cabível em uma animação da Disney, e não em um filme de aventura propriamente dito. Apesar dessas pequenas inconveniências estéticas, o filme consegue se sobressair através dos planos intimistas que nos dão a devida profundidade em relação aos personagens nesse momento conflituoso rumo a novas descobertas.

A direção de arte não sai muito do esperado para um filme de época. Temos aqui cenários bem construídos, figurinos coesos e hábitos culturais muito bem estudados na hora de compor o visual da produção, contudo, não há a ousadia necessária para que possamos gravar ou até mesmo refletir sobre a tecnita, pois a mesma é apenas suficiente e nada além disso.

O diretor James Gray perde a chance de driblar a repetição do texto com boas doses de originalidade e adrenalina em sua condução, mas longe disso, o que ele faz é tornar esse roteiro ainda mais cansativo e pouco atrativo. Seus acertos ficam na hora de desenvolver as relações interpessoais, sejam elas entre o protagonista e seu grupo durante a expedição, ou com os seus familiares durante as suas rápidas estadias em casa.

“Z – A Cidade Perdida” exagera no visual e se perde em sua narrativa fraca e redundante, por fim, o que salva o longa e agrega um frescor gratificante é o elenco talentoso e carismático que se dedica ao máximo para tornar essa obra marcante.

REVIEW OVERVIEW
Roteiro
6
Direção
6
Atuações
9
Direção de Fotografia
7
Direção de Arte
7
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Guilherme Soares
Criador e editor da Cine Mundo, diretor, roteirista e crítico de cinema. Viciado em séries, com um carinho especial pela eterna Six Feet Under e Buffy The Vampire Slayer.