“As Crônicas de Nárnia” e os altos e baixos da adaptação cinematográfica

“As Crônicas de Nárnia” foi um livro extremamente importante para a literatura fantástica e influenciou variados artistas por todo o mundo, no entanto não podemos dizer o mesmo de suas adaptações ao cinema. Agora iremos analisar com calma o que deu certo e errado na franquia e quais caminhos ela deve seguir nos próximos anos.

O Que Deu Errado?

Primeiramente falemos dos defeitos ao redor da empreitada da Disney em 2005, quando decidiram rivalizar com Senhor dos Anéis e Harry Potter ao resgatar a grande obra de C.S. Lewis e formarem uma equipe para transformar aquela história em uma série de filmes lucrativos, entretanto devido à seus erros as coisas não correram como o planejado pelo estúdio. Primeiramente vamos ao elenco escolhido, nessas histórias de fantasia percebe-se que escolhem a dedo garotos e garotas que não só esbanjam carisma como sabem se adequar aos personagens tanto no humor como no drama, conseguimos ver isso em Emily Browning como Violet Baudelaire em “Desventuras em Série” (2004), assim como enxergamos as mesmas qualidades na atuação de Daniel Radcliffe como Harry Potter na famosa saga de filmes desde “Harry Potter e a Pedra Filosofal” (2001), no entanto é aí que somos frustrados em “Crônicas de Nárnia: O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa” (2005), pois de quatro protagonistas só dois deles nos trazem um certo nível de carisma e intensidade e não da maneira adequada para o público geral e os leitores, seus efeitos exagerados e mal elaborados em CGI nos dão muito desgosto e pouco melhoram de uma produção para outra, além da direção que é um tanto automática faltando muita paixão ou respeito.

O Que Deu Certo?

Muito bem vamos falar algo sobre o que deu certo, apesar de haver pouco a se comentar, o filme conseguiu garantir um certo sucesso à produção e uma estabilidade como franquia entre 2005 e 2010. O que funcionou aqui foi a escolha do elenco de apoio com nomes como Peter Dinklage, James McAvoy, Liam Neeson e Tilda Swinton que enriqueciam e elevavam o valor técnico dos filmes com suas ótimas performances, além de terem colocado McAvoy e Dinklage em evidência em Hollywood, a franquia também nos trouxe sequências incríveis de ação e aventura e um universo promissor e carismático recheado das mais variadas criaturas mágicas.

Reboot a caminho?

Após elucidar um pouco sobre o que já foi feito vamos falar sobre as expectativas para o futuro já que os direitos da franquia passaram da produção de Walden Group e distribuição da Disney e Fox para a TriStar Pictures que faz parte do grupo da Sony e fará os novos filmes em parceria com a The Mark Gordon Company, a The C.S. Lewis Company e a eOne e juntas agora colocarão uma nova equipe para reiniciar a saga de Nárnia nos cinemas. Agora eles pretendem começar a partir do livro “A Cadeira de Prata”, o que levantou perguntas e teorias entre os fãs dos livros, pois mais uma vez escolheram uma ordem de adaptação duvidosa, pois visto que teriam oportunidade de enfim seguirem a ordem cronológica dos livros, começando pelo “O Sobrinho do Mago” ao invés da ordem usada que se iniciava pela aventura dos irmãos Pevensie em “O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa”, entretanto fomos surpreendidos pela notícia que seguiria do ponto de início em “A Cadeira de Prata”, história que narra uma aventura de Eustáquio, primo dos irmãos Pevensie que retorna a Nárnia junto de Jill Pole 70 anos depois de “A Viagem do Peregrino da Alvorada”. Podemos especular que primeiro estão buscando uma trama que nunca foi usada como possível forma de reafirmar a saga como marca da nova produtora, talvez por isso escolheram seguir com uma franquia que deve avançar e voltar no tempo com histórias paralelas no passado e no futuro, um elemento narrativo incomum e muito arriscado mas que dará ao universo de “Nárnia” carisma e características próprias, formato que também já está sendo usado no universo compartilhado dos heróis da DC da Warner, então será preciso aguardar para saber como será feito e como será a recepção do púbico.

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Otávio Renault
Nascido em São Joaquim da Barra interior de São Paulo, sou um escritor, cineasta, fotógrafo, desenhista e autor na Cine Mundo, além de um cinéfilo fã de Quentin Tarantino, J.J. Abrams, Neil Gaiman, viciado em séries e leitor de quadrinhos/mangás.