A história da Marvel Studios foi conturbada, pois quando eles criaram seu departamento pessoal de produções cinematográficas precisaram firmar parcerias com Universal e Paramount (algo que anos mais tarde geraria alguns problemas com os direitos do Hulk) e todo o peso do potencial universo caiu nos ombros de Robert Downey Jr. e Jon Favreau em Homem de Ferro.

O filme deveria ser fiel, barato, divertido e popular, um feito conquistado pela equipe o que proporcionou o lançamento de “O Incrível Hulk” e “Homem de Ferro 2”, mas foi apenas quando a Disney comprou o estúdio em 2009, que o universo ganhou força com novas produções sendo lançadas rapidamente para enfim alcançarem o primeiro sonho da Marvel, “The Avengers – Os Vingadores”, o filme que tornaria real o Universo Marvel e mudaria para sempre o conceito de blockbuster do cinema.

O universo compartilhado agora era real e lucrativo e isso ainda levaria por uma jornada longa até a aguardada conclusão em 2018 e 2019.

Falaremos aqui detalhadamente de cada fase da Marvel, mostrando como tudo foi pavimentado elabora para o grande crossover que chega aos cinemas no final desse mês.

 

Homem de Ferro (2008)

Tony Stark (Robert Downey Jr.), um egocêntrico e presunçoso comerciante de armas paga os preços por seus atos e, ao ficar preso por terroristas, ele não só consegue salvar sua própria vida, como também passa a enxerga o mundo de outra forma, o motivando a construir uma armadura e fazer o bem como o herói Homem de Ferro, mas para isso irá confrontará o seu rival Obadiah Stane (Jeff Bridges), que tenta a todo custo roubar a empresa para si e eliminar Stark.

Favreau dirige uma aventura com a dose certa de heroísmo, humor, ação e até com algumas pitadas de romance, mantendo-se muito fiel ao espírito das aventuras dos quadrinhos, além de pontuar referências como a aparição da SHIELD na trama. No entanto, quem brilha é Downey Jr. improvisando em quase todas as cenas e agregando um certo drama e carisma ao conturbado e divertido personagem que ele interpreta.

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  • Cenas pós-créditos: Ao final dos créditos somos apresentados ao diretor da SHIELD, Nick Fury (Samuel L. Jackson), que fala para Stark sobre a Iniciativa Vingadores, marcando o começo do primeiro arco dos Vingadores no cinema.

 

O Incrível Hulk (2008)

O cientista Bruce Banner (Edward Norton), após ser vítima do acidente com raios gama, passa seus dias isolado no Rio de Janeiro para fugir do Exército americano liderado pelo General Ross (William Hurt). Cinco anos depois ele encontra uma oportunidade de reverter tudo e voltar a ser uma pessoa normal, mas antes tem que enfrentar Abominável (Tim Roth), um oficial russo que testa o novo soro de super-soldado de Ross para recuperar o Hulk e extrair seu poder.

O filme apesar de algumas escolhas questionáveis de ritmo e de melodrama, mostra um Bruce Banner/Hulk que gera empatia, fiel às origens, vivendo em grande conflito interno e traz uma batalha épica entre Hulk e Abominável que é uma das melhores lutas do Universo Marvel até hoje.

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  • Cenas pós-créditos: Ao final temos um encontro de Ross com Stark (também é um dos primeiros erros de continuidade que foram corrigidos em um curta-metragem lançado depois chamado de “O Consultor”), Stark comenta sobre o soro e pontuam uma conexão com o futuro “The Avengers – Os Vingadores”.

 

Homem de Ferro 2 (2009)

Com o núcleo de paládio do reator deteriorando o corpo de Stark, ele precisa ainda resolver seu relacionamento com Pepper Potts (Gwyneth Paltrow), confrontar o governo e o rival empresarial Justin Hammer (Sam Rockwell), além de reviver o passado e sua relação com seu pai para a criação de um novo elemento e também para derrotar Ivan Vanko (Mickey Rourke) que quer se vingar da família Stark, paralelo à tudo isso Nick Fury (Samuel L. Jackson) está avaliando se Stark é o herói certo para a Iniciativa Vingadores.

A sequência manteve a qualidade do primeiro filme com muita aventura, humor ação, além de uma dose emocional. No entanto, aqui o longa sofre com o excesso de personagens e tramas, como a relação de Stark com a morte, o relacionamento com a Pepper, dois vilões, a apresentação da Viúva Negra (Scarlet Johansson) em um pequeno prólogo dos Vingadores e a parceria de Tony e Rhodes (Don Cheadle).

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  • Cenas pós-créditos: O Agente Coulson (Clark Gregg) que havia saído no meio do filme para resolver uma questão no Novo México encontra o martelo de Thor caído em uma gigantesca cratera conectando ao próximo lançamento da Marvel, Thor.

 

Thor (2010)

Prestes a assumir o reinado de Asgard, o inconsequente e jovem Thor (Chris Hemsworth) desobedece seu pai Odin (Anthony Hopkins) e se confronta com os Gigantes de Gelo, seu ato faz com que Odin o exile sem seus poderes e o martelo no planeta Terra. Lá ele conhece e se apaixona por Jane Foster, paralelo ao exílio, Loki (Tom Hiddleston) se aproxima de descobrir a verdade sobre suas origens e começa a ascender como um perigoso inimigo para todos ao seu redor.

Asgard é criada de maneira excepcional, uma mistura de antigo e alienígena que referencia aos quadrinhos, além do surgimento do maior vilão do Universo Marvel até hoje em uma incrível atuação de Tom Hiddleston como Loki. A produção infelizmente desperdiça o potencial fantasioso e épico da obra e se arrasta em uma trama cansativa de romance, na qual falta diálogos certeiros e uma melhor química do elenco.

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  • Cenas pós-créditos: A cena nos mostra o encontro de Erik Selvig (Stellan Skarsgard) com Nick Fury para estudarem o cubo cósmico, também chamado de Tesseract, uma fonte de poder infinito capaz de criar portais entre mundos. Contudo, é revelado que Selvig está sob controle de Loki, que de alguma forma sobreviveu aos eventos finais do longa.

Capitão América – O Primeiro Vingador (2011)

O fraco e bondoso Steve Rogers (Chris Evans), anseia por lutar e provar seu valor na 2º Guerra Mundial, rejeitado frequentemente, ele se candidata para o projeto experimental do “soro de super-soldado”, se transformando no Capitão América. Agora ele precisará guiar o exército e derrotar as forças da Hydra, organização que auxiliou os nazistas e era comandada pela Caveira Vermelha (Hugo Weaving), que usando o poder do Tesseract pretende dominar o mundo.

Capitão América consegue se desvincular um pouco do tom patriota dos primeiros quadrinhos, ao focar nos elementos por trás do patriotismo como a bondade e perseverança do herói em climão de aventura da sessão da tarde, com boas tiradas de humor e personagens carismáticos como Peggy Carter (Hailey Atwell) e Howard Stark (Dominic Cooper), um filme simples e previsível, mas que diverte e empolga muito bem.

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  • Cenas pós-créditos: O filme é o primeiro do estúdio a conter duas cenas pós-créditos, a primeira nos revela o despertar de Steve nos dias atuais e seu encontro com Nick Fury após ser congelado ao final da aventura, já a segunda cena era o primeiro teaser que foi lançado de “The Avengers – Os Vingadores” (2012).

 

The Avengers – Os Vingadores (2012)

Crônicas do Universo Marvel - Parte 1

Loki rouba de Nick Fury o Tesseract e com um exército chitauri ao seu comando, ele pretende dominar a humanidade e se vingar de seu irmão Thor, com o eminente caos, a SHIELD inicia a “Iniciativa Vingadores” e une Tony Stark, Bruce Banner, Thor, Capitão América e Viúva Negra para lutarem juntos contra o vilão, mas antes eles precisarão lidar com seus egos e diferenças.

Chegou o momento da Marvel Studios provar do que é capaz e para isso trouxeram o idolatrado Joss Whedon para roteirizar e dirigir o longa, inspirado no estilo visual de “Os Supremos” e em conceitos clássicos de leveza e aventura dos anos 60 da editora.

A produção usa seus atores como action figures, equilibrando diálogos certeiros que desenvolvem os personagens e fanservice na medida certa, apresentando em grande escala seu universo e os relacionamento entre os heróis, misturando gêneros como ação, humor e aventura e se apoiando nos elementos clássicos de seus super-heróis, como altruísmo e humanidade.

Seu estilo de filmagem simplório vindo das séries de TV deu à produção um certo clima de intimidade, criou cenas dignas de desenhos animados e mostrou o plano da Marvel Studios para seu universo em ação.

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  • Cena pós-créditos: A produção conteve mais uma vez duas cenas pós-créditos. Uma se trata da primeira aparição de Thanos, mostrando seu interesse em desafiar os Vingadores ao traçar uma comparação com o desafio de flertar com a morte, uma clara referência à sua relação com a entidade Morte das HQs. A segunda cena feita às pressas coloca o grupo de heróis logo após a batalha comendo shawarma em uma lanchonete, lanche que Stark menciona em um certo ponto do filme.
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Otávio Renault
Nascido em São Joaquim da Barra interior de São Paulo, sou um escritor, cineasta, fotógrafo, desenhista e autor na Cine Mundo, além de um cinéfilo fã de Quentin Tarantino, J.J. Abrams, Neil Gaiman, viciado em séries e leitor de quadrinhos/mangás.