A quarta e última temporada da série de maior sucesso da HBO Latin America, “O Negócio”, estreia hoje (18 de março), às 21h na HBO.

A temporada final conta com um total de 12 episódios e traz à tona diversas questões familiares e apresenta a luta de Karin para combater o preconceito contra as garotas de programa. Enquanto ela enfrenta os setores mais conservadores da sociedade, as outras meninas tentam realizar o sonho de Karin de construir um hotel de luxo.

À convite da HBO, nós tivemos a oportunidade de conversar com as quatro protagonistas da série, Rafaela Mandelli, Michelle Batista, Juliana Schalch e Aline Jones, além do ator Gabriel Godoy, os diretores, Michel Tikhomiroff e Julia Jordão e o vice-presidente de Produções Originais da HBO Latin America, Roberto Rios.

O Negócio

Drama e humor: Uma mistura inusitada

Conciliar os dois gêneros mais distintos da história é uma missão difícil, mas é exatamente o que O Negócio tem feito desde a sua primeira temporada. Durante a entrevista, a equipe nos contou um pouco mais sobre essa mistura inusitada e que tem sido determinante na série.

Michel Tikhomiroff (Diretor): “Esse tom único da série já vem muito bem equilibrado pelo roteiro. E a partir disso nós tentamos sempre ler o texto juntos e ensaiar as cenas várias vezes para alcançar o melhor resultado”. Questionado sobre o entendimento do sarcasmo do roteiro, ele acrescentou: “No inglês temos um termo chamado tone reading, que trata-se de uma leitura com os roteiristas, que nos guiam apontando os diálogos que contêm algum tom irônico ou sarcástico que poderiam passar despercebidos por nós“.

Julia Jordão (Diretora): “Nós estamos sempre conversando entre a gente para entender o tom de cada cena, pois é uma série na qual o tom é mais baixo e não é estereotipado. Então, tanto para a comédia quanto para o drama, nós tentamos seguir essa linha do equilíbrio”.

Gabriel Godoy (Oscar): “Por tratar-se de uma quarta temporada, como ator, é bem mais fácil, pois eu já conheço o meu personagem, a equipe e o estilo de texto que a gente vai trabalhar”.

Aline Jones (Mia): “Nessa questão do cômico e do drama, tem personagens que levam mais para um lado do que para o outro, então você precisa servir como escada para o colega. Se, por exemplo, quem vai fazer a piada é o Ariel e a Magali, então você precisa oferecer uma base para que esse humor surja em cena”. Michelle Batista, que vive a Magali, ainda complementou: “Você levanta a bola para o outro bater”.

Rafaela Mandelli (Karin): “Eu acho legal a forma como as duas coisas funcionam bem, pois às vezes a comédia chega de uma maneira mais fácil, mais aceita, mais leve, porém quando vem algo mais intenso e mais dramático, o público tem conseguido absorver da mesma forma. Isso pra gente é muito bom, pois podemos trabalhar com os dois gêneros”.

Roberto Rios: “O roteiro sempre foi construído assim, nunca foi para ser uma comédia em tempo integral ou um drama. A história da garota de programa já foi apresentada na TV e no cinema diversas vezes e em diferentes ângulos, então esse equilíbrio de gêneros foi uma forma diferente de abordar o tema”, encerrou o vice-presidente de Produções Originais da HBO Latin America.

Uma série de sucesso

A jornada de Karin, Luna, Magali e Mia não será lembrada apenas como uma série nacional bem executada, pois o seu sucesso ultrapassou as barreiras regionais e a história foi ouvida por diversas culturas, tanto na América Latina, como ao redor do mundo. O resultado do prestígio é o seu lançamento simultâneo em mais de 50 países.

Sobre a estreia mundial, a diretora, Julia Jordão, comentou: “Eu não esperava, isso foi uma grata surpresa pra gente. Nós tínhamos conhecimento da qualidade do material e do feedback que recebíamos ao redor do mundo através das redes sociais, mas não esperávamos esse número tão grande”.

Questionada sobre as principais diferenças entre a primeira e a última temporada, Julia respondeu: “Em termos de produção, a principal diferença é que elas ficaram mais ricas, então é um mundo mais glamouroso. O nosso grande desafio foi construir isso, deixando cada temporada com um visual mais sofisticado”, ela ainda acrescentou, “Se você pegar os figurinos da primeira temporada e colocá-los lado a lado com a última, irá notar uma mudança enorme”, concluiu.

O Negócio

Um novo olhar acerca das garotas de programa

Questionados sobre a representação feminina na série e como isso se difere das demais produções que abordam a prostituição, os diretores explicaram um pouco sobre o gênese do projeto.

Julia Jordão (Diretora): “A nossa bíblia, o roteiro, já entrega um respeito muito grande pelas personagens. Para mim como diretora, o grande desafio é encontrar o tom certo. No início da série enfrentamos polêmicas que diziam que nós estávamos incentivando a prostituição com a nossa história, sendo que na verdade, o nosso foco sempre foi incentivar a escolha da mulher e a sua liberdade”.

Michel Tikhomiroff (Diretor): “Eu não queria nenhum tipo de trejeito que poderia surgir caso as atrizes fizessem uma imersão no universo da prostituição. Eu busquei algo mais original, o oposto disso, então o laboratório que eu sugeri foi que elas passassem a frequentar os melhores restaurantes e hotéis de São Paulo. A referência que eu dei foi a de uma grande executiva, uma mulher de negócios, na qual o sexo entraria como um mero detalhe”.

Em seu primeiro ano, O Negócio contou com uma verdadeira aula de marketing dividida entre seus episódios, porém as estratégias foram ficando cada vez mais de lado nas temporadas seguintes. O diretor, Michel, acabou sendo questionado sobre o assunto e explicou: “O marketing foi um ponto de partida e a evolução natural foi chegar ao mundo dos negócios. Foi um primeiro passo no qual as protagonistas tentavam revolucionar a profissão delas, porém se elas continuassem apenas nisso, nós acabaríamos ficando engessados no assunto”.

O Negócio

O fim de uma jornada

Lançada em 2013, O Negócio rendeu quatro temporadas, penetrando no coração dos fãs ao redor do mundo e também dos membros da equipe, que trabalharam juntos por mais de 5 anos. Indagados sobre o fim dessa jornada, todos se emocionaram e demonstraram muito carinho pelo trabalho executado.

“Faz um ano e meio que eu estou tentando me despedir da série. Para nós da produção foram mais de 8 anos envolvidos nesse projeto. É um sentimento muito forte”, comentou Roberto Rios.

“Vamos sentir falta de tudo, não só da produção, da história, da personagem, tudo. Vamos sentir saudade de cada membro da equipe que está conosco desde a primeira temporada, dos atores que fizeram participações especiais… nós construimos uma família durante esse período”, comentou Juliana Schalch, a Luna da série.

“É uma sintonia muito forte, não é toda hora que a gente trabalha com uma equipe que tem todo esse entrosamento”, finalizou Michelle Batista.  

Aline Jones ainda mencionou um momento engraçado e particular, no qual ela ilustra a sua dificuldade para se desvincular de sua personagem: “Eu estava em um café com a Mixa [apelido da Michelle] e eu comentei – Mano, as coisas vão acontecer assim e assim com a sua vida e você vai pra esse lugar e… – foi então que eu percebi: caramba, eu estou prescrevendo o seu futuro, desculpa”, revelou a atriz, que na série vive Mia, uma jovem com inteligencia acima da média e que, muitas vezes, antecipa as atitudes das pessoas ao seu redor.

As três primeiras temporadas de O Negócio encontram-se disponíveis na HBO Go.


*Agradecimentos especiais: Equipe HBO Brasil, Agência Febre, e os colegas do Cinema Sim, Série Maníacos e Metropolitana FM, que dividiram a mesa com a gente.
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Guilherme Soares
Criador e editor da Cine Mundo, diretor, roteirista e crítico de cinema. Viciado em séries, com um carinho especial pela eterna Six Feet Under e Buffy The Vampire Slayer.