A estética fantástica de Guillermo Del Toro

Guillermo Del Toro é um importante diretor mexicano que vai ao oposto todas as expectativas, mergulhando contra a corrente existente em seu país, se transformando em um cineasta visionário que conseguiu redefinir o gênero.

Dotado de uma visão singular e poética do terror, fascinado por monstros, mitologia de Lovecraft e muito inspirado em clássicos góticos, Del toro trouxe originalidade no conceito visual de seus filmes com cenários sombrios, criaturas compostas por grandes técnicas de maquiagem e efeitos, além de inserir dentro da trama um ar fantasioso ou dramático ao gênero de terror.

 

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Guillermo Del Toro iniciou a carreira na década de 90 com modestos e criativos filmes como “Cronos” em 1993 e “Mutação” em 1997, mas o prestígio só veio nos anos 2000, quando em 2001 exercitou todo seu estilo e técnica de drama e horror com “A Espinha do Diabo”, um filme recheado de uma linda e pesada história de fantasmas, guerra e sofrimento.

Ele ainda haveria de crescer e inovar muito no mercado nos próximos anos, quando assumiria em 2002 a franquia “Blade” em seu segundo filme e assim começaria misturar sua visão de horror com quadrinhos e ação, algo que faria um pouco de tempo depois com sua adaptação de “Hellboy” em 2004 e consequentemente “Hellboy – O Exército Dourado” em 2008.

 

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Guillermo Del Toro se tornara então, um diretor diversificado nas mitologias de horror, usando suas habilidades em filmes artísticos e block-busters, sendo elogiado por críticos e aclamado pelo público jovem.

Após algum tempo Del Toro retornou em 2006 para seus dramas de horror ao trabalhar em “Labirinto do Fauno”, uma fábula sombria sobre os tempos da guerra civil espanhola, um filme que apresenta muitas semelhanças com a historia de A Espinha do Diabo, mas que demonstra uma grande evolução do diretor, lhe rendendo novamente diversos elogios e popularidade.

 

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O diretor passou então um tempo entre projetos cancelados e engavetados, onde acabou agindo mais como um produtor do que como diretor, estando por trás de filmes como o remake “Don’t Be Afraid of The Dark”, e “O Orfanato”, dotados de roteiros curiosos cheios de semelhanças com o estilo dele.

 

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E então em 2013, ele retornou com a audaciosa produção “Círculo de Fogo”, uma homenagem aos filmes de monstros japoneses, e voltou também ao seu habitual horror gótico em 2015, com “Colina Escarlate”, grande produção estrelada por Jessica Chastain e Tom Hiddleston, que reúne na medida certa drama, suspense, romance, horror e fantasia em um épico gótico.

 

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Guillermo Del toro atualmente possui diversos projetos em andamento como “Círculo de Fogo 2”, onde estará agindo como produtor, uma versão stop-motion do clássico livro do “Pinóquio”, e um romance envolvendo monstros para 2017, “Shapes of Water”, além de ainda produzir a série “The Strain”, baseada em uma trilogia de livros escritos por ele que misturam ciência, terror e fantasia em um mundo pós-apocalítico de vampiros.

 

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Otávio Renault
Nascido em São Joaquim da Barra interior de São Paulo, sou um escritor, cineasta, fotógrafo, desenhista e autor na Cine Mundo, além de um cinéfilo fã de Quentin Tarantino, J.J. Abrams, Neil Gaiman, viciado em séries e leitor de quadrinhos/mangás.