É inegável que Steven Spielberg trouxe inúmeras obras primas de diversos gêneros para o cinema, mas uma de suas produções mais poderosas e transformadoras com certeza será sempre Jurassic Park. Após experimentar diferentes tipos de histórias o diretor embarcou na audaciosa adaptação do livro de Michael Crichton, se tornando um sucesso de público e crítica, dando início a uma franquia que continua até os dias atuais e que mudou a forma de se criar universos no cinema de maneira tão impactante quanto Star Wars.

O primeiro filme (1993) fala sobre a criação de um Parque de Dinossauros, idealizado por Jon Hammond, um bilionário que com a ajuda de cientistas conseguiu recriar os dinossauros, no entanto para que o parque seja aprovado ele convida alguns especialistas para que possam lhe certificar se o ambiente é realmente seguro e é partir desse ponto que a aventura começa.

Spielberg já havia mostrado no início de sua carreira como criar momentos de suspense e tensão em “Tubarão” (1975) foram as qualidades que vinha desenvolvendo em dirigir aventuras que reforçavam relações familiares em “Hook – A Volta do Capitão Gancho” (1991) e “ET – O Extraterrestre” (1982), aqui ele consegue de certa forma unir um pouco desses dois mundos tornando essa talvez uma de suas obras mais bem estruturadas, onde mistura aventura e um clima tenso de suspense com muita ação, passando uma bonita mensagem de esperança e desenvolvendo ao longo da história um sentimento de fascínio e medo que todos sentem pelos dinossauros, sendo com certeza um dos melhores filmes da história do cinema e um dos melhores da carreira do diretor.

Mas não é só em sua narrativa e direção que o filme impressiona e fez seu marco, essa produção também trouxe avanços significativos em efeitos especiais e visuais, afinal toda a equipe esteve dedicada a criar dinossauros reais e fiéis se utilizando de efeitos digitais e bonecos animatrônicos e seguindo conselhos do paleontologista e consultor do filme, Jack Horner, que juntos nos fizeram acreditar que o que estávamos vendo no longa era real, grande parte não se deve à técnica de Spielberg e sim ao seu amigo George Lucas que trouxe a produtora Industrial Light & Magic e juntos dos profissionais veteranos de efeitos e stop-motion como Phil Tippett, Stan Winston, Michael Lantieri e Dennis Muren possibilitaram que a visão do diretor e do roteirista alcançassem todo seu potencial.

Dennis já havia trabalhado em filmes como “Exterminador do Futuro 2” (1991) e “O Segredo do Abismo” (1989) e aqui se empenhou em criar o T-Rex da forma mais perfeita e ao lado do animador de stop-motion Phil Tippett de filmes como “Star Wars – O Império Contra-Ataca” (1980) e “Robocop” (1987) desenvolveu toda a animação dos gigantesco bonecos animatrônicos do longa, sempre trabalhando ao lado do criadores, estavam também Michael Lantieri e Stan Winston. No entanto para se modelar os movimentos desses dinossauros Spielberg investiu em uma nova tecnologia do mercado, a Digital Input Device, ferramenta que traduzia toda estrutura de stop-motion gravada para códigos de computadores, que pode ser considerada como um precursor da famosa “captura de movimentos” que vemos tanto hoje em dia.

Assim a computação gráfica da Industrial Light & Magic se tornava um poderoso complemento dos animatrônicos e do stop-motion, unindo todas essas técnicas e formas de desenvolvimento eles criaram todos os efeitos que elogiamos tanto que é também o motivo do longa ser amado até nos dias atuais.

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Otávio Renault
Nascido em São Joaquim da Barra interior de São Paulo, sou um escritor, cineasta, fotógrafo, desenhista e autor na Cine Mundo, além de um cinéfilo fã de Quentin Tarantino, J.J. Abrams, Neil Gaiman, viciado em séries e leitor de quadrinhos/mangás.